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December 10, 2020

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“Antes de investir em uma tecnologia de saúde, é essencial, verificar se ela pode atender a todos e não apenas aos atletas de alto rendimento”

Gil Rodas, responsável médico do Barça Innovation Hub; Guy Paul Nohra, da Alta Life Sciences; e Daniel Medina, gerente do Athlete Care & Performance do Monumental Basketball em Washington, tiveram um diálogo moderado por Lluis Quintana, onde debateram sobre o conceito de biotecnologia no esporte, seus avanços mais importantes e as possibilidades de desenvolvimento que existem para o futuro próximo.

Medina, após sua experiência na NBA, acredita que a biotecnologia deve ser entendida como uma tecnologia para o aperfeiçoamento humano. Uma aplicação em que convergem técnicas como nanotecnologia, biotecnologia, as ciências cognitivas, entre outras. No esporte haveria três campos fundamentais nos quais poderia se desenvolver: no tratamento de lesões, no rendimento dos jogadores e no aprimoramento de suas habilidades.

No caso das lesões seria especialmente mais urgente. Medina disse que não é segredo que a cada dia elas são mais frequentes. Nestes meses de pandemia, de fato, também houve um aumento. Na Premier, para citar um caso, houve 42% mais lesões musculares do que na temporada anterior. A biotecnologia forneceria ferramentas para uma melhor prevenção e reabilitação, especialmente em competições como a NBA, onde os tempos de recuperação são muito curtos.

Mencionou também o caso de um hidrogel à base de algas, vegetais e frutas que permite uma melhor absorção dos carboidratos nos períodos de recuperação. Também destacou o surgimento de fragmentos que servem como biomarcadores para detectar graus de fadiga. Da mesma forma, existem camisetas que já detectam o calor corporal e podem ser moduladas automaticamente para reter ou liberar mais calor.

Além disso, ressaltou que um tripé, um iPhone e um aplicativo de gravação de jogadas, que ajuda a corrigir defeitos de lançamento já deveria ser considerado um caso de biotecnologia. Como o desenvolvimento das chuteiras. Falou sobre alguns impressos com Rapid liquid printer que poderiam funcionar como chuteiras desenhados sob medida e também como curativos para lesões.

Rodas ressaltou que é no campo da medicina regenerativa que se esperam mais avanços. Principalmente na área de biomarcadores para que seja possível calcular a possibilidade de lesão por acúmulo de carga ou fadiga. Deve-se levar em conta que a própria UEFA já notificou sobre o aumento da incidência de lesões. Possivelmente porque a intensidade do jogo está aumentando, afirmou. Isso é algo que não pode ser controlado, mas é possível controlar outros fatores. Os tendões e os músculos são o principal objetivo dos 70 projetos de pesquisa que estão sendo desenvolvidos, por ser a maior incidência das lesões. Considerar a medicina regenerativa com o tratamento biológico é o próximo desafio para as lesões esportivas.

Por outro lado, a chave, explicou, é poder monitorar tudo o que rodeia o atleta. A grama, a nutrição, a hidratação, as análises, o sono, a fadiga, o estresse, as condições climáticas, a poluição etc. É muito útil ter tudo isso registrado porque pode influenciar seu rendimento. No caso das equipes femininas, deve-se adicionar a ginecologia e o controle dos hormônios. Nesse ponto, entende que o esporte feminino exige mais empenho e uma abordagem diferente, pois é preciso medir indicadores que, obviamente, são diferentes.

Quintana apontou as tendinopatias e a osteoartrite como os dois problemas mais graves. Apresentou um projeto sobre o tendão de Aquiles e os tratamentos restauradores com colágeno e outros produtos que serviriam como implantes. Este projeto é desenvolvido com recursos da União Europeia e conta com a participação do Barça Innovarion Hub. A vantagem seria poder desenhar um produto adequado para cada tipo de lesão, não administrar a mesma terapia para todas as doenças daquele tendão. O objetivo, novamente, seria aumentar a eficácia dos índices de recuperação e reduzir os limites de tempo.

Finalmente, Nohra deu seu ponto de vista como investidor nesse tipo de pesquisas. Segundo ele, o que mais importa é a regulamentação legal dos novos tratamentos e seu alcance. É muito importante que tenham como alvo toda a população e não apenas um nicho de mercado de atletas de alto rendimento, pois são processos que exigem muito tempo e dinheiro.

