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“Quanto mais alegria existir dentro de campo, maior será o rendimento”

A essência do jogo e a maneira como se criam espaços, foram os temas de um encontro entre Paco Jémez, Eusebio Sacristán, Javier Calleja e Isaac Guerrero. A conversa girou em torno de um ponto comum, um desafio que o futebol precisa enfrentar. “Sem dor, não há vitória”, lembrou Guerrero. Entretanto, estes três técnicos defendem sistemas de jogo que, acima de tudo, trazem alegria para os atletas profissionais do futebol. Jamais podemos esquecer que o futebol é um jogo e isso é o mais importante.

No final da temporada de 2012 e 2013, Paco Jémez conseguiu fazer de seu time o terceiro com um maior percentual de posse de bola da Europa, ficando atrás apenas do FC Barcelona, campeão da Liga espanhola e do Bayern de Munique, campeão europeu. A notícia viralizou, isto porque seu clube na época era o Rayo Vallecano, a equipe que contava com poucos recursos se comparada com a elite do continente. Em seu discurso, Jémez revelou que, o papel do técnico é o seu comprometimento com a ideia que pretende transmitir aos seus atletas. “É como se tivesse um radar para identificar a credibilidade do que está dizendo”, explicou ele.

Especialmente em seu caso, o problema está em um modelo baseado na posse de bola, que muitas vezes “você entra em choque com a realidade”, mas é preciso correr este risco, se quiser ser associativo e tirar a bola por trás. O seu fundamento é a necessidade de fazer com que o atleta entenda que nem sempre se sairá bem e que, quando isso acontecer, o técnico estará ali para apoiá-lo. E ele ressalta: “no futebol não há uma fórmula mágica para vencer, vencer e vencer”.

Quanto aos espaços, o que da questão, disse que é preciso conquistá-los, mas sem se obsessões por eles, uma vez que no futebol eles aparecem e desaparecem a uma velocidade surpreendente. Isso não significa que as equipes devam permitir a posse de bola em áreas não produtivas.

Ele também concordou muito com as palavras de Angel Cappa de que a pausa trás velocidade ao jogo. Entretanto, sentiu falta de um perfil de atleta que tem sido muito difícil de encontrar nos últimos anos. Este perfil tem a ver com o atleta que consegue “ler” um jogo, que tenha visão de jogo e que interioriza os ritmos de uma partida.

Porém, lamentou que, esses atletas existem. E que conseguem se deslocarem de uma zona para outra rapidamente com mais força, mas não entendem tão bem o jogo em si. Mesmo que, tenham reconhecido que, o conceito “devagar se vai ao longe”, isso é contra a natureza do futebol. E um detalhe este que serviu para elogiar seu companheiro: “Eusebio seria um bom exemplo, não era um grande corredor, mas seu jogo era o mais ágil de todos, porque pensava rápido”.

No entanto, ele defendeu os fundamentos de sua filosofia com o forte argumento de que, se você conseguir que um adversário passe noventa por cento do tempo de um jogo na defesa, os outros dez por cento que sobram serão para o ataque, o que “oferecerá poucas chances de vencer”.

Para Eusebio Sacristán, sua afinidade com este modelo de jogo se deve ao fato de acreditar que “faz o atleta se sentir melhor”. Em seu caso, ficou fascinado quando Johan Cruyff desenhou um losango com duas extremidades abertas no meio de um quadro, em virtude do primeiro jogo que iriam disputar juntos, um 3-4-3, o que o levou a aproveitar ao máximo esta estratégia.

Eusebio defende o atleta inteligente, aquele que pode decidir por si mesmo se deve conduzir o jogo com rapidez ou fazer pausas. Entretanto, como técnico, trata de gerar automatismos na equipe para que ela seja capaz de superar as dificuldades que o adversário impõe e ao mesmo tempo gerar movimentos de defesa, ao abrir espaços.

Além disso, ele exigiu que, nas categorias inferiores, a polivalência dos atletas profissionais de futebol seja melhor trabalhada. Há muitos casos em que o centro avante lateral sai da posição central para dar uma melhor saída da bola ou um centroavante porque acima não convence. É importante que o atleta seja treinado em várias posições, pois ele nunca saberá qual será sua chance de dar o melhor de si.

