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April 27, 2021

São as pessoas que fazem possível que a inovação esteja presente no mundo dos esportes

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Inovação, tecnologia e dados se multiplicaram durante a última década no mundo do esporte. Entretanto, ter imaginação fértil no esporte é muito difícil, em virtude da dinâmica complexa e da escala temporal por trás da maioria das inovações. A invenção demanda experimento, paciência e, o mais importante, fracasso. Porém, para a maioria dos clubes, não há espaço para paciência e fracasso. A pressão para vencer um jogo e ao mesmo tempo apoiar essa vitória, impulsionando as receitas comerciais é imensa e obriga os clubes a serem cautelosos no comprometimento com novas ideias que possam vir a falhar.

Em 2017, quando o FC Barcelona estruturava o Barça Innovation Hub (BIHUB), perceberam essa questão e analisaram detalhadamente os pontos fortes centrais como clube. Após esta análise e deliberação, a equipe central do Barça decidiu pelo “Conhecimento” como o elemento fundamental deste conceito. Com isso, eles poderiam compartilhar esses valores para o muito mais pessoas e, em troca, receber o retorno de startups, especialistas entre outras parcerias. 

Ao empregar o “Conhecimento” como ponto de alavancagem, o clube percebeu que não queria instituir um veículo de inovação padrão, como estímulos ou empresas iniciais (Startup iniciais), porque investir somente em empresas ou ajudá-las a levantar uma rodada de financiamento não seria apenas muito difícil de administrar, dada sua estrutura corporativa existente como um “clube social”, mas também não estaria à altura do padrão de viabilidade permanente que o FC Barcelona representa. Assim, o Barça Innovation Hub ao lançar este conceito, aproveitou seus dois pontos fortes centrais: conhecimento e indivíduo. Todos nós sabemos que o povo catalão é por natureza trabalhador e criativo. Os líderes da BIHUB, de uma maneira única e inteligente, conciliaram o corpo de colaboradores do clube em uma rede global de conhecimento que amplia suas habilidades para vislumbrar e testar o futuro do esporte. Para isso, o clube conta com três perfis de pessoas que são essenciais para o processo de inovação de todos os clubes. 

Para o FC Barcelona, os colaboradores e fãs formam equipes internas e externas que estão sempre se esforçando para manterem o clube na vanguarda das inovações esportivas. Entretanto, para outros clubes pode ser mais complexo entender esses colaboradores e seus papéis na busca pelo avanço de novas ideias e tecnologias.

As pessoas essenciais

Estes três perfis desempenham papéis diferentes, mas se sobrepõem e intercambiam posições naturalmente, através de estruturas com três camadas, como se fosse um bolo, onde as ideias e os projetos fluem rapidamente. 

Esta estrutura permite que todas as partes interessadas se comuniquem efetivamente e trabalhem em equipe com inteligência e agilidade. Se os especialistas estivessem sobrecarregados de inovação, simplesmente desconsiderariam desafiar o status quo. Se os implementadores tivessem que sugerir todas as ideias, estariam exaustos em função da quantidade de ideias a serem sugeridas. E se os mentores tivessem que realmente implementar todas as ideias malucas, então nada daria certo nunca.

Os perfis

É importante reconhecer que estes três perfis de colaboradores e a importância dos seus papeis, pois nenhum deles é mais “inovador” do que o outro. Geralmente, os mentores ou os implementadores recebem créditos por inovação, mas sem a presença de especialistas que garantem a sobrevivência de ideias, processos ou novas tecnologias, todos estaríamos condenados. Para as empresas esportivas, todos são questionáveis para o sucesso a longo prazo.

Mentor: é o colaborador identificado como a fada das ideias. O colaborador que frustra seus colegas de trabalho ao passar pelos departamentos despreocupadamente fazendo brincadeiras carregadas de enigmas, perguntando se alguém por acaso tem conhecimento de que os Dodgers estão fazendo isso e aquilo com aquela empresa incrível de inteligência artificial que faz X, Y e Z? E o que estamos fazendo a este respeito? Talvez você até queira demitir esse colaborador. Mesmo que ele não te irrite, definitivamente pode te enlouquecer. Há uma enorme possibilidade de que esta pessoa esteja conduzindo sua equipe ou empresa como um técnico ou até mesmo como CEO. Talvez esteja trabalhando no departamento de expedição. De qualquer forma, é intolerável porque a ideia realmente faz sentido, mas com certeza levará algum tempo para pesquisá-la, implementá-la e depois inová-la.

Um mentor com boas aptidões conhece seu público e sabe como motivá-lo sem ofendê-lo. Ele sabe apresentar ideias com histórias ou pelo menos, provas concretas de que aquilo que estão pensando efetivamente faz muito sentido. Se ele for muito, mas muito bom, apresentará uma ideia em etapas durante um período de tempo até que seja revelada ao público em sua totalidade. Ele simplesmente tem inteligência e consciência emocional para iniciar uma ideia e dar uma chance a ela.