“Agora os patrocinadores estão se envolvendo com clubes que podem contar suas histórias e não apenas colocar seus nomes na camiseta”

A rápida evolução do conteúdo esportivo foi tema de debate em uma reunião entre Ameeth Sankaran, CEO da Religion of Sports; Tom Thiriwall, CEO da Copa90; e Paco Latorre, diretor do Barça Studios; moderado por Nikhil Bahel, da Elysian Park Ventures.

O grande impacto gerado no campo do entretenimento nos últimos anos é, segundo Paco Latorre, o que de mais interessante já aconteceu no cenário midiático. Agora, a competição pode estar em uma plataforma como o Tik Tok até em um videogame. A questão é que uma entidade esportiva não está mais olhando apenas para o que outras entidades esportivas fazem. Antigamente, no futebol o foco era apenas o que acontecia durante noventa minutos, mas agora tudo o que acontece fora do jogo está se tornando cada vez mais importante.

Em relação às retransmissões, devemos nos concentrar em melhorar a experiência da segunda tela, explicou ele. O caminho a ser trilhado nos próximos anos será o de definir um conteúdo voltado ao tipo de dispositivo ao qual será destinado e o público a ser atingido. “Já passou o tempo em que tudo era sobre nós, agora o importante é o que o público quer, o que realmente quer consumir”, disse.

Sankaran disse que descobriu que, em qualquer meio, nos últimos três ou quatro anos já não é mais suficiente ter acesso a um jogador estrela, porque eles já têm suas plataformas para falar com o público de forma direta. Por isso, em um contexto tão saturado e com jogadores de futebol que atingiram uma dimensão de astros, a estratégia da sua empresa é mostrar as facetas mais humanas e reais destas estrelas do futebol. Contar histórias que nunca antes foram contadas sobre eles.

Quanto à publicidade, Thriwall garantiu que também está em mudança. Agora, os anunciantes também desejam fidelizar os espectadores em longo prazo. Já não se pensa mais em termos de anúncios de 30 ou 60 segundos. Agora, são produzidos conteúdos para apoiar causas específicas, por exemplo, o futebol feminino. Eles têm que fazer, pois são as exigências das novas gerações, concluiu. Latorre concordou neste ponto. Adicionou: “Agora os patrocinadores estão se envolvendo com clubes que podem contar suas histórias e não apenas colocar seus nomes na camiseta”. Não é possível vender anúncios às novas gerações, continuou Sankaran, é por isso que está se desenvolvendo um novo tipo de relacionamento entre as histórias e a publicidade.

Outra mudança significativa entre essas novas alianças é a estabelecida pela Copa90 com os torcedores e leitores, disse Thriwall. Que fomenta conteúdos propostos a ele ou sugeridos por torcedores de todo o mundo, que contemplam desde uma reportagem sobre um time de transgêneros mexicanos até a história de como o futebol no Ártico ajuda a preservar a saúde mental de seus habitantes. Com a pandemia, ele citou o exemplo dos seguidores de Bérgamo, que contaram em seu site como seu clube, o Atalanta, tem ajudado a população. O leitor tornou-se jornalista e vice-versa. A prova do bom funcionamento de seu modelo, é que um de suas curtas foi indicado ao Oscar.

“O grande desafio da análise de dados e de conseguir fazê-lo em tempo real”

Susana Ferreras, analista de dados do Arsenal FC, apresentou uma análise de fases do jogo nas ligas europeias na temporada 2019-20. Um ano problemático devido aos contratempos, interrupções e condições especiais que as competições sofreram devido à pandemia.

A análise abrangeu 135 times, os melhores da Premier League inglesa, La Liga espanhola, Bundesliga alemã, Ligue 1 francesa, Série A italiana, Liga de Portugal e Eredivisie dos Países Baixos. Um total de 41 times e 2.047 jogos.

A análise da elite europeia, por fases de jogo, começou pela defesa. Análise de quais times usaram de alta pressão (high block) e quais esperavam o adversário (low block). Na primeira categoria apareceram, nesta ordem: Bayern de Munique, Manchester City, Borussia Mönchengladbach, Wolfsburg, Liverpool, Bayer Leverkusen e Borussia Dortmund. Um domínio completo do futebol alemão e, em segundo lugar, do inglês. Com relação aos times que mais se defenderam com todos os jogadores em sua metade de campo para explorar o contra-ataque, o resultado foi: Valencia, Arsenal, Atlético de Madrid, Inter de Milan, Lazio, Tottenham e Athletic de Bilbao.

