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May 3, 2021

Será que a incidência de lesões em atletas profissionais de futebol é atualmente maior?

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No futebol atual, os atletas profissionais jogam cada vez mais partidas durante uma única temporada. Além de campeonatos internos, os melhores atletas profissionais de futebol também viajam com a equipe nacional para participar de partidas internacionais e pré-temporadas.1 O tempo de recuperação desses atletas entre as partidas também reduziu significativamente nos últimos anos. Joga-se cada vez mais e com menor tempo de descanso.2 As probabilidades de sofrerem lesões é cada vez maior e isso pode ser um grande risco ou problema para os clubes.3 As lesões podem afetar o desempenho de maneira negativa, impedindo assim o alcance de suas metas e objetivos. Um dos objetivos do corpo técnico dos clubes é garantir que os atletas estejam à disposição do técnico o maior tempo possível durante a temporada. Os investimentos sejam eles financeiro ou o tempo das equipes em relação às medidas preventivas é considerável, na tentativa de reduzir os riscos de lesões em treinamentos e campeonatos. Será que a incidência de lesões em atletas profissionais de futebol é atualmente maior? Apesar do aumento do número de jogos, será que a incidência de lesões no futebol de alto rendimento foi reduzida?

Em uma pesquisa recente foi analisada se a frequência de lesões nas equipes de futebol de alto rendimento havia aumentado ou não nos últimos anos.4 A recente pesquisa, publicada na revista British Journal of Sports Medicine em 2021, foi fundamentada na análise de 3302 atletas profissionais de futebol de 49 equipes de alto rendimento de 19 países europeus diferentes que participaram na fase de grupos da Liga dos Campeões durante as 18 temporadas disputadas entre o período de 2000 a 2001 e de 2018 a 2019. Um membro do corpo técnico de cada clube registrou estas lesões e a participação de cada jogador em treinamentos e jogos. Assim foram avaliadas um total de 265 temporadas. Neste período, 11.820 lesões ocorreram durante 1.784.281 horas de exposição dos atletas profissionais do futebol, representando uma incidência de 6,6 lesões a cada 1000 horas. A taxa de lesões em uma partida, tanto em treinamentos como em campeonatos, foi de 23,8/1000 horas de exposição, enquanto nos treinamentos foi de 3,4/1000 horas. As lesões musculares (n=4763) e de ligamentos (n=1971) representaram 57% do total de lesões.

Os resultados sugerem três conclusões extremamente relevantes conforme a seguir: (1) a incidência de lesões em treinamentos e campeonatos diminuiu nos últimos 18 anos; (2) a taxa de recidiva por lesões também diminuiu; e (3) a disponibilidade dos atletas profissionais de futebol para participar de treinamentos e partidas aumentou. Mais especificamente:

  • A incidência de lesões em treinamentos e campeonatos baixou gradativamente ao longo das 18 temporadas analisadas em 3% ao ano.
  • A frequência de lesões nos ligamentos diminuiu em 5% ao ano durante os treinamentos e 4% durante os campeonatos. 
  • Entretanto, a taxa de lesões musculares permaneceu contínua. 
  • A incidência de lesões repetitivas diminuiu em 5% ao ano tanto em treinamentos quanto em campeonatos. No decorrer das 18 temporadas analisadas, o valor chegou a 10%.
  • A disponibilidade de atletas profissionais de futebol para treinar e competir nos campeonatos aumentou em 0,7% e 0,2% por temporada, respectivamente.

A diminuição na incidência de lesões observada entre 2001 e 2019 sugere que as estratégias de prevenção de lesões propostas pelos clubes sejam eficazes. É primordial que os clubes invistam mais esforços e dinheiro para qualificar ainda mais sua estrutura médico-esportiva. Além disso, outros aspectos como a comunicação entre o corpo técnico e o departamento médico, a personalização das cargas de treinamento, os programas de prevenção de lesões, o estilo de direção um tanto democrático do técnico ou ainda o desenvolvimento de sistemas de alerta para controlar o risco de lesões dos atletas profissionais do futebol poderiam melhorar as ações nos clubes. 

 

Carlos Lago Peñas

 

Referências: 

1 Football FIFPRO.Players Worldwide. Football’s schedule is getting busier, cutting players recovery time 2019. https://www.fifpro.org/en/industry/at-the-limit. Accessed December 29, 2020.

2 Silva JR, Rumpf MC, Hertzog M, Castagna C, Farooq A, Girad, O, Hader K. acute and residual soccer match-related fatigue: a systematic review and meta-analysis. Sports Med. 2018; 48:539-583.

3 Bengtsson H, Ekstrand J, Waldén M, Hägglund M. Muscle injury rate in professional football is higher in matches played within 5 days since the previous match: a 14-year prospective study with more than 130 000 match observations. Br J Sports Med. 2018; 52:1116-1122.

4 Ekstrand J, Sporeco A, Bengtsson H, Bahr R. Injury rates decreased in men’s profesional football: an 18-year prospective cohort study of almost 12000 injuries sustained during 1.8 million hous of play. Br J Sports Med 2021; en prensa, 

 

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