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31 December, 2020

RPE e a relação com o risco de lesões em atletas

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Como o tempo, o distanciamento competitivo entre as equipes no futebol de elite foi diminuindo. Atualmente o objetivo está dirigido para aqueles aspectos que podem pesar na balança de um lado para outro. Isso gerou nas equipes de elite uma corrida a especialistas de diferentes áreas com o claro objetivo de buscar reparações integrais e, ao mesmo tempo reduzir lesões, uma das principais limitações no desempenho dos atletas.

O monitoramento da carga de trabalho (TL em inglês) é uma das principais ferramentas, pois nos permitirá uma melhor avaliação da fadiga, e assim poder nos antecipar à possíveis sobrecargas, excesso de treinamentos e consequentemente diminuir ou talvez eliminar prováveis lesões. De fato, existe uma relação entre TL e incidência de lesões,1 o que reflete a importância dessa medição mais eficaz. A TL pode ser diferenciada entre externa e interna, respectivamente definidas como o trabalho que foi realizado pelo atleta. Por exemplo, distância percorrida, velocidade, aceleração, quantidade de repetições subjetivas por esforço, frequência cardíaca, lactato no sangue e consumo de oxigênio. Estabelecer a relação entre ambas as medições é uma tarefa importante, pois ao ajustar a carga externa poderá gerar uma carga interna programada, ou seja, uma peça especial no momento de controlar as condições físicas do atleta e os riscos prováveis de lesões.

Escala de esforço percebido

O controle e o manuseio da carga interna podem ser realizados através de variáveis fisiológicas como lactato no sangue ou frequência cardíaca.2,3 Essas metodologias para avaliações requerem de recursos materiais e humanos e nem temos total acesso. Por isso utilizamos a taxa de esforço percebido, ou seja, RPE – pelas siglas em inglês, como uma ferramenta simples e precisa, onde o atleta deve realmente dar o devido valor à sensação de fadiga e a intensidade da taxa de esforço percebido durante o início de um treinamento.

O monitoramento da carga interna através do RPE da sessão ou o s-RPE (esforço percebido vs. duração do treinamento) demonstrou ser uma ferramenta válida para quantificar a carga de treinamento, oferecendo a carga correta ou adequada ao treinamento. Isso ficou demonstrado em um documento feito em consenso que foi elaborado por um grupo de especialistas sobre diferentes metodologias para o controle da TL. Foram determinados quais as s-RPE são instrumentos econômicas, fáceis de usar e interpretar para uma grande variedade de atividades físicas.4

Atualmente é muito usada dentro do mundo esportivo a taxa com valores que variam de 1 (repouso) até 10 (esforço máximo), sendo que o índice ideal está na faixa de 6 (sem esforço) e 20 (esforço máximo). O mais indicado é justamente avaliar a sensação de fadiga sobre a carga total da sessão de 30 minutos após o final do treinamento, pois assim garantimos que o esforço recebido está relacionado com o treinamento e não com a intensidade da atividade.5

A taxa de esforço recebido nos atletas do futebol

A RPE foi validada nos atletas de futebol,6 e demonstrada como uma excelente indicação de carga interna para os atletas,5 ao observar uma forte correlação de variáveis objetivas da carga interna como frequência cardíaca e lactado no sangue.7 De fato, a RPE é a variável mais usada nas equipes do futebol de elite com o objetivo de quantificar a carga interna.8 Assim, em uma recente revisão sistemática sobre a metodologia baseada no uso de RPE no futebol de elite observou que as s-RPE (como medida de carga para um treinamento completo) foi mais usada que a RPE de forma isolada (como medida de intensidade do exercício).9

Uma das aplicações que vem sendo empregadas nos últimos anos na s-RPE no futebol de elite é a avaliação do risco de se lesionar. O vínculo da s-RPE e as lesões estão representadas no estudo realizado pela Federação de Futebol Australiana que observou que as TL avaliadas através das s-RPE eram maiores nas 3 semanas prévias a uma lesão que a média da temporada.10 Neste contexto, em um recente estudo realizado em duas equipes da elite europeia que usaram a s-RPE para quantificar a TL interna, detectaram que os atletas, durante a pré-temporada desenvolveram uma carga aguda entre 1500-2120 unidades arbitrárias (AU) por semana e apresentavam um maior risco de se lesionarem se comparados com os que realizaram 1500 AU.11 Além disso, as alterações semanais entre 350-500 AU foram associadas a um maior risco de se lesionarem se comparados com as alterações inferiores a 200 AU, pois o risco de sofrer uma lesão fica reduzido quando os atletas se submetem a um média de carga aguda:crônica entre 1–1,25 AU.11