As ligas onde se defende com mais pressão (high block) é na Bundesliga, como já foi demonstrado, seguida de La Liga e da Ligue 1. É mais comum agrupar-se atrás na Premier, Série A e, novamente, La Liga.

No ataque, os times que atacam com a posse como fundamento (build up) são: FC Barcelona, PSG, Borussia Dortmund, Bayer Leverkusen, Bayer Munique, Manchester City e Nápoles. Enquanto os que atacam por transições rápidas, agressivas, são: Ajax, Lazio, Monaco, Liverpool, PSG – o que mostra sua versatilidade por estarem em duas categorias -, Real Madrid e Borussia Mönchengladbach.

Nos campeonatos onde se ataca com posse de bola, na Ligue 1, depois na Bundesliga e na Série A. Enquanto com rápidas transições a Bundesliga aparece novamente em primeiro lugar, a Eredivisie em segundo, seguida pela Ligue1.

Este tipo de análise permite examinar jogadores em diferentes modelos e medir seu desempenho. Porém, o grande desafio é conseguir obter essas informações em tempo real para as transmissões e, principalmente, poder reagir quando for possível identificar como um rival é mais eficaz.

“A análise de dados no futebol deve evoluir para a criação de ambientes simulados”

Bruno Dagnino, cofundador da CTO Sports, apresentou um estudo elaborado com Juan Carlos Núñez sobre modelos matemáticos aplicados ao futebol para simular contextos. Ele começou sua apresentação com uma revisão dos últimos anos de análise matemática sobre o futebol. Vimos uma revolução na captação de dados e nas análises, que permitiram estabelecer modelos de medição, como o controle de campo, a expectativa de posse e as possibilidades de marcar o gol. Agora, se propõe a dar um passo adiante e avançar para a simulação.

Simulando jogos poderíamos propor um número infinito de situações, como no xadrez, testar táticas e comparar diferentes modelos. Para isso, foi desenvolvido um simulador de futebol, neste caso foi usado o Google Research Football Environment e seu Kaggle IA soccer competition. Capazes de combinar diferentes variáveis por jogador: retomada, passe ou jogada, e diferentes direções para executá-los; utilizando um modelo de controle do campo de jogo, posse de bola e expectativa de gol.

Os passes tinham variáveis sobre distância ou em curto espaço e as jogadas para gol também seriam determinadas pela distância do chute e do goleiro, de acordo com a eficácia média. No total, são dezenove ações que visam que um jogador com a bola esteja na melhor posição possível para fazer um gol.

Trata-se de introduzir os algoritmos para que o simulador aprenda por repetição. No entanto, o futebol é uma tarefa extremamente complexa, o que torna o desenvolvimento de um bot particularmente difícil. Dagnino participou do desafio do Manchester City nesta plataforma, que consiste em alimentar uma Inteligência Artificial enfrentando os bots contra os bots.

Os resultados obtidos no momento desta apresentação levaram-no a alcançar a posição 13 entre 813 competidores, introduzindo variáveis comuns na análise de dados. A tecnologia ainda está em uma fase inicial de desenvolvimento, mas no futuro poderá servir, entre muitas funções, para criar jogos mais realistas com possíveis aplicações também em competição real.

“A palavra treinador é correta, mas eu prefiro formador”

O atual treinador das divisões de base do Valencia, ex-Atlético de Madrid e com experiência internacional em países como Grécia e Qatar, Óscar Fernández, manteve um diálogo com Isaac Guerrero sobre a filosofia dos seus métodos de treinamento. Uma abordagem formativa mantém tanto com jogadores jovens que estão começando, como os atletas de alto rendimento, porque entende que todos precisam de instrução de igual forma.

Para Fernández, o jogador é o grande protagonista do jogo. Cada um deles é um projeto e a missão do treinador é fazer todo o possível para que se concretize a vitória. Quando se chega aos times, a primeira coisa que faz é uma entrevista com todo os atletas para pesquisar o fundamental: o jogador conhece a si mesmo? A partir daí, começa um caminho que deve terminar em um jogador autônomo, criativo, espontâneo e responsável.

Não é a favor de modelos pré-determinados, mas sim de jogadores que se adaptem a qualquer situação independentemente do estilo, pois cada clube em que ele for será um membro será diferente. Quando Fernández vê que, por exemplo, tem um jogador que é um driblador extraordinário, ele prefere trabalhar na criação de situações em que o jogador consiga driblar. Ele quer que todos os seus jogadores sejam facilitadores, para promover o desenvolvimento do conjunto.

