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4 December, 2020

Sports Tomorrow – Dia 3

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“Sempre nos perguntamos por que ninguém investiu no futebol feminino, com o potencial que ele tinha”

Steve Gera conversou com Julie Uhrman e Julie Foudy, as cofundadoras do clube de futebol feminino de Los Angeles, Angel City FC. Lançado em julho deste ano, o projeto pretende começar a jogar na WSL, a liga americana de futebol feminino, em 2022. A iniciativa teve muita presença na mídia porque foi patrocinada por celebridades como Natalie Portman, Serena Williams e Eva Longoria.

Foudy e Uhrman admitiram que é muito difícil gerar as mesmas paixões pelo futebol nos Estados Unidos e na Europa. Não só por ser um esporte com menos tradição, mas também não existem grandes clubes que tenham gerações de torcedores. Nos Estados Unidos, você não consegue ser torcedor do time do seu avô.

Fundar um clube neste momento permite que isso seja feito de uma forma diferente. De acordo com Uhrman, o Angel City estará intimamente relacionado com sua comunidade. Eles queriam começar algo que vai além do futebol. Na verdade, dez por cento da arrecadação será revertida para a comunidade em programas de responsabilidade social. A igualdade e a educação estão entre seus objetivos, assim como ganhar títulos. Elas não ficarão satisfeitas apenas em jogar futebol e oferecer entretenimento, sua ideia é criar uma marca com Angel City.

Esportivamente também têm planos abrangentes e de longo prazo, uma situação não interfere na outra. O principal fundamento do clube é que o futebol feminino seja mais popular. Não é algo complicado, as jogadoras são conhecidas, têm seguidores nas redes sociais, há um bom nível futebolístico, só faltam investimentos como o que elas fizeram. O lado positivo, explicou Foudy, é que assim que foi divulgada a notícia da inauguração do clube, receberam muitos telefonemas de outras cidades que queriam fazer o mesmo.

O problema com os esportes femininos nos Estados Unidos, nos últimos vinte anos, é que receberam apenas picos de atenção, continuou explicando Foudy. Antes dos Jogos Olímpicos ou da Copa do Mundo Feminina, tinham uma boa torcida, mas depois destas competições sempre caía. Os investidores reclamaram que eles estavam colocando o dinheiro, mas o número de fãs não estava crescendo. Agora tudo mudou e é o momento ideal para investir. Uma nova era começou. Além do mais, as jogadoras de futebol sempre se perguntaram por que não se desenvolvia mais o potencial que esse esporte tinha. Nesta altura, valorou os esforços feitos por times como o Barça ou o Chelsea, porque têm servido de exemplo e referência para outras pessoas.

“Blockchain será importante para transformar fãs em fãs 2.0, na nova geração de torcedores”

Sunny Lu, CEO e cofundador da VeChain; Alexander Dreyfus, CEO da partners.com; e Marty Bell, da Rakuten Blockchain Lab, falaram sobre as possibilidades do Blockchain no âmbito esportivo. Trata-se de uma tecnologia que pode marcar a inter-relação de empresas com seus clientes em um futuro próximo e também de clubes esportivos com seus torcedores. Não seria mais apenas oferecer conteúdo aos torcedores, mas incluí-los no projeto. Eles se tornariam parte do clube.

O torcedor do futuro é um desafio para os grandes clubes. É global, com culturas muito diferentes, mas todos são torcedores de um mesmo time. Dreyfus explicou que, atualmente, é muito difícil definir como é o perfil de um torcedor de um clube de futebol. São os que vão ao estádio ou os que se comportam como seguidores no Twitter? Para transformar todos esses fãs em superfãs do futuro, o Blockchain pode ser a ferramenta fundamental, opinou ele, já que permitiria estabelecer a figura unificada do torcedor oficial.

Dreyfus também destacou que no dia que o FC Barcelona lançou alguns tokens, foram vendidos em poucos minutos e apenas 5% o fizeram da Espanha. Havia mais demanda na China. De fato, só neste país há mais torcedores “culés” do que em todo o mundo.

O Blockchain é uma tecnologia pouco conhecida e difícil de entender, embora não tenha elementos particularmente novos. A questão é que não pode ser usado isoladamente, precisa estar sempre associado a outros negócios, por isso demorou tanto para ser desenvolvido. Para preencher essa lacuna com os usuários, Sunny Lu tem se mostrado otimista. Ele acredita que os governos já estavam cientes que a digitalização deveria ser mais rápida, especialmente agora com a pandemia.

