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May 24, 2021

Medicina

Será que um atleta profissional de futebol corre menos no segundo tempo de jogo?

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O desempenho físico dos atletas profissionais de futebol vem sendo pesquisado de maneira expressiva nos últimos 25 anos. Em várias pesquisas ficou demonstrado que há uma perda considerável de desempenho no segundo tempo do jogo, em particular, na distância total percorrida, nos metros cobertos à alta intensidade e na quantidade de sprints. Esta perda de desempenho pode ser causada pela depleção do glicogênio muscular e sob condições térmicas exigentes pela desidratação e consequentemente pela hipertermia.1,2

Em algumas pesquisas recentes sugerem uma redução na distância percorrida durante o segundo tempo não existe. Em várias pesquisas ficou demonstrado que, o tempo real de jogo, que equivale exatamente a duração da partida após a dedução do tempo de pausas, substituições, marcação de gols e possíveis lesões, ou seja, o tempo em que a bola não está em jogo, pode explicar por que os atletas profissionais de futebol percorrem uma menor distância no segundo tempo. Em média, há 108 interrupções em uma partida de futebol e cerca de 38% do tempo, o jogo permanece parado.3 A duração destas interrupções tende a aumentar até o final da partida e, provavelmente, isto pode afetar o desempenho físico dos atletas profissionais de futebol.4 Na Bundesliga foi comprovado como o tempo real de jogo varia consideravelmente durante as partidas.5 Nos primeiros 15 minutos da disputa a bola permanece em jogo durante 66,3% do tempo total, nos últimos 15 minutos este número passa para 55%. As razões que explicam estes dados apontam para o fato de que as equipes que estão vencendo quando o placar está empatado, gastam o dobro do tempo em cobranças de escanteio, tiros de meta e faltas.6 As interrupções do jogo são utilizadas como uma forma de matar o tempo .7 Na La Liga, foi constatado como o tempo real de jogo no segundo tempo das disputas é inferior, entre 3 e 5% se comparado ao primeiro tempo.

Em uma publicação recente8 foram analisadas alterações no desempenho físico dos atletas profissionais de futebol da La Liga no primeiro e segundo tempo, considerando a duração total da partida e o tempo real de jogo. A recente pesquisa, publicada na revista Journal of Strength and Conditioning Research em 2021, teve como fundamento a análise de 380 partidas disputadas durante a temporada de 2018 e 2019. No total, foram avaliados comportamentos durante os jogos com 412 atletas que disputaram o jogo completo e tiveram 4.249 observações. Os atletas de futebol foram classificados em 5 diferentes posições: Zagueiros (DC, quantidade de observações = 1.231), Laterais (DL, quantidade de observações = 915), Meio campo (MC, quantidade de observações = 1013), Interiores (I, quantidade de observações = 512) e Atacantes (AT, quantidade de observações = 578). O desempenho físico foi analisado considerando as seguintes categorias: distância total coberta, corrida de baixa intensidade (de 0 a 14,0 km/h), corrida de média intensidade (de 14,1 a 21,0 km/h), corrida de alta intensidade (de 21,1 a 24,0 km/h) e sprint (>24,0 km/h). Todas essas variáveis foram calculadas levando em consideração o tempo total de jogo, o tempo efetivo de jogo e padronizadas em metros por minuto. O desempenho físico foi coletado através do sistema de rastreamento TRACAB usado pela Mediacoach.

Os resultados sugerem conclusões extremamente relevantes conforme a seguir:

(1) O tempo real de jogo nas partidas foi de 52 minutos e 18 segundos (54,9% do tempo total). O tempo real de jogo foi significativamente menor (p<0,001) no segundo tempo (25 minutos e 43 segundos, 52,5% do tempo total) se comparado com o primeiro tempo (26 minutos e 36 segundos, 57,4% do tempo total).

(2) Ao considerar o tempo total de jogo, podemos notar como todas as variáveis de desempenho físico apresentam uma diminuição significativa no segundo tempo das partidas (com uma variação de 5,86 a 11,09%). (ver Figura 1).

(3) Entretanto, quando consideramos o tempo real de jogo, a distância total e a corrida de baixa intensidade aumentam significativamente no segundo tempo em 1,52% e 2,91%, respectivamente. A distância coberta através de alta intensidade e os sprint foram semelhantes em ambos os períodos. Estes resultados foram encontrados em todas as equipes, independentemente de se jogar em casa ou fora, do placar ou o nível dos times.

(4) A alteração no desempenho físico entre o primeiro e o segundo tempo depende da posição específica. Enquanto os zagueiros e os interiores são capazes de manter seu desempenho no segundo tempo das partidas, zagueiros e meio campo conseguem aumentar significativamente a distância coberta através do sprint no segundo tempo. Em contrapartida, os atacantes, especialmente, percorrem uma menor distância à alta intensidade e sprint no segundo tempo das disputas.

Estes resultados, embora sejam considerados com cautela em virtude da natureza complexa do futebol, servem para reconsiderar as relações entre o tempo de jogo e a fadiga do atleta profissional de futebol além de proporcionar uma melhor compreensão das exigências físicas do jogo. O tempo real de jogo deveria ser considerado ao invés do tempo total da partida, pois assim podemos dimensionar melhor às exigências de jogo com mais precisão.

 

Figura 1: mudança no percentual de desempenho físico entre o primeiro e o segundo tempo, considerando o tempo total e o tempo real de jogo e padronizadas em metros por minuto.

Carlos Lago Peñas

 

Referências:

1 Di Salvo V, Gregson W, Atkinson G, Tordoff P, Drust B. Analysis of high intensity activity in Premier League soccer. Int J Sports Med 30: 205–212, 2009.

2 Mohr M, Krustrup P, Bangsbo J. Match performance of high-standard soccer players with special reference to development of fatigue. J Sports Sci 21: 519-528, 2003.

3 Siegle M, Lames M. Game interruptions in elite soccer. J Sports Sci 30: 619-624, 2012.

4 Carling C, Dupont G. Are declines in physical performance associated with a reduction in skill-related performance during professional soccer match-play? J Sports Sci 29: 63-71, 2011.

5 Linke D, Link D, Weber H, Lames M. Decline in match running performance in football is affected by an increase in game interruptions. J Sports Sci Med 17: 662-667, 2018.

6 Morgulev E, Galily Y. Analysis of time-wasting in English Premier League football matches: Evidence for unethical behaviour in final minutes of close contests. J Behav Exp Econ 81: 1-8, 2019.

7 Augste C, Cordes O. Game stoppages as a tactical means in soccer—A comparison of the FIFA World Cups 2006 and 2014. Int J Perform Anal Sport 16: 1053-1064, 2016.

8 Rey E, Kalen A, Lorenzo-Martinex M, López-Del Campo R, Nevado-Garcia F, Lago-Peñas C. (2021) Elite soccer players do not cover less distance in the second half of the matches when game interruptions are considered. J Strength Cond Res. Ahead of print. 2021.

 

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