Quando trabalha com as divisões de base, explica que é sempre importante ganhar, mas nestas etapas primárias da carreira dos jogadores o sucesso é muito relativo. Sua aprendizagem é o mais importante. Um sucesso do qual se orgulha é que os jogadores das categorias de base do Atlético de Madrid, embora não tenham alcançado a tão esperada promoção, a maioria deles atingiu a elite individualmente.

Seu sistema de treinamento é baseado na divisão do campo em dezesseis quadrantes. É importante para ele que o jogador de futebol conheça sua zona e, a partir dela, compreenda a dos outros. Ele é mais a favor de estruturas do que de esquemas. Afinal, concluiu, que tudo se resume a crescer. Momento em que citou a máxima de Juan Carlos Unzué: “O jogador que pula você é aquele que sabe dizer onde está o homem livre”.

Outra lição que aprendeu ao longo dos anos é que no futebol de rua já existiam todos os exercícios que se trabalhavam profissionalmente, e as crianças que jogavam tinham desenvolvido eles de forma instintiva. Algo que demonstra a pedra angular do seu sistema: afinal, é o jogador que determina a identidade do jogo.

“Nos últimos anos, houve um aumento da massa muscular e uma minimização da massa gorda nos jogadores”

Francis Holway, nutricionista com mais de 20 anos de experiência no mundo do alto rendimento, analisou a importância da estrutura corporal no futebol atual, como ela pode ser medida e as decisões que podem ser tomadas com base nos dados obtidos. Segundo Holway, “a estrutura corporal não é o principal determinante do rendimento no futebol, mas se o jogador tiver uma boa estrutura, isso pode ajudá-lo a melhorar seu rendimento”. Nos últimos anos houve uma evolução em que os jogadores de futebol aumentaram sua massa muscular e minimizaram a massa gorda. Além disso, essa mudança na estrutura corporal tem sido associada às demandas exigidas nos jogos, onde os jogadores percorriam 9 quilômetros na década de 1970, e agora, para mais de 13 quilômetros.

Devido à sua relevância, detalhou as diferentes metodologias que podem ser utilizadas para avaliar a estrutura corporal, observando que “na maioria dos contextos, precisamos de uma metodologia de avaliação rápida, prática, barata e transportável como a antropometria”. Embora existam métodos mais precisos como o DXA, seu alto preço e baixa portabilidade tornam a antropometria a principal ferramenta de medição no dia a dia das equipes. Nesse caso, a soma das dobras pode auxiliar a equipe técnica a avaliar a quantidade de gordura subcutânea. Holway explicou que a referência geralmente usada em jogadores de futebol é de 50 milímetros. “Os jogadores de futebol de alto rendimento devem ter um valor de dobra inferior a 50 mm, como valor de referência. A tendência atual chega a se aproximar de 40 mm”. Embora controlar a quantidade de gordura seja importante, comentou que a tentativa desesperada de alguns jogadores de minimizar a gordura corporal por meio de uma ingestão calórica muito reduzida pode aumentar o risco de lesões e de infecções respiratórias.

Na última parte de sua apresentação, detalhou como classifica os jogadores relacionando a soma das dobras e a relação músculo/osso em quatro quadrantes, o que lhe permite realizar estratégias nutricionais e de exercícios com base no perfil dos atletas.

Por sua parte, a Dra. Maria Antonia Lizarraga e a nutricionista Mireia Porta, integrantes do departamento médico do FC Barcelona, explicaram como o clube realiza a análise da estrutura corporal dos jogadores. Como Holway, destacaram a evolução da massa muscular dos jogadores. De acordo com a Dra. Lizarraga, “existe uma tendência no futebol atual que os jogadores diminuem seu percentual de gordura não por causa da perda de massa gorda, mas por causa do aumento da massa muscular”. Por isso, explicaram que “na avaliação da estrutura corporal não devemos focar apenas no percentual de gordura, já que a massa muscular no futebol é altamente relevante”.

