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December 4, 2020

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“O treinador do futuro será como o diretor de uma empresa, mas empregado em um clube de futebol”

Sua etapa no Arsenal foi extraordinária e o Arsenal foi extraordinário com ele, mantendo-o em seu posto durante dezoito anos. Arsene Wenger foi um treinador pioneiro e visionário em sua época. Seus times já davam sinais do que seria o futebol do futuro. Agora, já aposentado, ele explicou quais são as características que os treinadores do futuro têm que conhecer e como devem fazer uso da tecnologia.

Ele antecipou que os próximos treinadores atuarão como diretores de uma empresa, com uma grande equipe técnica composta por médicos, analistas, fisioterapeutas e especialistas em dados, embora sejam apenas um funcionário do clube. E quando for necessário trocar de time, o treinador irá embora com toda a sua equipe. Algo que acontecerá também com os jogadores, que terão suas equipes de conselheiros, assessores, médicos etc. Equipes trabalhando como equipe, explicou.

No entanto, Wenger defende um futebol que mantenha as essências apostando nas divisões de base. As categorias de base dos grandes clubes devem ser prioridade com ou sem COVID, opinou. “As etapas de maior sucesso de equipes como o FC Barcelona ou o Manchester United estão ligadas às suas divisões de base”. E considera que o mais importante de um clube é a sua identidade, o jogador que tem que se adaptar aos seus valores e não o contrário.

Sobre a ciência, ele lembrou que em sua época era muito difícil obter informação e hoje ele é ofertado em excesso. O treinador atual deve ser um especialista em análise de dados. Foi pedido que os novos treinadores tenham a mente aberta e procurem entender tudo o que acontece e, para isso, só há um caminho: a ciência.

O problema com tanta informação é que ela pode não alcançar os jogadores sem uma filtragem. Eles têm atenção limitada e muitas preocupações, revelou. Nesse caso, é importante que o treinador seja claro e simples em suas instruções. A esta altura, ele confessou que o segredo de um bom treinador é dar aos jogadores informações que os tornem melhores jogadores. Esse é o desejo dele, que os jogadores sejam capazes de entender as instruções do treinador para poderem obedecer.

Antecipando o futuro, ele acredita que a expansão da ciência de dados logo será acompanhada pela da realidade virtual. A capacidade de introduzir o jogador em uma realidade aumentada em 3D, de um jogo e chegar ao momento específico da tomada de decisão, para analisar sob as mesmas condições em que ocorreu será um grande avanço.

Os treinadores ficam obcecados por descobrir o que faz as equipes ganharem e o que faz elas perderem. É por isso que o uso da ciência de dados é bom, pois é usada para descobrir o que aconteceu e prever o que pode acontecer. No seu caso, ele a usou para medir quantas vezes os jogadores olharam ao seu redor nos dez segundos antes de receber uma bola. Descobriu que os melhores jogadores da Premier faziam isso entre 6 e 8 vezes. Os bons, de 4 a 6. No entanto, depois descobriu que um jogador como Xavi Hernández fazia isso 8,3 vezes.

Quanto à situação atual, ele mostrou preocupação. Se a FIFA tornou público que dos 45 bilhões de dólares que o futebol mundial movimenta, com a pandemia foram perdidos 15.000, ele teme que essa queda na receita possa fazer que “os ricos sigam seu caminho e os fracos desapareçam”. Mesmo assim, a COVID, em sua opinião, deixou uma grande lição para todos que trabalham neste esporte: “Sem fãs, não somos ninguém”. Sem público, a intensidade emocional em torno do jogo desapareceu.

“Quando Guardiola e a seleção impuseram o seu jogo, o resto imitou o sucesso e o futebol evoluiu”

Todos os profissionais do futebol evoluem com ele. Essa é a máxima de Carlos Corberán, treinador do Huddersfield Town, profissional com vasta experiência internacional que trabalhou ao lado de Marcelo Bielsa no Leeds United. A virada no futebol moderno ocorreu com os sucessos de Pep Guardiola no FC Barcelona e os da seleção espanhola.

Foi a partir daí que se espalhou a ideia de começar a jogar na retranca, com uma saída de bola com dois centrais à frente e um goleiro fazendo passe curto. Os times tentaram imitar o sucesso de Pep e aí a Espanha revolucionou o futebol. Neste momento, é difícil convencer um jogador espanhol de que tem que sair de uma forma menos arriscada.

