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24 January, 2020

TECNOLOGIAS PARA MONITORAR ANÁLISES ESPORTIVAS

Análise e Tecnologia Desportiva

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O uso de tecnologias para analisar o rendimento esportivo é uma prática cotidiana e necessária dentro do esporte profissional. Monitorar as atividades físicas do atleta permite aos clubes saber sobre o estado físico dos seus atletas e o estilo de jogo deles, assim como saber sobre a fadiga ou a carga a qual estão sujeitos durante os treinamentos ou ao longo dos jogos. Graças a todos os tipos de sensores e câmaras recebemos essas informações em tempo real sobre posição, velocidade ou frequência cardíaca dos nossos atletas, dados que podem ser tratados a posterior para verificar as tendências ou possíveis melhorias no jogo. Aparecem desta forma as questões principais na hora de implementar este tipo de soluções inovadoras: de um lado qual os tipos de tecnologias que permitirão um melhor monitoramento dos nossos atletas em relação a sua eficiência; de outro lado como processá-las de maneira útil e utilizar a menor quantidade de recursos possíveis.

 

Fora deste âmbito profissional estamos acostumados a ver todos os tipos de soluções tecnológicas criadas para monitorar nossos avanços. Os runners podem escolher entre levar o celular no braço para saber a distância percorrida, usar o relógio mais moderno ou o smartband com GPS ou ter uma faixa presa no peito com a mesma finalidade. Os atletas contam as repetições, as flexões e os abdominais, utilizando diferentes apps. Entretanto, onde realmente aconteceu uma grande revolução tecnológica foi no monitoramento dos atletas de elite. Desde que a FIFA aprovou, em 2015, o uso de sistemas portáteis de monitoramento do rendimento durante os jogos, o público está se acostumando a ver essas características camisetas GPS sob as camisetas dos atletas. Dentro e fora do campo são empregadas tecnologias de última geração para que saibamos com mais precisão sobre os movimentos e as tendências do que deve ser feito. Diferentes exames no futuro dos Real Time Location Systems in Sports (RTLS, ou Sistemas de localização em tempo real para o esporte) demonstram que o mercado está em crescimento e que irá gerar muitas oportunidades de negócios durante os próximos anos. Essa comparação é tão impressionante quanto fácil de entender: um mercado com um volume de negócios de 280 milhões de dólares em 2018 passará para mais de 2 bilhões em 2024. Um exponencial aumento econômico que trará consigo uma provável inovação nas atuais tecnologias disponíveis.

 

Atualmente, existem três sistemas de análise esportivo: os sistemas de vídeo baseados em múltiplas câmeras semiautomáticas (VID), os sistemas de posicionamento local baseados em radares (LPS) e os sistemas de posicionamento global (GPS). O VID conta com uma metodologia para a análise externa do rendimento esportivo baseada no uso de câmeras de alta definição que monitoram os atletas dentro do campo. Este interessante sistema nos permite reproduzir os trajetos realizados no campo, que fornecem informações importantes para a análise dos movimentos destes atletas não só individualmente, mas também nas jogadas armadas em grupo. Além disso, tem vantagens em relação aos outros sistemas: os aparelhos ficam fora do campo, um fator de grande importância para muitos técnicos e dirigentes esportivos que consideram que nenhum dispositivo deveria estar na linha de frente. Os sistemas LPS são conhecidos pelo uso em espaços internos e seu princípio de funcionamento é baseado em triangular a posição de uma pessoa ou objeto, graças às diferentes beacons ou balizas distribuídas em toda a área de abrangência. Entretanto, sua aplicabilidade não interage com as demais tecnologias. De outro lado, o uso do GPS no monitoramento esportivo teve um grande crescimento com relação às normativas da FIFA sobre o uso delas dentro de campo e, provavelmente, seja o sistema de monitoramento mais utilizado hoje em dia.

 

 

Falando em ciência esportiva, o VID e o GPS são os dois sistemas amplamente usados na pesquisa associada ao rendimento esportivo do atleta. Existem muitas pesquisas que demonstram a capacidade de rendimento ou para evitar lesões. Em contrapartida, existem poucos trabalhos até hoje realizados sobre a comparação do uso de ambos os métodos nos jogos oficiais como aconteceu em uma recente pesquisa que Eduard Pons, membro do departamento de rendimento esportivo do FC Barcelona, participou. No estudo, foram registrados um total de 759 medidas associadas à distância total percorrida, distância coberta por minuto, velocidade média e velocidade máxima durante 38 jogos oficiais do FC Barcelona B na segunda divisão, monitorando vinte e seis atletas na filial do time principal. Depois de analisar os dados estatísticos em detalhes, os resultados demonstraram que, se comparado com o sistema GPS, o sistema VID superestima ligeiramente as variáveis como a distância média percorrida ou a velocidade quando os atletas correm com velocidades superiores a 6 km/h. Uma superestimação que, contudo, não invalida a possibilidade de usar ambos os sistemas e inclusive fazer a troca das informações obtidas de cada uma dessas tecnologias na hora de verificar as diferentes variáveis.

 

Quais são os outros fatores que determinam a escolha de uma ou de outra tecnologia? A confiança é essencial. Eduard Pons, integrante do departamento de rendimento do FC Barcelona e do grupo de preparadores físicos do time principal. Pons explicou que “as duas tecnologias usadas são confiáveis, tanto se forem analisadas separadamente, quanto juntas, algo que pode ser comprovado no artigo. No FC Barcelona usamos as duas há oito anos”. Também a velocidade com que podemos trabalhar essas informações é um aspecto importante. “Ter acesso às duas informações dos dois sistemas é básico para o controle de carga e de possíveis alertas, que podem nos informar de forma direta, adquirindo cada vez mais importância ante possíveis decisões a serem tomadas”, afirmou o preparador físico.