Devido à importância da massa muscular, o clube utiliza índices de funcionalidade obtidos a partir de medidas da estrutura corporal que permite comparar uns jogadores com outros. Desta forma, eles podem avaliar o índice de massa muscular e verificar, por exemplo, a evolução ao longo de uma temporada. Um aspecto importante que eles enfatizam é que o objetivo das avaliações da estrutura corporal é educar o atleta e a equipe nos processos de treinamento e nutrição. Para isso, utilizam relatórios nos quais mostram os diferentes parâmetros por meio de cores como um semáforo, facilitando a interpretação do corpo técnico e dos próprios jogadores. O monitoramento da estrutura corporal e uma análise adequada de seus dados podem ajudar a melhorar o rendimento dos atletas.

O modelo de Return to play do FC Barcelona para as tendinopatias do tendão de Aquiles

Xavier Linde, fisioterapeuta do FC Barcelona, apresentou como o clube conduz o Return to play nos jogadores com tendinopatias de Aquiles. Devido ao fato de que, na maioria dos casos, os jogadores com problemas de tendinopatia continuam treinando com o restante da equipe, “o mais importante nesses casos é controlar a carga do jogador enquanto ainda continua com o desconforto”, afirmou Linde. Caso o jogador tenha que interromper sua atividade habitual, Linde abordou de forma prática todos os passos dados pelo clube para recuperar o atleta.

O núcleo em que é baseado este processo é o exercício físico, sempre aplicado de forma progressiva. Em uma primeira fase são realizados exercícios isométricos, que produzem mecanismos de analgesia e permitem que o tendão suporte uma carga de trabalho maior no futuro. À medida que o jogador adquire resistência ao estresse na área lesionada, são incorporados exercícios excêntricos com o objetivo de diminuir a dor e gerar adaptações na estrutura do tendão. Depois, o jogador passa a realizar um trabalho funcional dinâmico que visa melhorar os padrões de coordenação e transferência de força, além de hipertrofiar os músculos que circundam o tendão de Aquiles para ajudá-lo a absorver as vibrações. Nas últimas etapas do return to play, já no campo, o jogador realiza exercícios na areia, em declives ou em circuitos, que exigem maior controle motor e cognitivo. Um detalhe importante que Linde destacou é a necessidade de avaliar a dor do jogador periodicamente, a cada 10-15 dias, sempre em uma data distante do jogo, pois pode atrapalhar o resultado do monitoramento.

Por sua vez, Scott Epsley, fisioterapeuta, reabilitador físico e consultor de lesões em atletas de alto rendimento, analisou o impacto das rupturas do tendão de Aquiles em jogadores da NBA e da NFL. Um aspecto relevante é que, embora não existam muitas lesões deste tipo, na maioria dos casos quando os jogadores retornam, o seu rendimento diminui de forma significativa. Além disso, se o jogador lesionado tiver mais de 30 anos ou estiver jogando na liga há 10 anos, as chances de jogar novamente tornam-se mais difíceis.

Em relação à avaliação das tendinopatias de Aquiles, Epsley expressou a necessidade de avaliar a força do sóleo, gastrocnêmio e flexores dos dedos. Por outro lado, segundo o fisioterapeuta, o calçado dos jogadores deve ser examinado na hora de avaliar a lesão. “Devemos considerar as características do calçado dos jogadores e sua possível contribuição para o desenvolvimento de tendinopatias no tendão de Aquiles”. Por último, como outros especialistas expressaram, para Epsley, o pilar fundamental do tratamento da tendinopatia deve ser o exercício e o controle de sua carga.

Análise cinética e cinemática da corrida aplicada ao tratamento de lesões nos isquiotibiais

Nesta apresentação, o professor JB Morin, da Universidade de Saint-Etienne, fala sobre a importância das variáveis cinéticas (aplicação de forças) e cinemática (movimento de segmentos) durante a corrida e sua relação com o risco de lesões. Apesar de serem tradicionalmente requeridos, sistemas complexos e caros para a medição das variáveis cinéticas (como, por exemplo, as plataformas de força) e cinemática (câmeras infravermelhas) de corrida. Hoje, temos testes de campo simples que nos permitem estimar a força, velocidade e potência exercida pelo atleta, bem como sistemas de registro e programas de análise de baixo custo (por exemplo, Kinovea) que nos permitem avaliar a cinética do movimento de forma simples.

Como comenta o Dr. Morin, os isquiotibiais desempenham um papel fundamental durante o sprint sendo altamente ativados no final da fase de balanço da perna. De fato, o sprint ser o exercício que mais ativa os isquiotibiais, portanto outras atividades, como os exercícios de força podem não ser suficientes para treinar esse grupo muscular o suficiente para diminuir o risco de lesão. Assim, o sprint se apresenta como uma “vacina” contra as lesões de isquiotibiais.

