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8 October, 2020

UM PASSO A SEGUIR NA CLASSIFICAÇÃO DE LESÕES MUSCULARES

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As lesões musculares são uma das principais preocupações para o desempenho esportivo de um atleta. Este tipo de lesão acomete cerca de 30% das lesões totais no futebol de elite, pois são mais comuns as que acontecem nos isquiotibiais (23%) e no quadríceps (19%) (Ekstrand, Hägglund, & Waldén, 2011). Por exemplo, estimamos que em uma equipe composta por 25 atletas acontecem cerca de 15 lesões musculares por cada temporada, sendo o motivo de 27% de afastamentos (Ekstrand et al., 2011). Portanto, as lesões musculares geram importantes consequências negativas seja aos atletas de elite quanto ou às equipes.

Um diagnóstico preciso e uma classificação exata do tipo de lesão muscular é fundamental para tratar corretamente e prevenir futuras lesões. Entretanto, há uma grande controversa em como são tipificadas e classificadas as lesões. Assim, mesmo que diferente autores tenham proposto diferentes termos para classificar lesões musculares com base na sua localização, diferenciando, por exemplo, lesões intramusculares, miofaciais, musculotendinosas ou intratendinosas, (Chan, Del Buono, Best, & Maffulli, 2012; Pollock, James, Lee, & Chakraverty, 2014), estas tipificações ainda contam com diversas limitações. Tal falta de acordo entre os profissionais em relação à sua classificação pode ter várias vertentes: “A primeira é a falta de conhecimento anatômico e histológico sobre a lesão muscular: se desconhecemos a lesão, será muito difícil diagnosticá-la corretamente. A segunda é a existência de diferentes formas de classificações, pois existem diferentes fontes e ao usar distintos métodos para diagnosticar (clínica, ecográfica ou mesmo ressonância magnética) podem confundir os profissionais ao momento de dar um diagnóstico preciso. A terceira é o idioma: atualmente o inglês é o idioma principal na medicina e a tradução nem sempre é exata e precisa”, afirma o Dr. Ramón Balius, especialista em Medicina esportiva e membro do grupo de estudos da Sociedade Espanhola de Traumatologia Esportiva (SETRADE).

 

Por isso, em um recente artigo liderado por médicos e pesquisadores da SETRADE, inclusive com a participação de membros do serviços médicos do FC Barcelona, propuseram o uso de uma terminologia mais atual que, além de levar em consideração a localização de uma lesão, leva em consideração suas características histológicas (ou seja, as lesões causadas nas estruturas dos tecidos cognitivos)(Balius et al., 2020). Esta é uma afirmação do Dr. Balius, autor principal do estudo: “Imagino que este artigo organiza os conceitos e, especialmente, os limita como histologia, que é onde realmente acontecem. Especialmente os conceitos “miotendinoso” e “miofascial” sempre foram mal interpretados e talvez, confundidos entre si. Também acho muito interessante o conceito de “miojunção” para englobar a totalidade dos tipos de lesões musculares”.

Desta forma, a revisão dos autores argumenta que todas as lesões musculares acontecem nas uniões miojunções, mas que podem ser agrupadas em miotendíneas ou miofaciais. Uma primeira classificação seria a divisão daquelas lesões que acontecem em uma junção miotendínea (lesões que afetam à aponeurose ou à expansão tendinosa junto às fibras musculares) ou a junção miofascial (quando a lesão acontece diretamente na fibra muscular e no perimísio ou epimísio, ou seja, na posição de colágeno fibroso que envolve os fascículos das fibras musculares ou então o músculo completo).

Além disso, as lesões nestas unidades de miojunção podem acontecer na parte periférica muscular ou inclusive no seu interior. As lesões periféricas afetam sobretudo a junção miotendínea (aponeurose), sendo, por exemplo, corriqueiras as lesões nos tendões comuns dos isqueosurais, as aponeuroses posteriores do retofemural ou da cabeça média do gastrocnêmico. Entretanto, outras estruturas mais próximas à junção miotendínea que formam parte do perimísio ou epimísio também podem ser afetadas; sendo assim denominadas como “miofasciais” e consequentemente são uma tração para a aponeurose proximal. Por outro lado, as lesões centrais da miojunção seriam aquelas que afetam o tendão central e são caracterizadas por não terem o epimísio, como acontece nas lesões do tendão retofemural ou tendão central do sóleo, por exemplo.