Um mentor com aptidões ruins, por outro lado, só fala sobre o que lê nas notícias e não faz a mínima ideia de como isso possa afetar seu trabalho em específico ou quais seriam as maiores implicações na tentativa de fazer com que sua ideia flua. Um mentor ruim publica sua ideia muito cedo ou dá diretrizes excessivas sobre o que deveria acontecer sem a contribuição do público. Além disso, não ter empatia e consciência emocional, o que é evidente na forma como apresenta suas ideias, geralmente sendo rude ou desnecessariamente limitante. 

No fim das contas, a diferença entre um mentor bom e ruim é o fator determinante para promover qualquer tipo de progresso ou inovação. E os melhores mentores compreendem o que os implementadores e os especialistas vivenciam, porque, em algum momento, eles passaram por esta experiência. 

 Implementador: este é o gestor de atividades. Esta pessoa é aquela mais propensa a organizar o café da manhã da empresa ou circular um controle interno para o “monitoramento”, pois assim todos sabem exatamente de quem será a vez de limpar a mesa do café da manhã da empresa. É fácil venerar esta pessoa pelo seu zelo, além de apreciar sua dedicação plena em um projeto até que esteja completamente finalizado. É exatamente aquela pessoa que passa pela sua mesa e pergunta se já respondeu ao convite para a festa de Natal da empresa.

Um bom implementador é o tipo de pessoa que você contrataria para cuidar do seu animal de estimação durante suas férias. Você tem certeza de que ele estará lá te esperando quando retornar, feliz, pleno e muito bem cuidado. Os bons implementadores são organizados e atentos. Também são caprichosos e competitivos. Sua capacidade organizacional é tão expressiva que eles a utilizam para vencer assim como é a sua boa índole. Eles são dotados de inteligência social para alavancar projetos e comunicar o que está acontecendo. Eles também podem iniciar algo com as melhores ideias, mas certamente podem pegar uma boa ideia e transformá-la em uma grande ideia.

Um implementador ruim parece organizado, mas na prática ele é descuidado ou desatento. Provavelmente em virtude de sua indiferença ou desinteresse em geral. Ele também não tem o poder da dialética comunicacional. Ele acumula projetos e não está aberto nem ao menos é transparente com os demais membros da equipe. Ele é limitado e parece não atender a todos as demandas que a equipe tem e quanto à capacidade de realizar múltiplas tarefas com diferentes pessoas, ideias e projetos.

A diferença entre um implementador com boas ou más aptidões é a capacidade de permanecer em uma tarefa, moldar ideias para torná-las melhores ideias e fazer as coisas acontecerem. Grandes implementadores também solicitam ajuda quando necessário e estão sempre rodeados de pessoas brilhantes.

Especialista: é a mão firme. É o colaborador que dirige o espetáculo. É o colaborador com maiores probabilidades de intimidar novos colaboradores ou estagiários porque eles estão tão focados em suas tarefas que perdem certas habilidades sociais. É mestre absoluto em seu departamento ou domínio específico. Está sempre fazendo ou pensando em seu trabalho. Esta pessoa nunca passa pela sua mesa, porque está sempre ocupada com o seu trabalho.

Um bom especialista está sempre muito focado. Mas também, procura equilibrar a tensão entre foco e curiosidade constantemente. Sua curiosidade intelectual é demonstrada pelo hábito da leitura de novos conteúdos ou pela tentativa de melhorar seu trabalho de alguma forma, geralmente questionando. Adora um bom desafio. Ensina seu trabalho aos outros colegas da melhor forma possível. Consegue pegar uma grande ideia e torná-la ainda mais grandiosa, com um algo a mais ou apenas reduzi-la a uma simplicidade elegante. Tem a habilidade de cortar caminho para encontrar a essência de uma ideia.

Um especialista ruim, por outro lado, está sempre fechado e relutante em tentar algo novo. Fica visivelmente frustrado quando alguém chega com uma ideia nova ou desafia seu conhecimento de anos. Eles não são comprometidos ou pior, boicotam qualquer intenção de se implementar algo novo. Carecem de visão e perspectivas a longo prazo. Protegem seu trabalho acima de tudo e se negam a desafiar o status quo, seja por medo ou teimosia. 

A diferença entre um especialista com boas ou más aptidões é a geração de novas ideias. A disposição para ouvir e agregar algo ao discurso, mais do que simplesmente descartar o que é novo justamente porque é novo. Os melhores especialistas sabem que os mentores e implementadores tentam oferecer vantagens além de permitirem que façam seu trabalho sem sacrificar a força motriz central de uma equipe esportiva, ou seja, vencer no campo de jogo ou fora dele.

Assim, essas são as posições essenciais em uma equipe de inovação. Ao compartilhar seu conhecimento com o mundo, o FC Barcelona criou uma comunidade global de mentores e tem trabalhado ativamente para escalar e alavancar os projetos internos. Não importa se você faz parte do Barça ou de outro clube, poderá utilizar seus pontos fortes centrais e este modelo para formar equipes que construam o futuro do mundo do esporte assim como o seu.

 

Stephen Gera

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