A questão é como jogar agora que tantos modelos desse tipo se espalharam, principalmente na Inglaterra, com times que jogam na retranca e levam muitos jogadores ao campo adversário para pressionar ou fazer pressão após desarme. A chave, segundo Corberán, é fazer o jogador se sentir menos pressionado. Embora existam aqueles que, sendo pressionados, não se sintam assim e saibam como agir nessas ocasiões em que estão rodeados de adversários, devemos trabalhar coletivamente para que todos sintam que tem o mesmo nas situações adversas. Na Inglaterra, é normal que seja colocado no setor ofensivo pelo menos um atacante a menos que os centrais que estão levando a bola.

Para trabalhar com uma equipe que tenha recursos para superar a pressão, Corberán afirma que até os menores detalhes devem ser treinados. Na verdade, quando uma tarefa é simplificada, é mais visível tudo aquilo que deve ser aperfeiçoado. Defende a honestidade com os jogadores: “É necessário falar sinceramente com o jogador, mesmo que ele se chateie e não goste de ouvir”.

Quanto à posse, ele explicou que é preciso estar centrado na desmarcação. Os passes, se não desmarcarmos, acabam sendo previsíveis. Se não há jogadores com grandes habilidades em desarme, é preciso trabalhar estes movimentos para conseguir eliminar os adversários. Com a desmarcação há possibilidades diretas e, nos espaços distantes da bola, indiretas. É por isso que ele quer que seus ataques sejam uma ideia coletiva. Seu segredo é, primeiro, tentar que todos os jogadores entendam o ataque, a defesa e os trânsitos da mesma forma e depois fazê-la no campo, que é o que realmente é mais complicado.

“Fazer a análise de dados para todas as categorias de futebol vai melhorar o jogo em todos os níveis e otimizar o scouting”

Albert Mundet entrevistou Rubén Saavedra, cofundador e CEO da Metrica Sports e doutor em Neurociências, sobre um dos grandes problemas que a revolução da análise de dados trouxe: sua inacessibilidade. Para equipes de segunda divisão, categorias de base e amadoras não é viável obter a tecnologia que permite análises confiáveis sobre seu rendimento. No entanto, Saavedra explicou que essa é a condição necessária para promover uma melhoria do jogo para todos os níveis.

Existe uma lacuna entre os clubes capazes de fazer análises com alta tecnologia e aqueles que só podem fazer uso do vídeo. A empresa de Saavedra, Metrica Sports, se propôs democratizar o acesso à ciência de dados. Dentro dessa estratégia, até desenhou ferramentas de acesso gratuito que permitem que essas análises sejam realizadas.

A empresa trabalha com o futebol de alto rendimento desde 2014. Seu produto é um software que permite processar os jogos, alimentar um banco de dados automaticamente e fazer uma apresentação que inclui playlists das sequências com as quais que deseje trabalhar naquele momento. O produto é mais caro quando devem ser inseridos dados manualmente, como a identificação do jogador e as variáveis. E também, se forem solicitados dados personalizados sobre ações específicas.

Para trazer toda essa tecnologia da elite aos times de base, Saavedra explicou que seria fundamental o uso de suas câmeras, o que sem um certo investimento seria impossível. Por isso, através da Inteligência Artificial foi criado um software que pode entender o jogo através de qualquer vídeo. Esse pequeno avanço faz com que a análise das equipes profissionais se aproxime das equipes menores. É um quid pro quo. Enquanto ajuda as equipes menores a melhorar seu rendimento, ajuda as grandes a otimizar o scouting.

Um clube da primeira divisão, atualmente, pode pagar cerca de cem mil euros por ano para obter os seus dados. O modelo SAAS que oferece às equipes intermediárias e das categorias de base é o mesmo produto com apenas algumas limitações, com um custo entre 1.500 e 5.000 euros. Desta forma, a análise de dados está alcançando as academias de futebol nos Estados Unidos ou em países como Marrocos. No entanto, seu objetivo é atingir inclusive jogadores amadores. Para isso, foi elaborado um free plan, sem custo, que também permite codificar e analisar vídeo.

Sobre esta questão, Mundet perguntou-lhe como é monetizado um serviço que é oferecido gratuitamente. Saavedra respondeu que o ganho é a aprendizagem. Assim como sua empresa aproveitou o trabalho com a primeira divisão para estudar suas demandas e necessidades para desenvolver um produto adequado, agora fariam o mesmo, mas com os times de base. Ao identificar o que é necessário nestas categorias, o plano é definir uma série de pacotes de pagamentos em uma faixa não superior a 1.500 euros, que permitam o seu objetivo final: que todos possam ter acesso a uma solução possível.