 

Portanto, a confiabilidade do sistema e o rendimento da tecnologia são fatores fundamentais para escolher qual será a solução empregada no monitoramento dos atletas. Entretanto, existem outras variáveis que, hoje em dia, parecem ser mais complicadas de serem medidas. O conforto do atleta é uma delas. Usar uma camiseta com GPS não deixa de ser uma alternativa, mas para o atleta que vestir essa camiseta pode ser desconfortável. Além disso, ele pode se sentir medido e quantificado em cada movimento que realizar. Isso poderá afetar seu rendimento global? De acordo com Tomás García Calvo, professor da Faculdade de Ciências do Esporte da Universidad de Extremadura e Coordenador do grupo de pesquisa ACAFYDE afirma que, “ter acesso ao vídeo tracking nos permite monitorar os atletas sem que eles se sintam invadidos. Isso é uma das vantagens que temos, pois muitas vezes, os atletas de elite não ficam satisfeitos de usar um dispositivo GPS durante um jogo”. E o resultado? “Essa tecnologia de vídeo tracking nos permitiu, ao longo dos anos, criar históricos dos atletas e criar perfis condicionais para competições e em seguida usar essas informações condicionas em sessões de treinamento onde, sim, é usado o GPS”. Novamente, a solução passa por um conjunto de sistemas.

 

 

Outra resposta para um possível desconforto do atleta é a miniaturização das tecnologias e o auge do conceito wearable. Roberto López del Campo, coordenador do Projeto Mediacoach & Departamento de Investigación Deportiva da LaLiga explica de uma maneira clara e objetiva: “os avanços nos denominados tecidos inteligentes e dispositivos tecnológicos menores podem inclusive serem disfarçados como um adesivo, colocado, por exemplo, debaixo o logotipo da LaLiga; naturalmente o atleta não perceberá que está com este dispositivo e não se sentirá invadido”. Além disso, destaca o efeito fundamental do aspecto psicológico do monitoramento no esporte: “desde LaLiga consideramos que os atletas que antes de serem atletas são pessoas e como tal funcionam de forma completamente individual. Existem atletas que podem perceber um dispositivo tecnológico como uma ameaça, enquanto outros é um elemento de motivação. Depende das percepções e pontos de vista de cada um”. O que fazer nestes casos? “A melhor solução é que aqueles atletas que desejarem podem usar os dispositivos como adesivos na pele. E para os demais atletas, quer por motivos físicos ou psicológicos, os sistemas de tracking sejam através de câmeras que permitam medir seu rendimento sem que ele se sinta incomodado”.

 

O monitoramento das emoções e sensações dos atletas também pode ser realizado. De fato, Tomás García nos confirma que “do mesmo modo que temos a quantificação de carga extrema, com o uso da tecnologia podemos também saber sobre a carga interna do atleta. Podemos perguntar o que ele acha do esforço realizado durante a competição ou o treinamento. Saber sobre o estado de ânimo do atleta de elite é uma necessidade. “Atualmente nos esportes de elite, onde as competições acontecem a cada 3 ou 4 dias, é importante levar em consideração a carga mental ou a fadiga mental do atleta, já que a exigência do jogo em si afeta a estrutura cognitiva dele. Estamos estudando essa fadiga, já que o atleta de futebol está em um ambiente com cada vez mais exigências mentais”.

 

E o que fazer com essa grande quantidade de informações que não param de crescer? A probabilidade de redução dos valores na área de tecnologia de monitoramento, agregando o uso de inteligência artificial e o big data, podem trazer ao esporte uma grande revolução. O simples fato de imaginar que os observadores podem ser substituídos pelos sistemas VID ou GPS que registram todas as informações dos atletas e um sistema de inteligência artificial, capaz de processar todos esses big data e identificar padrões de interesse ou informações valiosas. Qualquer jogo poderá ser acompanhado ao vivo e com detalhes, se você estiver inscrito em um possível acordo de monitoramento destes atletas. Isso parece ficção? Não para LaLiga, onde já estão trabalhando com essa linha de ação. “Colocamos à disposição dos 42 clubes um ambiente virtual com toda a tecnologia necessária para analisar informações brutas (raw data) com esse tipo de técnicas de análise complexa e se consegue novos conhecimentos aplicáveis diretamente no campo”, afirma Roberto. Ainda que esteja um pouco cauteloso com sua aplicação no esporte principal. “Esse tipo de técnica de Machine Learnign e Inteligência Artificial que tem excelentes resultados em outras áreas do conhecimento já mais homogêneas e estáveis encontra alguma dificuldade para que sejam aplicadas ao futebol. Falando de futebol e outros esportes onde a correlação entre “boas estatísticas de rendimento” e resultado são muito altas. O melhor exemplo disso é o basquetebol, um esporte que praticamente é impossível perder um jogo se o rival for superado nos lançamentos e tentativas de cestas, contra-ataques, recuo e tiros a favor… . Entretanto, o futebol é um dos poucos esportes em que se pode ganhar um jogo sem realizar nenhum contra-ataque sequer (com um gol a favor)”. Mas sim, a mensagem final é de esperança: “estamos convencidos que as contribuições que, atualmente, realizam os cientistas que pesquisam essas informações, colaboram com os treinadores, preparadores físicos e analistas de futebol terminarão evidenciando a real importância deste tipo de análise avançada das debilidades e fortalezas do rival, maximizando o rendimento técnico-tático e físico dos atletas, prevendo o rendimento que um jogador teria se jogasse integrado em uma ou outra equipe, selecionar o atleta que melhor se adapte a um determinado sistema e a um estilo de jogo…”. O futuro está cada vez mais perto.

 

A equipe Barça Innovation Hub

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