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June 30, 2021

Nutrição

Somos Aquilo que Vestimos?

O que você acha de começarmos por algo divertido? Uma brincadeira divertida. Responda quem souber: Qual a semelhança entre um agricultor australiano, um jogador de futebol europeu e uma programadora americana?

A estas alturas todos nós deveríamos ser conscientes do verdadeiro problema que ameaça a nossa espécie. As mudanças climáticas. Neste documento daremos um enfoque especial e diferente sobre este período de quarentena e restrições que existe mais disciplina e força no panorama mundial.

Ao completarmos um ano de pandemia nossos hábitos mudaram muito. Permanecemos entorno de 35% mais dentro de casa. Isso nos afeta profundamente e também afeta nosso ritmo de vida, inclusive nas coisas mais corriqueiras do dia a dia. Um dos hábitos que mais influência sofreu com a pandemia foi justamente a forma como nos vestimos.

O “Active-Wear” e o “Lounge-Wear” (Roupas esportivas e informais) são duas tendências que predominam o mundo da moda atualmente. São elementos usados para dar mais destaque à saúde e ao bem-estar. Esta ideia envolve diferentes conceitos sobre roupas “Esportivo-casual”, moda e esportes que atualmente estão superunidos.

A indústria da moda de acordo com os novos padrões

As marcas de roupas esportivas lideram a tendência de compras atuais neste departamento, dando assim um giro importante nas tendências da moda. A Nike, por exemplo, supera o valor de mercado da Gucci e da Louis Vuitton. Entretanto, durante as celebrações do Dia da Terra e da Conferência do Clima, a indústria da moda volta a estar no centro das atenções. De acordo com a ONU, a indústria da moda é a segunda maior do planeta: geram mais emissões de carbono que todos os voos e transportes marítimos internacionais juntos” Estas declarações foram proferidas em 2019, momento em que a situação de pandemia era totalmente impensada. Atualmente, com a grande demanda do comércio eletrônico e a tendência de uso de roupas esportivo-casuais é improvável que a situação tenha melhorado.

Não nos esqueçamos da brincadeira proposta no começo do texto. John é um agricultor que administra a indústria láctea na Austrália. Oscar é um atleta de futebol e membro da equipe principal da Espanha. Marta é programadora e trabalha em home office para uma empresa de tecnologia em Los Angeles. O que os une é a água.

O futuro da água

As mudanças climáticas são um problema de todos nós. Existem diversas formas de falar sobre esse assunto e uma delas é muito importante, pois em poucos anos enfrentaremos escassez de água em todo o mundo. Para compreender a gravidade deste problema, existem países que já estão se colocando como uma “máquina do tempo”, como se estivéssemos vivendo daqui há 50 anos.

A Austrália conta atualmente com uma bolsa de valores para a água, e cotiza como se fosse petróleo ou ouro. Os agricultores compram água e podem vender o que sobra. Pode parecer um bom sistema, justamente para um dos países mais secos do mundo, com clima extremo e escassez de água cada vez maior, o que eleva seu preço a cifra estratosféricas entre 500 mil e 2 milhões de dólares anuais, dependendo do valor de mercado na Austrália.

O valor é pré-fixado em função de variantes tais como demanda, clima em tempo real e previsões meteorológicas. Um algoritmo ajusta os valores em tempo real, como se fosse petróleo ou ouro.

A água, portanto, tem um valor expressivo e passa a ser um bem atrativo para os mercados financeiros. De fato, a água recentemente começou sua comercialização na bolsa de valores de Wall Street. Este fator marca tendência futura. A água será, sem dúvidas, um bem escasso e com alto valor quando o clima do planeta enfrentar com mais evidências os efeitos do aquecimento global.

O empreendimento de John, agricultor australiano nesta brincadeira proposta no começo do texto depende exclusivamente da variação do preço da água, influenciada diretamente pelo clima e pelo consumo.

A indústria da moda e a água

De acordo com uma pesquisa realizada pela FSU (Florida State Univesity), a indústria da moda é a segunda que mais consome água no mundo, ou seja, são aproximadamente 79 bilhões de metros cúbicos de água por ano.

Alguns especialistas sinalizam que a indústria da moda deve sofrer alterações expressivas para minimizar o impacto ao meio ambiente que a moda gera. Recentemente, foi publicada uma pesquisa na prestigiosa revista Nature sobre o custo ambiental que a indústria da moda gera. “Trata-se de um problema global”, afirma a Dra. Patsy Perry, coautora da pesquisa realizada pela Universidade de Manchester na Inglaterra.

Uma das conclusões da pesquisa é a de prevenção da escassez de água necessária para uma mudança de mentalidade global em relação ao consumo, especialmente de produtos que necessitam maiores volumes de água para sua produção.