A arte da visualização dos dados

O Dr. Dan Weaving, professor de Rendimento Universidade de Leeds Beckett e científico esportivo no clube Leeds Rhinos Rugby League Club, fez uma apresentação sobre a importância do gerenciamento e do processamento de dados. Em um mundo em que estamos sobrecarregados de informação e apenas temos tempo para assimilá-la, segundo Weaving, “o desafio é como traduzir estes dados quase de imediato para que a equipe técnica possa tomar decisões da melhor forma possível”.

Diante desse problema, o pesquisador destacou que “uma das áreas mais importantes de seu trabalho é como representar dados para quem toma decisões. Deve-se considerar que estes, geralmente, não possuem conhecimentos matemáticos ou estatísticos. As informações devem ser visualizadas de forma que possam ser assimiladas e facilitem na tomada de decisões”. Por isso, em conjunto com outros pesquisadores, desenvolveu um modelo que permite sintetizar um grande número de variáveis por quadrantes e gráficos de dispersão sem perder informações. Por exemplo, eles podem comparar a carga interna e externa de cada jogador em um único gráfico. Dependendo do quadrante em que o jogador se encontra, os treinadores sabem rapidamente qual a carga de trabalho que a sessão de treinamento colocou sobre cada jogador. Como Weaving explica, “em modelos criados no Google Data Studio, podemos identificar cada jogador e rastrear a pontuação composta pela carga de treinamento ao longo do tempo. Da mesma forma, podemos realizar uma categorização da força e potência dos jogadores em um quadrante e conhecer quais têm níveis de força e potência mais elevados e compará-los entre si”.

Essa metodologia os está ajudando a acelerar os processos de identificação de talentos nas categorias de base da equipe inglesa de rugby. Ele explicou que medindo diferentes parâmetros físicos, fisiológicos e de desempenho, é possível classificar os futuros atletas de forma simples e compará-los instantaneamente.

Em suma, o objetivo da pesquisa de Weaving é sintetizar intuitivamente uma grande quantidade de dados em uma única visualização para acelerar a tomada de decisões no treinamento diário.

“Os jogos são guardados na memória, pelas estatísticas ou pelo vídeo, o VR permite reproduzir cada jogada da forma mais confiável”

A ascensão da análise de dados tem um objetivo fundamental: que os clubes de futebol tomem mais decisões com base na ciência e confiem menos na intuição. No entanto, em cada jogo são gerados tantos dados que nunca são totalmente aproveitados. São dados que correm o risco de ser só isso: dados. Para coletar todos da forma mais visual e sintética possível, Andrés Samano, cofundador da Colstats, preparou um artigo, em conjunto com o Centro de Inovação Tecnológica da Liga MX. Uma comparação do estudo de imagens em Realidade Virtual (VR) com outros formatos.

O objetivo é que o usuário – treinadores ou jogadores – não perca tempo analisando dados ou decifrando informações e invista toda sua energia para entender o jogo com o máximo de informações possível. Hoje, a ferramenta virtual permite recriar as jogadas tal como aconteceram e possibilita a análise profunda das probabilidades, ou seja, o que também poderia ter acontecido. Além de permitir ver a jogada a partir dos olhos do jogador que está no campo.

A comparação foi feita com Alfonso Sosa, um dos treinadores mexicanos de maior sucesso. Ele viu o mesmo jogo no vídeo, duas dimensões e realidade virtual. Apenas com o VR ele percebeu que um jogador deveria estar dois metros deslocado à sua esquerda para manter o domínio de zona de seu time. A visualização, em duas cores, azul e vermelho, indicaria com precisão as áreas do campo dominadas por cada equipe.

O VR já foi utilizado na Copa do Mundo 2018 para analisar os jogos na televisão mexicana. Sua grande vantagem é que é compatível com todos os adventos técnicos que podem ser produzidos neste campo. Outra vantagem para o futuro deste aplicativo está no arquivo do que já aconteceu nos campos de jogo. Até agora, dependia-se da memória, das estatísticas ou do vídeo. O VR seria uma quarta opção que permite reviver cada jogada da maneira mais confiável possível.

Diálogos entre futebol e handebol

Anselmo Ruiz, analista de dados de futebol e handebol, propôs uma comparação dos dados que podem ser obtidos em cada esporte para diferenciar aqueles que são incompatíveis e exclusivos e aqueles que podem nos ajudar a ter uma nova perspectiva se forem cruzados.

Até agora, o desafio de comparar os dois esportes têm sido delinear o conceito de posse. No futebol existem muitas fases em que a posse de bola não pode ser considerada, como em jogadas confusas do jogo, por exemplo, ou em um escanteio.