Javier Calleja alertou que, com todas as fórmulas de jogo, podemos ganhar ou perder. A única certeza que temos é que as áreas são decisivas e devemos tentar passar o máximo de tempo possível no campo do adversário ou chegar lá sempre que possível. Como um único passe é impossível, vem o papel do técnico na busca de estratégias e na sequência, o atleta é estimulado a interpretar o jogo, sendo que as vezes é preciso serem mais pacientes. Se o adversário está muito atrás, ir na frente contra ele é o mesmo que bater de frente com um muro. Nesta situação é preciso mover a bola no intuito de desorganizá-los. No entanto, o fato de ter a posse da bola também significa, particularmente, o sentimento de pressão após perdê-la. Ambos os conceitos são duas faces de uma mesma moeda que o atleta precisa ter conhecimento e estar preparado.

“Entre clubes de futebol, um campeonato acontece no gramado e se compartilha tecnologias desenvolvidas”

A professora Ivanka Visnjic, da ESADE Business School, mediou um debate entre Chintan Patel, diretor de tecnologia da Cisco, Jeff Marks, do Innovative Partnerships Group e Stefan Mennerich, diretor de comunicação do Bayern de Munique, sobre a importância de acordos e parcerias intersetoriais para promover a inovação no esporte.

No futebol, é muito importante para o Bayern de Munique assinar acordos de parceria com outras empresas no intuito de aproveitar as oportunidades de inovação, revelou Mennerich. Aprender com a experiência de outras empresas é vital para que seu clube tenha flexibilidade na adaptação às mudanças, algo que não poderia alcançar por si só. A inovação é realizada com este tipo de parcerias, porque não apenas aprendem e se desenvolvem, mas também não perdem o controle de seus sistemas e infraestruturas.

Desta forma, o Bayern também se tornou um portal para a tecnologia e avanços no mundo do futebol, isto porque os sistemas que eles desenvolvem e implementam foram um sucesso total, embora demande muito esforço em termos de tempo e orçamento, agora são compartilhados com outros clubes, que, mesmo sendo menores, têm as mesmas necessidades. Compartilhar é a palavra-chave do Bayern de Munique. Sua filosofia é igualmente compartilhada por outros clubes porque, se não for desta forma, o risco de se tornarem obsoletos será muito maior.

É por isso que o Bayern também entrou no campo do eSports. Mennerich revelou que, por serem um clube muito tradicional, pela primeira vez em sua história, deram um passo muito além da sua experiência, desbravando uma área totalmente desconhecida para eles. Entretanto, eles concluíram que, se não entrassem para o mundo do eSports, correriam o risco de perder a próxima geração. Correriam o risco de perder.

Patel expôs os resultados da entrada de sua empresa no mundo do eSports. A longo prazo, sua estratégia será transformar esses torcedores não apenas em clientes, mas também em talentos e colaboradores em potencial no futuro. Este setor é o único esporte que depende 100% da tecnologia e tem uma grande necessidade de parceiros estratégicos internacionais para favorecê-lo. Como exemplo, ele citou a final do League of Legends, somente graças a um bom parceiro tecnológico como eles, foi capaz de reunir milhões de torcedores ao redor do mundo.

No quesito publicidade, Marks explicou que, sua empresa se dedica a reunir empresas e marcas internacionais que necessitam de inovação com o objetivo de formar parcerias. “O que fazemos com nossos clientes é educá-los, tentando mudar conceitos sobre o que é ser um patrocinador e mostrar que o sistema tradicional vem perdendo terreno para o compartilhamento da propriedade intelectual”, afirmou. Um sistema de parcerias é a única maneira de reduzir a lacuna tecnológica que ainda persiste em muitas áreas do esporte.

Estas experiências tecnológicas em uma marca internacional podem servir de laboratório e, ao mesmo tempo, de palco mundial. É preciso abandonar a ideia de nos apropriarmos do desenvolvimento de projetos e começar a entendê-los como obras coletivas. Alguns fornecem a propriedade intelectual e outros constroem a experiência e o resultado será o fruto desta parceria. Esta mudança de mentalidade é importante e necessária.

“Os eSports já são uma realidade no mundo dos esportes e ajudará com o sedentarismo infantil”

Conforme Alon Weber, CEO da Pixellot, 99% das partidas jogadas não são registradas. O objetivo de sua empresa é democratizar a transmissão e a gravação de jogos para que cada vez existam mais públicos para analisá-los ou preservá-los. A única maneira de tornar isso possível, revelou ele, é cortar custos, automatizando a gravação com computer vision ou seja, uma visão computadorizada. Uma câmera pode ser ajustada para rastrear a bola e distinguir os lances do jogo, por exemplo, um escanteio. O caminho é ensinar a IA, expondo a uma maior quantidade de jogos possível para que ela armazene a maior quantidade de informações possível.