Além disso, o Dr. Morin discute o papel da análise cinética e cinemática durante o sprint no gerenciamento das lesões. Por exemplo, os atletas que retornam para competir mostraram em muitas ocasiões um déficit de força horizontal e potência durante o sprint, apesar de terem valores de velocidade máxima semelhantes aos dos atletas não lesionados. Portanto, pode ser aconselhável esperar para recuperar esses valores de força e potência antes de retornar à competição. Embora os baixos níveis de força horizontal possam ser potencialmente considerados um fator de risco para lesão dos isquiotibiais, isso seria apenas mais uma peça do quebra-cabeça, já que outros fatores, como os cinemáticos, também podem aumentar o risco de lesão. Assim, o Dr. Morin apresenta evidências sobre associações entre as variáveis cinemáticas durante a corrida (especificamente sobre a posição da pelve) e um maior risco de lesão, uma vez que, uma maior oscilação vertical da corrida pode afetar o comprimento dos músculos isquiotibiais.

Por último, o Dr. Morin termina falando sobre as possíveis linhas de pesquisa no futuro. Ele comenta que nos próximos anos poderemos estimar as forças no tendão durante a corrida, bem como estimar as variáveis força-velocidade instantaneamente durante o jogo (e não só durante um teste) graças à análise dos dados obtidos com GPS.

Dor inguinal com origem nos adutores: passos a seguir desde o diagnóstico até o retorno à competição

Telmo Firmino, fisioterapeuta do Benfica FC, fala sobre dor inguinal com origem nos adutores. Os adutores são a principal fonte de dor inguinal, respondendo por 50% dessas lesões. Deve ser feito um diagnóstico correto, pois também pode estar associada a dores nos músculos psoas, inguinais ou púbis.

Nesta apresentação, Firmino nos mostra o processo seguido no Benfica FC para o correto manejo da dor inguinal associada aos adutores. Tratar os fatores de risco para essa lesão (incluindo fraqueza muscular do quadril ou do core, bem como lesões anteriores) e, a seguir, sobre as estratégias para sua avaliação e reabilitação. Dentro da avaliação, Firmino comenta sobre a importância da análise multifatorial desta patologia. Incluindo análise postural, palpação manual, análise da estabilidade lombo-pélvica, da mobilidade do quadril, teste de compressão para avaliação da dor e da força, equilíbrio com o star excursion test e presença de lesões prévias.

Além disso, esta apresentação mostra o processo de intervenção com os jogadores que apresentam dor inguinal associada aos adutores. Em uma primeira fase, cujo objetivo principal é reduzir a dor, a aplicação de gelo pode ser útil se a patologia for aguda, incluindo estratégias como eletroterapia, terapia manual, liberação miofascial, ativação do abdome transverso e contrações isométricas. Na segunda fase, cujo objetivo principal será reduzir o déficit de força para <15% entre a perna afetada e a não afetada, além da terapia manual, podem ser incluídos exercícios para os músculos glúteos e centrais, além de exercícios com faixas elásticas e exercício aeróbico sem carga (pedalada de bicicleta, alterG, aquaterapia). A terceira fase inclui exercícios de fortalecimento funcional (por exemplo, exercícios multiarticulares, slide board skating, exercícios de equilíbrio) e pode começar a ser incluída a corrida. Um dos objetivos desta fase será correr sem dor, além de evitar ao máximo o déficit de força na perna afetada. Finalmente, na última fase deve-se conseguir que não haja dor em exercícios de adução com grandes amplitudes articulares, bem como melhorar a capacidade para trabalhar tanto excêntrica quanto concentricamente. Podem ser incluídos exercícios mais complexos como corrida progressiva, sprints no slide board e exercícios de transição excêntrico-concêntrica para os adutores. No retorno à competição, uma progressão deve ser feita tanto da frequência quanto da magnitude das acelerações e desacelerações, das mudanças de direção (aumentando, por exemplo, de 45 a 180º), e aumentar progressivamente a quantidade de conteúdo técnico-tático (volume de passes). Em última análise, para permitir o retorno à competição, progredindo o volume de treinamento da equipe de 30 para 90 minutos, participar em pelo menos 1-3 semanas de treinamento completas e garantir que o atleta seja capaz de completar acelerações, desacelerações e esforços explosivos ao nível requerido da competição.

 

 

 

 

 

 

 

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