Para Marty Bell, a grande importância do Blockchain em relação com as empresas está em sua capacidade de desenvolvimento de novas startups. Ele apresentou o exemplo uma empresa emergente com a qual colaborou que através de um sistema de tracking permitia um uso inteligente dos edifícios para evitar a COVID. Algo que, reclamou, poderia ter sido implementado rapidamente para os estádios.

“Podemos prever o comportamento dos atacantes e defensores em um corner”

Laurie Shaw, da universidade de Harvard, apresentou um estudo sobre os escanteios. Depois de analisar milhares de corners, chegou à conclusão de que ainda há muito trabalho a ser feito, tanto na estratégia ofensiva como na defensiva deste tipo de jogada. Apontaram as estatísticas das primeiras divisões europeias. Em Portugal, onde trabalhou com o Benfica, após 3.082 corners, apenas foram marcados 45 gols. Um acerto de 1,5%. O coeficiente da Bundesliga foi de 1,9%, e na liga espanhola de apenas 0,8%.

Analisando lances de escanteio com uma tecnologia de tracking, que lhe permitiu capturar o movimento de cada jogador 25 vezes por segundo, estudou como trabalham as equipes, as corridas simultâneas dos atacantes e os padrões que se repetem em suas estratégias. Com a medição de seu comportamento dois segundos antes do lance e um após a primeira interação com a bola, seu objetivo foi conseguir antecipar onde o adversário colocaria a bola ao lançar, como iriam reagir os jogadores e quais são os sistemas defensivos mais vulneráveis. Um estudo futuro desta pesquisa, tentará identificar as estratégias de ataque mais eficazes.

Defensivamente, sua conclusão é que um sistema híbrido, que alterna a marcação do homem e da zona, concede chutes a gol em maior proporção do que os sistemas homogêneos, ou seja, com todos marcando na zona ou com a marcação homem a homem. Quanto ao ataque, com a informação já disponível, através dos padrões detectados, os analistas de um clube podem começar a encontrar vulnerabilidades nos sistemas defensivos do adversário e antecipar o que vão fazer em um corner.

 

“No futebol de hoje, o jogador exige que o treinador entenda os motivos de suas decisões”

Ex-jogadora e treinadora com experiência internacional e atualmente analista da FIFA, Patricia González explicou as fontes que utiliza para conseguir que uma equipe obtenha sua própria identidade de jogo. Algo que seria atingido em campo, mas que também está condicionado por fatores externos, além dos meramente táticos e técnicos. Por exemplo, a cultura da sociedade em que nos encontramos pode ser crucial para otimizar o jogo de uma equipe.

Sua passagem pelo Azerbaijão, onde trabalhou nas categorias de base, definiu sua forma de entender o jogo. Como revelou, ali descobriu que a cultura era mais autoritária e hierárquica e teve que aprender, mesmo não sendo essa sua personalidade e formação na Espanha. Detalhes como levar as bolas, se neste país isso era feito pelo treinador, ela não o fazer era um desgaste. E teve que cuidar desses simbolismos para que os jogadores a respeitassem.

Por isso, González considera que a peculiaridade do lugar onde se treina, de uma perspectiva macro, é o primeiro ponto que se deve levar em conta antes de estabelecer um sistema de jogo. Posteriormente, seriam avaliadas as oportunidades de treinamento oferecidas pela competição e as características da equipe disponível.

Nesse ponto, considera que o futebol mudou, já não é tão rígido. Quando ela jogava, aprendeu com muitos treinadores o que um atleta não gosta. Muitas coisas foram feitas apenas fazer por se fazer, sem que houvesse uma explicação. As jogadoras atuais, em sua opinião, exigem saber os porquês e as explicações de cada jogada tática para melhorar constantemente.

A partir daí, ela confia no comportamento natural da jogadora. De fato, o esquema aplicado deve permitir obter o melhor de cada uma delas, mas defende a cultura do passe como um modelo bem estabelecido na Espanha. Quando saiu, pôde verificar que não se compreende bem em que isso consiste. A fama dos treinadores espanhóis é de que são a favor do passe pelo passe, mas para ela, o passe é um recurso e uma forma de comunicação, é algo muito mais profundo. Ele envolve um timing, deve-se levar em conta a perna dominante, onde está o adversário e todo o sistema, em geral, tem uma complexidade importante além do tópico do tiki-taka.