O projeto está em desenvolvimento e a ideia é utilizá-lo para quinze modalidades de esportes. Neste momento, a Pixellot está trabalhando com o FC Barcelona na instalação destes dispositivos na Ciutat Esportiva, mas para o consumidor já lançou kit nos Estados Unidos que podem ser colocados em qualquer campo, capturando o jogo de uma maneira muito simples para que o técnico possa assim editá-los.

Enquanto a Pixellot se concentra em equipamentos, Alex Wu, do aplicativo HomeCourt, comentou sobre a tecnologia móvel em que sua empresa está trabalhando. Este é um aplicativo que pode ser usado tanto para corrigir erros em um treinamento como para gerenciá-los. Especialmente em modalidades de esportes como o basquete, onde os exercícios repetitivos são tão comuns quanto monótonos. “Não se pode melhorar sem quantificar todas as vezes que fez algo errado e nem todos os atletas podem ter um técnico ao seu lado”, explicou ele.

O bônus que um aplicativo como este oferece é a gamificação dos processos em que os atletas têm ao investirem muitas horas ao longo de suas carreiras, inclusive fazendo sacrifícios importantes. Wu considera este processo como um passo curioso, que segue uma direção oposta ao que é previsível. É sobre trazer os eSports ao mundo real dos esportes e não o contrário. Com o aplicativo, além de aperfeiçoar sua técnica, é possível competir com amigos e outros usuários. “Antigamente, fazer abdominais era um castigo, agora se tornou divertido”, ele comentou. Também pode ser visto como uma motivação para que as crianças pratiquem mais esportes e sejam menos sedentárias.

Com um algoritmo, esta tecnologia oferece um feedback ao atleta em tempo real. Wu também enfatizou que o diferencial do aplicativo é que requer apenas um Smartphone, não havendo mais a necessidade de se carregar tantos dispositivos e cabos como no passado. Embora este sistema ainda esteja em uma arena muito inicial, a grande vantagem é que as novas gerações muito em breve terão um aplicativo com um preço acessível, o que aumentará o nível técnico de milhares de jovens atletas. A maioria de seus clientes, até o momento, tem entre 13 e 18 anos. Para a NBA, ainda assim, muito em breve estes aplicativos se tornarão uma forma simplificada de se fazer Scouting e encontrar novos talentos.

“A partir de dados é possível analisar a impressão digital de cada atleta e a representação matemática de seu estilo de jogo”

Jesse Davis, da Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica, apresentou um sistema de medição de dados que permite uma perspectiva mais ampla da análise tanto de uma equipe quanto de um atleta. Uma abordagem centralizada em três áreas: desempenho, tática e saúde.

De acordo com Davis, medir o valor da ação de um atleta é muito complicado. Pois se trata de avaliações subjetivas. Além disso, as informações fornecidas pelo técnico não ficam disponíveis, nem ao menos a intenção do atleta é percebida instantaneamente. Por outro lado, pouquíssimas ações no futebol são exatamente as mesmas, o que é um problema para a IA, que aprende através do processo de repetição.

Para poder medir estes estímulos, o aspecto fundamental deste rastreamento é o mapeamento do campo. Sua hipótese é que o estilo de jogo seria manifestado por duas circunstâncias: a localização do atleta e o tipo de ação que ele realiza em cada uma delas. Com estes parâmetros, a relação entre ação e localização pode ser calculada. Por exemplo, basta selecionar um tipo de ação como um passe, um drible, um tiro entre outras, indicando quantas vezes foram realizadas e contando a quantidade de ações realizadas em cada vez. Davis garante que, estes dados seriam como a impressão digital de cada atleta. Cada representação matemática será seu estilo de jogo.

E serão diversas aplicações. Podemos comparar atletas ou analisar a evolução individual. Estas informações são muito importantes em uma seleção de candidatos para uma transferência, citando um exemplo. Se você quiser substituir um atleta indispensável, poderá encontrar um que tenha desempenhado funções de jogo similares ou comparáveis através de dados.