Novos desafios para marcas de roupas esportivas

As marcas de roupas esportivas estão liderando as tendências que atuam sobre a moda atual. São mais conscientes sobre o impacto que a indústria causa no meio ambiente e demonstram isso através de processos que envolvem inovação e programas de conscientização globais.

A Adidas, por exemplo, está apostando na produção de modelos clássicos como as “Stan Smith”, mas como grandes novidades. Os tênis que são produzidos com couro de micélio.

Esta tecnologia pode ser considerada como o futuro do couro sintético na moda. A Nike promove com evidência programas como o “Road to Zero”, com a introdução de novidades tecnológicas nos tênis produzidos com produtos reciclados, e também realiza eventos e desafios com o objetivo de conscientizar a população.

Marcas menos conhecidas como a Vollebak, utilizam tecnologia espacial e militar para criar tecidos que permitam a construção de peças com alto desempenho que “superem o tempo de uso” e a durabilidade.

A Adidas lançou recentemente um programa experimental com o objetivo de explorar os conceitos de “ter” equipamentos esportivos que realmente necessitamos durante nossa vida ao propor alternativas de aluguel ou reciclagem deles. Só necessitamos focalizar melhor nossas experiências, desenvolver e selecionar quais equipamentos serão solicitados, pois eles enviarão para sua residência e assim que não quiser mais, dentro do prazo estabelecido, eles retirarão em domicílio.

As marcas como The North Face desenvolveram neste período plataformas que hoje conhecemos como equipamentos seminovos, com o objetivo de conscientizar o processo de reciclagem e consumo sustentável.

A Patagonia desenvolveu “Worn Wear”, uma iniciativa para manter suas roupas por mais tempo em uso e desta forma reduzir o impacto ambiental, promovendo a conscientização da população sobre consumo responsável.

Esses são alguns exemplos de como as marcas esportivas estão explorando e liderando a indústria do futuro para que se torne mais sustentável e que os clientes sejam mais conscientes do impacto que eles podem gerar ao meio ambiente.

Entre moda e esporte estão as marcas casuais. Uma delas é a Nudie Jeans, que oferece aos seus clientes consertos de roupas sem custo nas suas lojas, cursos on-line sobre preservação, conservação e conserto de jeans, produtos reciclados e o forte compromisso com um futuro mais sustentável.

Liderança com atitude

Neste documento comentamos sobre como a, Nike ganhou valor de mercado superando a Gucci e a LV e tornando-se a marca com maior valor de mercado. Isso é um começo e ainda precisamos de mais tempo para definir como as marcas de roupas esportivas se modernizarão e transformarão a indústria. Mas, o que podemos ganhar com tudo isso?

Vejamos quatro oportunidades potenciais desta mudança de lideranças.

  1. O mundo dos esportes tem diversas facetas, mas está contribuindo com os valores de companheirismo, justiça e superação. Valores que não são superficiais e que estão associados ao mundo da moda. Valores estes transmitidos a todos através da forma e do jeito como os atletas se vestem e como influenciam e sensibilizam a milhares de pessoas.
  2. Os programas de reciclagem para cada nova temporada, todos os equipamentos requerem de inovação para futuras temporadas, servem como exemplo para fãs e torcedores de produtos que a Nike está desenvolvendo.
  3. A realização da criação de programas para o aluguel de materiais esportivos e equipamentos seminovos ou até mesmo novos por empresas, representam grandes oportunidades de conscientizar, aumentar a vida útil dos produtos e criar novas linhas de negócios como as que a Adidas, a The North Face ou a Patagonia estão desenvolvendo.
  4. Reciclar produtos de um clube ou de uma entidade esportiva e produzir camisetas ou outros materiais esportivos é uma grande oportunidade para reduzir o impacto ao meio ambiente e a emissão de carbono e também influenciar com o intuito de educar a toda a população.

Se pudermos aprender com base em uma situação como esta que estamos atravessando, o mundo será mais interconectado do que imaginamos, uma ação que acontece do outro lado do mundo pode afetar a todos muito rapidamente. O exemplo disso é a pandemia.

Para entender melhor este efeito há três personagens na introdução deste texto. Uma pessoa capaz de influenciar a milhares de seguidores como o Oscar, um atleta profissional de futebol que defende causas ambientais e a redução de consumo, o terceiro personagem que é a programadora de Los Angeles que decidirá comprar um produto amigável com o meio ambiente ou mesmo reciclado e outro convencional que usará somente se estiver na moda.

Este comportamento acaba afetando de maneira global o desenvolvimento de novos produtos, linhas de produção, redes de produção e consequentemente o primeiro personagem deste texto, John, o agricultor australiano que não pode arcar com os custos da água que sua fazenda necessita.

Uma pequena ação pode criar grandes mudanças, pois todos temos a possibilidade de influenciar e colaborar com a recondução de indústrias que contribuem para um futuro melhor, mais sustentável e que oferecerá melhores condições de vida para todos nós.

 

Oliver Henares

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