Receitas úteis para os atletas

Visto que um dos objetivos deste congresso é levar a teoria à prática, nesta edição do Sports Tomorrow contou com a presença de chefs que apresentam receitas associadas aos diferentes temas abordados. Neste caso, a Dra. Maria Antonia Lizarraga e a nutricionista Mireia Porta nos ensinam diversas receitas que podem ser úteis para os esportistas.

Para começar, a Dra. Lizarraga mostra receitas ricas em nitratos, como gaspacho de beterraba, uma batida gelada de manga e banana, um smoothie salgado de rúcula, uma gelatina de espinafre e maçã, uma gelatina de beterraba, tartar de beterraba ou um gaspacho de beterraba e tomate, que pode ser combinado com suplementos de beterraba para atingir os valores ideais de nitrato (500 mg). Além disso, são mostrados exemplos de dietas com baixo FODMAP, que reduzem a gravidade dos sintomas gastrointestinais. Como comenta a Dra. Lizarraga, as dietas com baixo FODMAP vão além do glúten, e são especialmente aconselháveis no dia da competição e no anterior a ela. Algumas receitas como pudim de tapioca com leite de coco, creme de batata doce assada acompanhado de pão de trigo sarraceno, ou abóbora com pesto e quinoa. Por último, foca-se nas dietas vegetarianas, cada vez mais procuradas e que requerem atenção especial, pois devem levar em consideração a importância da vitamina B12, das proteínas e do ômega 3. Algumas receitas mostradas são o creme de amêndoa, que pode ser enriquecido com proteína de amêndoa seca, ou quinoa assada com tempeh.

Mireia Porta destaca a importância da alimentação durante o período de afastamento social devido à COVID-19 no FC Barcelona. Comenta como foram feitas as recomendações por meio de livros e portfólios, principalmente para os jogadores mais jovens, para que aprendam sobre nutrição e saibam quais alimentos podem fortalecer suas defesas. O departamento de nutrição criou 85 receitas, uma para cada dia de quarentena, onde explicava como era sua elaboração e os benefícios de cada receita, e foi ensinado aos jogadores como comprar de forma saudável, explicando-lhes como entender os rótulos e quais aspectos ver.

O chef da equipe principal, Adrià Ponce, comenta sua visão sobre como a pandemia influenciou a atividade dos chefs dos times de alto rendimento, desde a preocupação com a baixa disponibilidade de certos produtos, até os problemas causados pelo afastamento de colaboradores. Também destaca como o interesse e a consciência dos atletas cresceram para aprender mais sobre como a nutrição afeta sua saúde e, especificamente, suas defesas.

Suplementação com nitrato para melhorar o desempenho

 Andrew Jones, professor de fisiologia da Universidade de Exeter, fez uma apresentação onde analisou o impacto dos nitratos no desempenho, desde as bases fisiológicas até uma proposta prática para as equipes esportivas. O óxido nítrico é muito importante em nossa fisiologia, pois é uma molécula que sinaliza um grande número de funções em nosso organismo, principalmente aquelas relacionadas aos processos vasculares, melhorando o fluxo sanguíneo e a agregação plaquetária. A suplementação de nitrato é muito interessante, pois este se converte, por meio de uma série de reações em nosso organismo, em óxido nítrico, aumentando sua biodisponibilidade. Jones destacou que os alimentos ricos em nitratos são, sobretudo, vegetais de folhas verdes, como alface, rúcula, repolho, espinafre ou a beterraba.

Esta última é um dos alimentos mais utilizados como ajuda ergogênica, já que no formato de suco a quantidade de nitratos que é suplementada aos atletas pode ser controlada com precisão. Jones apontou que suas investigações são realizadas com esta bebida usando também um placebo que tem o mesmo sabor e cor do suco de beterraba, mas que cujos nitritos foram eliminados. Dessa forma, podem conduzir suas investigações sem vieses.

Quando é melhor fazer a suplementação?

Jones explicou que o nitrato que consumimos na dieta é convertido em nitrito em um passo importante antes de se converter em óxido nítrico. O pico máximo de nitrito ocorre em torno de 4 horas após sua ingestão, devido ao processo não imediato realizado pelas bactérias da boca. Os benefícios mais importantes no rendimento são vistos quando o nitrato é consumido aproximadamente duas horas antes da competição. Tempo necessário para as bactérias converter em nitrito e ele circular até o músculo.