Se o mapeamento do campo também registra a direção da bola cada vez que ela entra ou sai de um quadrante, este conjunto de movimentos mostra o estilo de jogo de uma equipe. Ao introduzir as limitações desses movimentos, por exemplo, um atleta que ocupa uma posição central tem 360º de amplitude para mover uma bola, mas um atleta em uma posição de lateral apenas 180º, onde é possível analisar suas linhas de passes e até mesmo tentar prever seus movimentos.

Um terceiro desafio seria o referente ao condicionamento físico. Até pouco tempo atrás um computador não podia calcular um movimento ao levar em consideração o desgaste de um atleta. Entretanto, hoje é possível obter parâmetros biomecânicos de um atleta apenas com um aplicativo. Uma informação que antes só era possível conseguir em um laboratório.

Composição corporal dos atletas profissionais do futebol de níveis diferentes

Mireia Porta e Carlos Contreras apresentam a Associação de Dietistas-Nutricionistas das Equipes de Futebol Espanholas (ADNET), criada recentemente, tenta unir forças entre nutricionistas que trabalham com as equipes espanholas de futebol de diferentes níveis. Este artigo, em especial, destacam uma pesquisa descritiva que foi realizada no intuito de descobrir a composição corporal e o somatótipo de atletas profissionais do futebol de diferentes níveis. Especificamente, são apresentados dados médios relacionados à altura, peso, índice de massa corporal e dobras cutâneas de 920 atletas de 43 equipes, desde categorias de base até segunda divisão, assim como dados de atletas das equipes femininas da primeira divisão. Além disso, para cada categoria, o somatótipo é apresentado de acordo com a posição do atleta no jogo. Assim, por exemplo, observamos uma altura maior nos goleiros, seguidos pelos zagueiros e atacantes e na sequência pelos centroavantes. Além disso, são observados valores adicionais de dobras inferiores e maior mesomorfismo nas categorias superiores (2ª divisão) se compararmos com as categorias inferiores (2ªB, 3ª ou de base). Assim, estes dados poderão ser utilizados para estabelecer valores “normativos” sobre a composição corporal de atletas profissionais do futebol em diferentes níveis.

Como medicamentos interagem com nossa disponibilidade de nutrientes?

Mar Blanco Rogel, farmacêutica e tecnóloga em alimentos, comenta sobre as interações entre alimentos e medicamentos, concentrando-se especialmente nos medicamentos mais consumidos pelos atletas. Este tema é de grande importância uma vez que certos medicamentos podem diminuir a biodisponibilidade de alguns nutrientes ao reduzir sua absorção, incrementar sua expulsão seja ela renal ou intestinal, provocar alterações metabólicas e ainda inibir sua síntese endógena.

Mar Blanco inicia apresentando um grupo de medicamentos consumidos em larga escala como os antiácidos, por exemplo, Omeprazol. Estes medicamentos, quando consumidos por muito tempo, revelaram uma redução no metabolismo de micronutrientes importantes como a vitamina B12, magnésio, cálcio ou ferro, e consequentemente, traz riscos de patologias associadas como osteoporose, anemia ou infecções bacterianas. Além disso, também foi observado que, em casos de deficiências destes micronutrientes, é preciso considerar certos cuidados em relação ao suplemento correspondente. Por exemplo, entre as fontes de vitamina B12, a dibencozida e a metilcobalamina demonstraram ter melhor biodisponibilidade e segurança se comparada com a cianocobalamina, assim como outros suplementos como o magnésio também é preciso avaliar não apenas a quantidade do mineral, mas também sua fonte. Além disso, os antiácidos que inibem a bomba de prótons ao produzir alterações no pH do trato digestivo, podem modificar a composição bacteriana (microbiota), que também é o caso dos anti-inflamatórios não esteroides e antibióticos. Ao contrário, seria recomendada o suplemento com prebióticos e probióticos para evitar tais alterações.

Mar Blanco também faz uma abordagem com relação a determinados nutrientes, como leite, que podem aumentar a expulsão urinária de alguns medicamentos, assim como laxantes, diuréticos ou suplementos a base de fibras podem reduzir a biodisponibilidade dos medicamentos consumidos. Em contrapartida, também apresenta o efeito que os contraceptivos podem ter sobre alguns nutrientes como vitamina B12, folatos ou zinco e também como os tratamentos fitoterápicos, como extrato de semente de uva, chá verde e guaraná, mesmo sendo considerados “naturais”, podem vir a reduzir a biodisponibilidade de alguns nutrientes quando consumidos em excesso.