Recentemente um estudo que foi publicado em uma reconhecida revista britânica de medicina do esporte que avaliou o valor prévio à carga interna, avaliada através da s-RPE, com os riscos de lesões que não aconteceram através de contato.12 Os autores analisaram 171 atletas de 5 clubes de elite da UEFA Elite Club Injury Study e observaram que uma média de carga aguda:crônica de 1:3 ou de 1:4 com maiores riscos de lesões na semana posterior. Entretanto, não foram encontradas evidências médias na razão 1:2. Entretanto, se as evidências médias de carga interna aguda:crônica foram associadas ao risco de lesões, pois estes marcadores apresentaram capacidades prévias baixas no momento de identificar os atletas que realmente sofreram a posteriori lesões sem contato prévio.

Conclusões

O monitoramento da carga interna través da s-RPE demonstrou ser um instrumento válido para a redução do risco de se lesionarem e, portanto, melhorarem o desempenho. Além disso, o fácil uso e confiabilidade desta metodologia faz da RPE uma ferramenta eficaz na quantificação da carta interna do atleta. Mas é necessário que eles tenham sido previamente treinados a usarem a RPE, pois é uma técnica nova e requer de formação e capacitação nas primeiras etapas e usos. As informações divulgadas não serão de grande ajuda no momento de planificar nossas sessões, fundamentalmente quando não temos à disposição nenhuma outra metodologia para quantificar medições e isso é mais comum do que imaginamos.

 

Javier S. Morales

 

Referências:

  1. Drew MK, Finch CF. The Relationship Between Training Load and Injury, Illness and Soreness: A Systematic and Literature Review. Sports Med. 2016;46(6):861-83.
  2. Algrøy EA, Hetlelid KJ, Seiler S, Stray Pedersen JI. Quantifying training intensity distribution in a group of Norwegian professional soccer players. Int J Sports Physiol Perform. 2011;6(1):70-81.
  3. Eniseler N. Heart rate and blood lactate concentrations as predictors of physiological load on elite soccer players during various soccer training activities. J Strength Cond Res. 2005;19(4):799-804.
  4. Bourdon PC, Cardinale M, Murray A, Gastin P, Kellmann M, Varley MC, Gabbett TJ, Coutts AJ, Burgess DJ, Gregson W, Cable NT. Monitoring Athlete Training Loads: Consensus Statement. Int J Sports Physiol Perform. 2017;12(Suppl 2):S2161-S2170.
  5. Impellizzeri FM, Rampinini E, Coutts AJ, Sassi A, Marcora SM. Use of RPE-based training load in soccer. Med Sci Sports Exerc. 2004;36(6):1042-7.
  6. Coutts A, Reaburn P, Murphy A, Pine M, Impellizzeri FM. Validity of the session-RPE method for determining training load in team sport athletes. J Sci Med Sports. 2003;6:525.
  7. Coutts AJ, Rampinini E, Marcora SM, Castagna C, Impellizzeri FM. Heart rate and blood lactate correlates of perceived exertion during small-sided soccer games. J Sci Med Sport. 2009;12(1):79-84.
  8. Akenhead R, Nassis GP. Training Load and Player Monitoring in High-Level Football: Current Practice and Perceptions. Int J Sports Physiol Perform. 2016;11(5):587-93.
  9. Rago V, Brito J, Figueiredo P, Costa J, Krustrup P, Rebelo A. Internal training load monitoring in professional football: a systematic review of methods using rating of perceived exertion. J Sports Med Phys Fitness. 2020;60(1):160-171.
  10. Lu D, Howle K, Waterson A, Duncan C, Duffield R. Workload profiles prior to injury in professional soccer players. Sci Med Football. 2017;1:237-43.
  11. Malone S, Owen A, Newton M, Mendes B, Collins KD, Gabbett TJ. The acute:chonic workload ratio in relation to injury risk in professional soccer. J Sci Med Sport. 2017;20(6):561-565.
  12. McCall A, Dupont G, Ekstrand J. Internal workload, and non-contact injury: a one-season study of five teams from the UEFA Elite Club Injury Study. Br J Sports Med. 2018;52(23):1517-1522.

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