Um dado interessante que Jones comenta é a importância da microbiota oral na produção do óxido nítrico. Ele mostrou estudos em que os antissépticos ou antibióticos reduzem a conversão em nitrito ao eliminar as bactérias da boca, o que diminui a disponibilidade de óxido nítrico no sangue. Por outro lado, como as melhorias de rendimento parecem ser semelhantes entre nitratos de sais e sucos naturais, de acordo com Jones, “sempre que possível, é importante usar alimentos naturais em vez de depender de agentes farmacológicos na hora de suplementar os nitratos”.

Suplementação com nitratos e melhoria de rendimento

Em relação ao rendimento, Jones mostrou estudos em que a suplementação com nitrato pode melhorar a eficiência muscular em 3-5%. Por exemplo, essa melhora metabólica induzida pelos nitratos poderia reduzir o tempo de um contra-relógio de 16 km em 2,8%.

Em relação aos esportes de equipe, ele mostrou estudos nos quais o suco de beterraba pode melhorar o rendimento no teste de YoYo em 3-4% ou no sprint. Portanto, como sugere Jones, “os esportes baseados no exercício intermitente de alta intensidade, como o futebol, é possível se beneficiar da suplementação com nitratos”. Um fato muito interessante é que estudos recentes mostram que a suplementação com nitratos poderia melhorar o rendimento cognitivo e a tomada de decisão nos jogos.

“A perspectiva de sistemas complexos aplicada ao estudo de um time de futebol mostra seu jogo como um coletivo”

No futebol, em geral, costuma-se observar as estatísticas de cada jogador. No entanto, estas não podem ser compreendidas efetivamente sem um contexto. Javier Martín Buldú, do Center For Biomedical Technology de Madri, apresentou um projeto que desenvolveu com La Liga, ESADE e a Fundação IFISC & ARADIF, para aplicar a análise de sistemas complexos aos clubes de futebol.

Um sistema complexo é aquele cujas partes estão inter-relacionadas e não podem ser estudadas separadamente, começou explicando. O exemplo paradigmático seria o cérebro humano com seus oitenta bilhões de neurônios. Seu caso pode ser comparado ao deste jogo. Não basta apenas prestar atenção ao neurônio para entender o funcionamento do cérebro, o mesmo ocorre com os jogadores e suas equipes.

Para estudar um time de futebol da perspectiva de sistemas complexos, é necessário estabelecer vínculos entre os elementos e os jogadores. Um exemplo seria o passe, uma soma de todos aqueles que ocorrem durante um jogo e estabelece uma rede. Sua apresentação em um único gráfico está se tornando cada vez mais comum na análise de dados das equipes.

Seu projeto vai além. A partir dos dados de acompanhamento da posição dos jogadores e da bola, consistiu em tentar identificar outros tipos de interações, de ligações entre os elos, que ocorrem entre os jogadores. Uma variável, por exemplo, seria a proximidade de um adversário. Se um companheiro estivesse próximo, seria um vínculo positivo. Se for um adversário, negativo.

Esta informação processada tem múltiplas utilidades no estudo do jogo. É possível observar em um gráfico rapidamente a oposição defensiva que cada jogador de um time encontra durante o jogo. Também é possível estudar algo mais complexo como os movimentos coordenados entre jogadores, analisando o alinhamento dos vetores que mostram a velocidade de seus movimentos no campo. Finalmente, de uma perspectiva espacial, o movimento da bola por diferentes áreas do campo também pode ser analisado para ler por onde transcorreu o jogo, se olharmos sua passagem de quadrante a quadrante. Isso nos permitiria ver qual é a área de campo mais importante para uma equipe ou qual é aquela pela qual melhor ataca ou consegue fazer as transições com sucesso.

Como é realizada a recuperação de uma tendinopatia nos esportes de alto rendimento e populares?

O fisioterapeuta Xavier Linde, do FC Barcelona, apresentou como o clube lida com as tendinopatias de Aquiles, explicando como utilizam o exercício dinâmico isométrico, excêntrico e funcional durante o processo de return to play. Além disso, explicou quais são os benefícios de treinar na areia ou de rampas antes de voltar ao ritmo normal de treinamentos. Falou sobre como o clube monitora a evolução das tendinopatias durante todas as fases da recuperação, desde a lesão dos atletas até o retorno ao campo de jogo.