 

Tendinopatia patelar: da teoria à prática

O Dr. Johannes Zwerver, médico esportivo da Universidade de Groningen, faz uma apresentação sobre Tendinopatia patelar. Inicialmente ele comenta sobre seu predomínio, mostrando como a tendinopatia patelar, também conhecida como “joelho de saltador”, afeta até 40% dos atletas de alto rendimento e 10% dos atletas que não fazem parte das equipes de elite. Em seguida, resume a fisiopatologia desta condição, onde uma má adaptação do tendão desempenha um papel fundamental, acarretando um aumento da degeneração ou inflamação tendinosa; estes, frequentemente inter-relacionados e, assim, causar tendinopatias. Mais adiante, discute os fatores de risco associados a esta lesão, demonstrando que, embora vários fatores estejam relacionados com uma maior incidência, incluindo desde fatores biomecânicos até testes de imagem, suas evidências não são claras. Finalmente, ele comenta que não há evidências suficientes que apoiem as “faixas” patelares para diminuir a dor nesta patologia ou diversos tipos de injeção de plasma rico em plaquetas, de células-tronco e terapia gênica assim como a cirurgia.

Na sequência, a Dra. Amelia Arundale, fisioterapeuta do Brooklyn Nets, fala a respeito do momento de se tratar uma tendinopatia, onde devemos nos concentrar não apenas nos tendões, mas sim em todas as esferas que envolvem um atleta, como estado físico, histórico de lesões, recuperação e inclusive nutrição e estado psicossocial. Para isso, ela apresenta um estudo de caso de uma atleta profissional do futebol australiano que apresenta quadros de dores no joelho e discute o passo a passo de como são avaliadas todas as variáveis destacadas, incluindo histórico de lesões, testes de imagem, avaliação de força do joelho e do quadril e a medição do salto e aterrissagem. Além disso, explica como eles tratam essa lesão de forma multifatorial, desde a evolução dos exercícios realizados até a avaliação da carga em treinamentos e a recuperação entre as sessões.

Finalmente, Javier Ruiz, fisioterapeuta do time de basquete do FC Barcelona, nos mostra como o FC Barcelona enfrenta o processo de retorno aos campeonatos (return to play) de atletas com tendinopatia patelar. Assim, ele apresenta avanços de atletas com exercícios isométricos e excêntricos, com o objetivo principal de produzir uma sensação de analgesia, que serão os mais eficazes a médio e longo prazo. Javier Ruiz salienta também a importância de iniciar as atividades com baixa velocidade e com as duas pernas até progredirem para exercícios com maior velocidade e unilaterais, finalizando com exercícios pliométricos e funcionais, como os realizados em máquinas isoinerciais. Além disso, comenta sobre outras estratégias como a restrição de fluxo sanguíneo pode contribuir com determinados benefícios neste período de recuperação. Enfim, Javier Ruiz comenta sobre a importância de avaliar a evolução da tendinopatia, mediante escalas específicas como o questionário VISA-G, da força muscular e da carga de treinamento durante o processo de recuperação para garantir um retorno eficiente aos campeonatos.

Cirurgia e reabilitação da ruptura dos tendões isquiotibiais

O Dr. Jordi Puigdellívol, cirurgião ortopédico e membro do departamento médico do FC Barcelona, comentou sobre a cirurgia dos tendões isquiotibiais. Primeiramente, é necessário destacar que “quando sofremos uma ruptura na região isquiotibial, a primeira opção sempre é o tratamento tradicional, mas se existe uma grande falha ou uma debilidade muscular acentuada na região da lesão, há possibilidades de cirurgia”.

Ao decidir entre cirurgia e tratamento tradicional, a decisão também pode depender das condições físicas do atleta, ou seja, se é profissional ou ainda é amador e a quantidade e qualidade de lesões no tendão afetado. Por exemplo, no caso de atletas profissionais, se existem de duas a três lesões, recomendamos cirurgia precoce. Contido, se houver apenas uma pequena lesão, o tratamento cirúrgico só deve ser realizado caso o atleta apresente sintomas graves. Um aspecto a ser considerado em virtude das rupturas na região isquiotibial é que, ao esperar um determinado tempo para realizar a cirurgia, poderá encontrar retrações de tendões e uma grande cavidade na área lesionada, o que pode dificultar a drenagem.