Desta forma, no handebol há uma média de 51 posses por jogo, entre 49 e 53, e no futebol, 83, entre 80 e 84, se eliminarmos os momentos mencionados. Esses dados são essenciais para poder calcular posteriormente a eficácia de cada posse, como se faz no handebol, explicou.

Curiosamente, ao avaliar cada ataque, no futebol a média de chutes de gol com um goleiro acabando em um gol é de 30%. No handebol, é exatamente o contrário. 70% dos lançamentos com goleiro acabam em gol. Isso produz dados sobre a taxa de sucesso em cada esporte muito desiguais. De 51% no handebol e de 1,5 no futebol.

Ao analisar essa eficácia, encontramos que no jogo posicional, a eficácia do futebol é de 1,4% contra 48% no handebol. No contra-ataque, passaria de 2,5% no futebol, e 61% no handebol. Em suma, a probabilidade de marcar um gol no jogo é de 1,3% no futebol e 49% no handebol. Um fato que serve de contraste são as jogadas de bola parada, onde a relação se inverte. No futebol a probabilidade de gols sobe para 3,8% e no handebol cai para 45%.

Com esse tipo de comparação, o futebol pode aprender com o handebol ao apresentar os dados de jogo por meio da eficácia da posse de bola, além de classificar os tipos de circulação da bola, os procedimentos táticos durante uma posse e dividir os esquemas de jogo em defensivos e ofensivos.

O return to play do Barça para a tendinopatia patelar

Javier Ruiz, fisioterapeuta da equipe de basquetebol do FC Barcelona, expõe a importância da tendinopatia patelar no esporte. Sendo especialmente relevante em esportes que incluem inúmeras acelerações, desacelerações e saltos como o voleibol e o basquetebol. Na verdade, as tendinopatias são responsáveis por aproximadamente uma em cada três lesões no basquete, e 30% delas requerem entre 3 e 14 dias sem competir.

Javier Ruiz mostra como o FC Barcelona enfrenta o processo de retorno à competição (return to play) de jogadores com tendinopatia patelar. Embora controlar a carga de treinamento possa ser suficiente para jogadores com sintomas leves, mas que ainda conseguem competir, nos jogadores mais afetados é necessário planejar um processo de reabilitação individualizado. Pode-se começar incluindo exercícios isométricos (mantendo cada contração entre 15-45 segundos) variando a angulação da articulação, com o objetivo principal de produzir uma sensação de analgesia. Esses exercícios devem progredir para exercícios excêntricos, que serão os mais eficazes em médio e longo prazo. Você deve começar com exercícios realizados em baixa velocidade (por exemplo, com contrações de 4 segundos) e com ambas as pernas, e progredir para velocidades mais rápidas e exercícios unilaterais. Essa progressão terminará com exercícios realizados em altíssima velocidade, incluindo exercícios pliométricos. Junto com o uso de exercícios mais funcionais que podem incluir ações específicas, uso de máquinas isoinerciais e exercícios de areia para reduzir em certa medida a tensão musculotendinosa. Javier Ruiz nos mostra como eles usam a restrição do fluxo sanguíneo tanto para prevenir a atrofia muscular quanto para induzir melhorias potenciais no tendão ao trabalhar com cargas baixas (<40% RM), e destaca a importância do controle motor e exercícios complementares (por exemplo: Core work) junto com fortalecimento para reduzir a incidência de lesões e melhorar sua recuperação.

Javier Ruiz explica como controlar o retorno à competição, avaliando a evolução da tendinopatia por meio de escalas específicas (VISA-G) e a força muscular por meio da dinamometria, e controlando as cargas de treinamento nas últimas fases da reabilitação para garantir que sejam semelhantes às dos jogadores integro, para que o atleta esteja preparado para retornar à competição.

Avanços no diagnóstico e recuperação das tendinopatias

Neste quarto dia de medicina contamos com diversos médicos especialistas que nos falam sobre a recuperação das tendinopatias e, especificamente, sobre o potencial das técnicas de imagem para a sua prevenção ou diagnóstico.

O Dr. Carles Pedret, especialista em ultrassom e assessor de diversas equipes esportivas de alto rendimento, falou sobre as possibilidades dessa técnica no tratamento das tendinopatias. Embora as mudanças estruturais por si só aumentem o risco de tendinopatia, elas não devem ser consideradas fatores de risco isoladamente, mas podem fornecer informações relevantes quando avaliadas em conjunto com outras variáveis clínicas ou a carga de trabalho. Dr. Pedret apresentou diversos exemplos práticos, das variáveis que devemos colocar o foco ao analisar um tendão usando ultrassom para diagnosticar o risco ou presença de tendinopatia.