A dor nem sempre se correlaciona com a força suportada pelo tendão

Por sua vez, Igor Sancho, pesquisador e fisioterapeuta, falou sobre os problemas de tendão que têm os atletas populares e como a sua recuperação pode ser realizada. Destacou que as tendinopatias do tendão de Aquiles são uma das lesões mais frequentes entre os corredores, em parte devido a erros no treinamento ou a uma gestão inadequada da carga. Destacando que o gerenciamento da carga de treinamento e sua aplicação progressiva podem auxiliar no processo de recuperação.

Em consonância com isso, apresentou resultados de sua pesquisa mostrando como o tendão de Aquiles suporta uma carga diferente dependendo do tipo de exercício realizado. E propôs uma classificação de 4 níveis de exercícios que poderiam ser usados progressivamente ao longo de um programa de reabilitação. Um dado importante que foi destacado, que os clínicos não devem levar em consideração apenas a dor nos processos de recuperação, uma vez que nem sempre se correlaciona com a força suportada pelo tendão de Aquiles.

Otimização do diagnóstico e recuperação das tendinopatias

Nesta segunda sessão de Medicina contamos com os doutores Sean Docking, Ebanie Rio e Craig Purdam, que tratam do tema das tendinopatias desde o diagnóstico até o tratamento.

O Dr. Docking, pesquisador da La Trobe University, fala sobre as limitações das técnicas de imagem por si só. O retorno à normalidade estrutural não deve ser o fim dos processos de reabilitação. O objetivo deve ser a recuperação funcional. Na verdade, pode haver uma recuperação funcional sem uma completa recuperação do tendão em nível estrutural. Além disso, comenta como, embora as anormalidades estruturais possam representar um risco maior de tendinopatia, tentar avaliar toda uma equipe por meio de técnicas de imagem para descobrir quais apresentam maior risco seria de pouca utilidade do ponto de vista prático. A Dra. Ebonie Rio falou sobre o diagnóstico e as características clínicas das tedinopatias e como elas podem ser diferenciadas de outras patologias como irritações peritendíneas, rupturas tendíneas ou bursais. Finalmente, o Dr. Craig Purdam aborda a associação entre cargas de trabalho e tendinopatia. Sobre as diferentes cargas que podem afetar o tendão e a importância não só da carga, mas também do ratio de carga (a velocidade com que essas cargas são aplicadas) para o desenho ideal dos programas de prevenção e reabilitação de tendinopatias.

Exercícios excêntricos para melhorar o rendimento e reduzir o dano muscular

Ken Nosaka, diretor de Ciências do Esporte e do Exercício na Universidade de Edith Cowan, falou sobre as adaptações que o exercício excêntrico produz, bem como sua transferência para o rendimento e a prevenção do dano muscular.

Apontando que uma das principais características do exercício excêntrico é que podemos produzir mais força do que o exercício concêntrico. Explicou que quando fazemos um curl de bíceps, podemos levantar cerca de 38% a mais de peso na fase excêntrica do que na concêntrica. Outra peculiaridade desse tipo de exercício é que requer uma menor demanda metabólica, ou seja, se fizermos o mesmo trabalho para um movimento concêntrico e um excêntrico, este último requer a metade de oxigênio que o primeiro. Se dois atletas estiverem pedalando com o mesmo consumo de oxigênio, aquele que realiza o ciclo excêntrico pode gerar até 3-4 vezes mais de trabalho. Outra peculiaridade do exercício excêntrico é que a demanda cognitiva é maior. E exemplificou: se descermos escadas – que é um movimento excêntrico – devemos prestar mais atenção do que quando as subimos.

Por outro lado, em uma análise do dano muscular induzido pelo exercício, ele explicou que as alterações histológicas não representam necessariamente “sintomas” de dano muscular. Não necessariamente sentir muitas dores musculares, significa ter danos musculares. Em sua opinião o melhor indicador de dano muscular é a força ou função muscular, afirmando que “é necessário avaliar a função muscular para entender ou detectar o dano muscular”.

Em relação ao possível dano muscular induzido pelo exercício excêntrico, Nosaka explicou que a progressão do exercício confere um efeito protetor contra o dano muscular. Isso explica por que os atletas são menos suscetíveis a danos musculares induzidos por exercícios excêntricos. Devido às suas características metabólicas e mecânicas, indicou que o exercício excêntrico possivelmente seja a melhor estratégia para prevenir o dano muscular após um jogo ou uma semana com elevada carga de treinamento. Como, por exemplo, o futebol requer um período de 3-4 dias para uma recuperação completa da função muscular, um programa de exercícios excêntricos pode melhorar a recuperação e o desempenho aumentando a velocidade, a força e a agilidade.

 

 

 

 

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