Uma vez realizada a cirurgia, o Dr. Puigdellívol comentou que, “não há uma técnica de imagem que nos demonstre se a musculatura tem um processo de cicatrização evidente. Após uma cirurgia, mesmo que os dados de GPS ou os níveis de força estejam corretos, o risco de uma recidiva é alto. Ele indicou que, entre técnicas de imagem, a ressonância magnética é a mais eficiente para avaliar a perda de volume da região lesionada, assim como visualizar o possível acúmulo de gordura intramuscular.

Por sua vez, Óscar Muncunill, fisioterapeuta da clínica Sant Josep e da seleção espanhola de Polo aquático, abordou sobre o processo de reabilitação que ocorre após uma cirurgia. Ele destacou que, a recuperação deve iniciar o quanto antes e, se possível, antes da cirurgia. Em meio a todo este processo, salienta a importância da participação de diferentes profissionais tais como médicos, fisioterapeutas, psicólogos, técnicos e nutricionistas, com o objetivo de garantir um tratamento eficaz. “As lesões afetam os atletas tanto física como psicologicamente. Por isso, uma abordagem biopsicossocial durante o tratamento é primordial. Por isso é muito importante educar o paciente durante todo o processo, pois mantê-lo informado sobre as estratégias utilizadas e sua duração, pode ter um efeito positivo na sua recuperação”.

A reabilitação deve respeitar os princípios fisiológicos da regeneração fisiológica, assim, aumentar a vascularização, evitar a fibrose e recuperar a funcionalidade elástica do tecido; esses são os objetivos principais deste processo. Desta forma, a tensão e a aplicação de uma carga ideal são requisitos essenciais em cada uma das etapas propostas pelo fisioterapeuta.

 

Análise da estrutura e atividade elétrica dos tendões isquiotibiais para prevenção de lesões

O Dr. András Hegyi, pesquisador pós-doutorando pela Universidade de Nantes, na França, abordou sobre a função dos isquiotibiais durante uma corrida em alta velocidade. Em sua apresentação, analisou como a estrutura deste grupo muscular se altera ao se alongar durante as diferentes fases de um movimento, explicando como o tendão afeta o comportamento do músculo. “Um tendão mais rígido, afeta a alteração do comprimento muscular. Teoricamente, se o atleta apresenta um tendão mais rígido, o risco de lesões será maior. Sob a ótica da prevenção de lesões, uma boa ideia seria diminuir a rigidez do tendão ao realizar treinamentos diferentes. Entretanto, isto seria muito difícil, pois a maioria das intervenções em treinamentos parece aumentar a rigidez. Além disso, não sabemos como isto poderia afetar o desempenho e a função do tendão”.

Igualmente, quando a estrutura do tendão pode alterar o comportamento dos isquiotibiais, ter os fascículos do bíceps femoral curtos também está associado a um risco maior de lesões. Portanto, alongar ou aumentar o comprimento do fascículo pode ser altamente benéfico. Nesta perspectiva, embora os exercícios excêntricos tenham demonstrado aumentar o comprimento dos fascículos do bíceps femoral, o pesquisador enfatizou que, “não sabemos como isto poderia ser convertido em uma melhor função muscular nos movimentos específicos do sprint”.

Contudo, ele explicou que, os músculos que são mais ativados têm uma maior capacidade de absorção de energia, o que reduz o risco de lesões. Como ele destacou, “teoricamente, se você não for capaz de ativar os músculos, você terá que alongá-los mais para absorver a mesma quantidade de energia, o que aumentaria o risco de lesões”. Assim, após uma lesão é essencial começar a ativar os fascículos do bíceps femoral o quanto antes. Desta forma, começar a correr de maneira gradual e progressiva, após uma lesão, no intuito de restaurar a função neuromuscular pode ser fundamental.

Em uma última etapa da apresentação, o pesquisador analisou diferentes variantes do exercício nórdico, relacionado aos isquiotibiais, um dos mais estudados em se tratando da prevenção de lesões dentro deste grupo muscular. Se compararmos dois tipos de exercício nórdico, por exemplo, o clássico, que é realizado com o quadril flexionado a 0º, oferece uma ativação muscular maior do que o realizado com o quadril a 90º. Finalmente, o Dr. Hegyi apontou um problema com este exercício em especial e a maioria dos exercícios realizados para fortalecer esta região, pois eles não promovem uma grande ativação muscular em sua fase mais alongada, algo que ocorre no movimento do sprint, onde o risco de lesões é bem maior.

 

BIHUB Team

 

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