11 March, 2019

SERÃO OS JOGOS REDUZIDOS A SOLUÇÃO PARA TODOS OS NOSSOS PROBLEMAS?

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Uma das temáticas que está a suscitar muito interesse entre os investigadores e técnicos desportivos é o estudo dos cenários de máxima exigência ou “worst case scenarios”. Nos últimos anos, têm surgido estudos que descrevem as exigências da competição em diferentes desportos tendo em conta estes momentos de atividade máxima (Martín-García et al., 2018). Mais recentemente, a revista internacional Journal of Strength and Conditioning Research publicou um artigo cujos autores comparam a atividade destes cenários de máxima exigência da competição com as exigências médias de duas tarefas de treino bastante comuns no treino atual: situações de 4 vs. 4 num espaço de 39 x 39 m (152 m2por jogador) e situações de 6 vs. 6 num espaço de 47 x 43 m (144 m2por jogador), mais guarda-redes em ambas as situações de treino. Nos jogos estudados, obteve-se o valor médio de cada jogo para cada variável física estudada e apurou-se o valor mais alto através do método Rollingem períodos de 5 minutos. Os resultados do estudo demonstram que, em termos de distância percorrida, este tipo de situações de treino não alcança os valores do cenário de máxima exigência (137,0 ± 9,9 m·min-1), mas apresenta valores mais próximos dos obtidos para a média do jogo (média do jogo = 117,2 ± 8,6 m·min-1; 115,9 ± 8,9 e 106,4 ± 11,4 m·min-1em 4 vs. 4 e 6 vs. 6, respetivamente). Estas diferenças entre a exigência do jogo (de pico e média) e as exigências das tarefas de treino aumentam quando estudamos os deslocamentos realizados a alta velocidade (>19,8 km·h-1) e os sprints (>25,2 km·h-1). No entanto, estas situações de jogo reduzido parecem efetivamente reproduzir as exigências das dos cenários de máxima exigência da competição em termos de acelerações min-1 e carga do jogador·min-1, com valores mais elevados no formato mais reduzido (4 vs. 4 + guarda-redes em 39 x 39 m). Além disso, em ambas as situações de treino, os valores obtidos excedem os obtidos na média do jogo, tanto na variável de acelerações como na de carga do jogador por minuto.

Figura 1.1. Valores médios de distância percorrida (m/min) e distância percorrida a alta velocidade (>19,8 km/h; m/min) nas análises do jogo e nas tarefas de treino estudadas. Adaptado de Dalen et al. (2019).

Assim sendo, e como já se tinha demonstrado em trabalhos anteriores, este tipo de tarefas de treino parece não proporcionar aos jogadores níveis de exigência semelhantes aos dos jogos oficiais tanto em termos de distância total percorrida como de deslocamentos realizados a alta velocidade e em sprint. Dada a quantidade de publicações que, nos últimos anos, surgiu a apoiar a necessidade de incluir estímulos de sprint na preparação do atleta para minimizar o risco de lesão (Malone et al., 2018), parece pertinente complementar o treino com outro tipo de práticas. Além disso, tudo indica que a otimização da condição física dos atletas também passa por lhes proporcionar estímulos que igualem ou, até, superem as exigências na competição, pelo que se torna pertinente complementar as tarefas propostas pelos investigadores deste trabalho com outro tipo de tarefas. Situações de jogo com maiores dimensões espaciais (Castellano e Casamichana, 2016), situações de finalização com poucos jogadores e muito espaço (Ade et al., 2014) ou situações analíticas de corridas intermitentes (Lacome et al., 2018) ou sprints repetidos (Rodríguez-Fernández et al., 2017) poderiam ser alternativas neste processo de otimização da condição física dos jogadores.

 

David Casamichana

 

Para mais informações relativamente aos cenários de máxima exigência da competição, consulte o curso de Gestão de Carga de Trabalho no Futebol.

Referências

Ade, J.D., Harley, J.A., e Bradley, P.S. (2014). “Physiological response, time-motion characteristics, and reproducibility of various speed-endurance drills in elite youth soccer players: small-sided games versus generic running.” Int J Sports Physiol Perform, 9(3):471-9.

Castellano, J. e Casamichana, D. (2016). El arte de planificar en fútbol. Futboldelibro.

Dalen, T., Sandmæl, S., Stevens, T.G.A., Hjelde, G.H., Kjøsnes, T.N., e Wisløff, U. (2019). “Differences in Acceleration and High-Intensity Activities Between Small-Sided Games and Peak Periods of Official Matches in Elite Soccer Players.” J Strength Cond Res, doi: 10.1519/JSC.0000000000003081. [Epub por publicar]

Lacome, M., Simpson, B.M., Cholley, Y., Lambert, P., e Buchheit, M. (2018). “Small-Sided Games in Elite Soccer: Does One Size Fit All?” Int J Sports Physiol Perform, 1;13(5):568-576.

Malone, S., Owen, A., Mendes, B., Hughes, B., Collins, K., e Gabbett, T.J. (2018). “High-speed running and sprinting as an injury risk factor in soccer: Can well-developed physical qualities reduce the risk?” J Sci Med Sport. 2018 Mar;21(3):257-262.

Martín-García, A., Casamichana, D., Díaz, A.G., Cos, F., e Gabbett, T.J. (2018). “Positional Differences in the Most Demanding Passages of Play in Football Competition.” J Sports Sci Med. 2018 Nov 20;17(4):563-570.

Rodríguez-Fernández, A., Sánchez Sánchez, J., Rodríguez-Marroyo, J.A., Casamichana, D., e Villa, J.G. (2017). “Effects of 5-week pre-season small-sided-game-based training on repeat sprint ability.” J Sports Med Phys Fitness, 57(5):529-536. ¡

 

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