Por outro lado, a Dra. Sandra Mechó, radiologista do FC Barcelona, abordou a questão de como a ressonância magnética pode nos ajudar no diagnóstico e tratamento das tendinopatias. Após explicar as características fisiológicas do tendão e as diferenças entre tendinite (entendida como dor e perda de força) e tendinose (alterações morfológicas de relevância clínica incerta), a Dra. Mechó apresentou diversas variáveis que permitem o diagnóstico de uma tendinopatia. Apresentou o estudo de caso de um jogador do FC Barcelona que tinha alterações morfológicas do tendão antes de um jogo, e concluiu que as técnicas de imagem não devem ser utilizadas isoladamente para decidir se um jogador deve ser poupado, mas devem ser utilizadas em conjunto com outras variáveis e pode ser de grande ajuda no monitoramento do jogador durante sua recuperação.

Por último, o Dr. Seth O’Neill, professor da Universidade de Leicester, nos falou sobre os avanços futuros na pesquisa da tendinopatia e sobre as questões que ainda precisam ser resolvidas. O Dr. O’Neill começou destacando a importância de um fator esquecido na tendinopatia, como os aspectos psicossociais, uma vez que os pacientes com mais medos ou maior preocupação com sua lesão tendem a ter um prognóstico pior. Além de progredir nas cargas de trabalho, a educação do paciente sobre sua lesão e o trabalho psicológico adequado devem ter papel fundamental na recuperação dos atletas. O Dr. O’Neill também falou sobre a necessidade de investigar as diferenças interindividuais na patogênese das tendinopatias e no seu tratamento (em vez de atender apenas às médias grupais). Tanto os processos degenerativos quanto os inflamatórios podem contribuir parcialmente para o desenvolvimento da tendinopatia, variando sua importância dependendo do indivíduo. Os tratamentos ideais podem variar individualmente, mas são necessárias mais pesquisas para determinar o tratamento ideal para cada atleta, dependendo de suas características e das propriedades de seu tendão.

Novas perspectivas da microbiota oral e intestinal e do jejum sobre o rendimento esportivo

Nesta jornada de nutrição contamos com o Dr. Francisco Javier Santos, médico do Departamento de Gastroenterologia do Hospital Vall d’Hebron;e o Dr. Antonio Paoli, diretor do laboratório de fisiologia do exercício e nutrição da Universidade de Padova.

 

O Dr. Francisco Javier Santos focou no microbioma intestinal, explicando a importância de apresentar uma grande diversidade de bactérias e uma boa funcionalidade para ter uma microbiota “saudável” e apresentou quais fatores podem modulá-la. Comentou o Dr. Santos, ainda desconhecemos até 60% dos fatores que podem afetar a microbioma intestinal. Porém, sabemos que, além da genética, outros fatores como alimentação e exercícios podem modulá-la. E seguiu falando sobre a relação entre a microbioma e o exercício. Estudos recentes que mostram que o exercício físico é capaz de melhorar a diversidade e funcionalidade das bactérias presentes em nosso intestino, e como essas melhorias na microbioma podem se traduzir em melhorias no rendimento esportivo. Comentou sobre as evidências existentes da eficácia de suplementos como probióticos ou transplantes fecais para melhorar o microbioma.

Já o Dr. Antonio Paoli falou sobre um tipo de jejum e sua relação com o rendimento e a saúde dos esportistas. Especificamente, ele analisou o chamado jejum restrito no tempo ou TRF, pela sigla em inglês, que consiste em reduzir a janela de alimentação para algumas horas e jejuar o resto do dia. Nesse caso, o mais utilizado é o protocolo 8-16, em que a pessoa se alimenta por um período de 8 horas – geralmente de manhã para sincronizar nossos relógios moleculares com os ritmos circadianos – e jejua o resto do dia.

De acordo com estudos apresentados pelo Dr. Paoli, o TRF poderia ajudar os atletas a melhorar sua composição corporal e diferentes marcadores inflamatórios. Além disso, um dado relevante é que esse tipo de jejum, se combinado com o treinamento, não parece afetar o rendimento, em suas pesquisas foi observado que os atletas que realizaram esse jejum tiveram rendimento semelhante aos que comeram ad libitum. Outro aspecto que o pesquisador comenta é que, como foi visto em um estudo realizado com ciclistas de alto rendimento, o jejum pode atenuar a deterioração do sistema imunológico durante um período de alta carga de treinamento. Embora as evidências ainda sejam limitadas, esses resultados sugerem que encurtar a janela de alimentação poderia melhorar a composição corporal e reduzir a inflamação dos atletas sem prejudicar seu rendimento.

 

 

 

 

 

BIHUB Team

 

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