Por último, e como resumimos na Tabela 1, os autores propõem além dessa classificação de lesões baseadas na sua localização histomorfológica, devem levar em consideração os danos nas estruturas do tecido cognitivo. Por exemplo, as lesões que atingem o tecido tendinoso aponeurótico são denominadas de “lesões tendinosas” e apresentam uma brecha, mas esta brecha pode ter uma orientação transversal, longitudinal ou mista. Assim, dependendo do fator, ao certo, se acontece de maneira transversal) acontecerá uma retração das fibras musculares, uma maior reestruturação fibrosa e existirá uma maior probabilidade de se lesionar novamente. Por outro lado, em relação ao tendão ou aponeurose estiver sem problemas, o dano acontece na junção das fibras musculares como esta, e denominamos como “lesões miotendíneas”. Estas podemos ser expressas no local, acometendo poucas fibras musculares ou grandes distensões com pequena hemorragia em determinadas ocasiões. Quando uma lesão tem como consequência uma tração do tendão ou a aponeurose sobre o perimísio e as fibras musculares são denominadas como “lesões intramusculares” e é a melhor coisa que pode acontecer. Também há as lesões que acontecem na junção miofascial periféricas e que podem gerar danos no epimísio, o que desenvolverá edemas em diferentes planos intramusculares, caso realmente exista lesão (mas não ficará intacto).

Neste documento, os autores propõem a seguinte terminologia (que deverá ser acompanhada de observações clínicas como a presença de hematomas ou não) para identificar as lesões:

  • Anatomicamente, atendendo o nome real da região lesionada de acordo com a terminologia internacional.
  • Topograficamente, como periféricas ou internas (centrais).
  • Histologicamente, como tendinosas, miotendíneas, musculares ou miofasciais.

Este é um artigo com consenso que tem como objetivo facilitar o uso de uma terminologia comum e, sobretudo, o mais preciso possível ao usar tanto a localização quanto o nível de dano produzido histologicamente, para se referir às lesões musculares, melhorando assim o processo de prevenção, o diagnóstico e seus tratamentos. O Dr. Baliu ainda comenta, “Esperamos que a nomenclatura sirva para classificar todas as lesões em diferentes tipos de grupos musculares e além disso, acreditamos que esta nomenclatura é importante porque implica em dar um diagnóstico às lesões assim que forem verificadas e catalogadas. Definitivamente, uma nomenclatura importante é aquela que, além de descrever uma lesão, traduzo um diagnóstico às demais lesões reincidentes.

 

 

BIHUB team

 

Referências

Balius, R., Blasi, M., Pedret, C., Alomar, X., Peña-Amaro, J., Vega, J. A., … Rodas, G. (2020). A Histoarchitectural Approach to Skeletal Muscle Injury: Searching for a Common Nomenclature. Orthopaedic Journal of Sports Medicine, 8(3), 1–8. https://doi.org/10.1177/2325967120909090

Chan, O., Del Buono, A., Best, T. M., & Maffulli, N. (2012). Acute muscle strain injuries: A proposed new classification system. Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy, 20(11), 2356–2362. https://doi.org/10.1007/s00167-012-2118-z

Ekstrand, J., Hägglund, M., & Waldén, M. (2011). Epidemiology of muscle injuries in professional football (soccer). American Journal of Sports Medicine, 39(6), 1226–1232. https://doi.org/10.1177/0363546510395879

Pollock, N., James, S. L. J., Lee, J. C., & Chakraverty, R. (2014). British athletics muscle injury classification: a new grading system. British Journal of Sports Medicine, 48(18), 1347–1351. https://doi.org/10.1136/bjsports-2013-093302

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