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4 January, 2021

Restrição de fluxo sanguíneo para melhorar desempenhos e recuperação de lesões

Saúde e Bem-Estar

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O que vem a ser restrição de fluxo sanguíneo?

Restrição de fluxo sanguíneo ou Blood flow restriction (BFR), ultimamente tem conquistado grande popularidade, especialmente nos treinamentos e reabilitações. A BRF consiste em aplicar pressão (geralmente usando um manguito inflável) na parte proximal dos membros inferiores ou superiores para assim limitar o retorno venoso sem chegar a bloquear o fluxo arterial. Entre outros processos, a BFR demonstrou aumentar o estresse metabólico, o que foi sugerido como um dos mecanismos que poderiam facilitar a hipertrofia muscular. De fato, em virtude de um possível aumento metabólito e íons de hidrogênio, a BFR demonstrou estimular a liberação de hormônios anabólicos como o hormônio de crescimento ou IGF-1,1,2 assim como aumentar a síntese proteica muscular.3

Como a restrição de fluxo sanguíneo é aplicada?

Conforme a citação mais recente realizada pelo (https://barcainnovationhub.com/es/entrenamiento-con-restriccion-del-flujo-sanguineo-de-la-ciencia-a-la-practica/)Dr. Loennekke um dos maiores especialistas neste assunto, a BFR deve ser aplicada considerando especialmente a largura do manguito que será utilizado, já que, quanto mais largo o manguito, menor será a pressão exigida para limitar o fluxo sanguíneo assim como o indivíduo a quem o manguito será aplicado, uma vez que, aqueles com circunferências maiores tendem a exigir uma maior pressão do que aqueles com circunferências menores. Entretanto, uma maneira precisa de controlar a pressão exigida seria encontrar a pressão de oclusão arterial, que é aquela pressão mínima que resultaria na perda completa do fluxo sanguíneo, ou seja, quando não há mais pulsação distal assim como estabelecer a pressão exigida como uma porcentagem desta pressão de oclusão arterial, o que geralmente é recomendada entre 40 e 80% desta pressão. Entretanto, quando não há acesso a determinadas ferramentas como o aparelho de ultrassonografia doppler para medir a pulsação arterial em indivíduos saudáveis, poderia ser suficiente identificar a pressão, tentando obter de 7/10 dentre as categorias da escala de percepção de esforço,4 embora perdêssemos precisão, reduzindo a segurança e a eficácia da intervenção.

Restrição de fluxo sanguíneo e seus benefícios na recuperação de lesões

Devido a sua eficácia na promoção do anabolismo muscular, a BFR é cada vez mais utilizada no campo da reabilitação para acelerar a recuperação de lesões. De fato, uma meta-análise publicada pelo respeitado British Journal of Sports Medicine, onde foram incluídas 20 pesquisas, concluiu-se que, embora não apresente a mesma eficácia que o treinamento com altas cargas, a combinação da BFR com exercícios de baixa intensidade é suficiente para aumentar a força muscular em pacientes durante os processos de reabilitação, por exemplo; após uma reconstrução do ligamento cruzado anterior ou em pacientes com osteoartrose.5 Portanto, para pacientes que ainda não podem elevar cargas ou realizar grandes esforços, a BFR pode ser uma alternativa significativa. De fato, mesmo na aplicação de BFR com um alta pressão aproximada de 200 mmHg, ou seja, sem atividades físicas simultâneas, foram demonstradas eficácias ao atenuar atrofia muscular e perda de força em pacientes imobilizados após uma operação.6,7 Entretanto, sempre que possível, a BFR deverá ser aplicada aliada à prática de exercícios. Em uma pesquisa recente, foram demonstradas que a BFR é capaz de aumentar a síntese proteica quando aplicada simultaneamente às atividades físicas, entretanto, somente para períodos de repouso.8 Nesta perspectiva, a aplicação de BFR juntamente com exercícios aeróbicos de baixa intensidade por um período de 15 minutos demonstrou ser ainda mais benéfica no aumento de massa muscular e de força ao invés de fazer exercícios aeróbicos sem BFR por um período de 45 minutos.9 Outros autores observaram que a aplicação simultânea da BFR nos treinamento com força de baixa intensidade proporciona benefícios semelhantes aos dos treinamentos com força de alta intensidade sem BFR.10 Assim, a BFR permite ganhos semelhantes aos obtidos quando exercitamos com altas cargas, porém, trabalhando com baixas cargas. No entanto, é sempre aconselhável fazer uma progressão do estímulo, começando com a aplicação da BFR em repouso até atingir sua combinação com exercício de baixa ou alta intensidade.

Restrição de fluxo sanguíneo e seus benefícios no desempenho

Além de seus possíveis benefícios para a reabilitação de lesões, também foi sugerido que a BFR poderia maximizar os benefícios do treinamento em atletas saudáveis. Diferentes meta-análises demonstraram que esta estratégia é eficaz para aumentar a massa muscular e a força da população em geral.11,12 Em uma pesquisa realizada com atletas profissionais de rugby, por exemplo, foram demonstradas que, as atividades de força a 70% RM com BFR aumentaram os ganhos de força se comparadas com o mesmo treinamento sem BFR.13 Em outras pesquisas realizadas com indivíduos treinados ficaram demonstradas que, executar sprints de 60 a 70% de intensidade máxima combinadas com BFR proporcionaram melhores benefícios no desempenho do sprint, força e massa muscular do que o mesmo treinamento sem BFR.14 Sob outra perspectiva, em pesquisas recentes foram demonstradas que, treinamentos de ciclismo com atletas que estejam ativos, utilizando a BRF, melhoram desempenho, capacidade antioxidante, metabolismo glicolítico, fluxo sanguíneo assim como o fornecimento e a utilização de oxigênio se comparados com o mesmo exercício sem BFR.15–17 No entanto, a evidência em atletas saudáveis é um tanto mais rara comparado ao âmbito da reabilitação, por exemplo, em uma pesquisa realizada com atletas semiprofissionais do futebol australiano, foram observadas que a introdução de exercícios de baixa intensidade com a BFR em programas de treinamento de 5 semanas que já incluía exercícios de alta intensidade não trazia benefícios no desempenho se comparado com o mesmo exercício sem BFR (Scott, 2017).

Conclusões

A BFR é vista como uma estratégia eficaz para maximizar os ganhos de massa muscular e força, sendo que, com exercícios de baixa intensidade, podemos obter benefícios semelhantes aqueles induzidos com o treinamento com cargas superiores sem BFR. Estes resultados são especialmente significativos para a reabilitação, onde nem sempre é possível submeter os atletas a altas cargas de treinamento. Além disso, a introdução da BFR em treinamentos de atletas saudáveis, como exercícios de força ou mesmo sprint, também poderia maximizar os benefícios se comparados com estes mesmos exercícios sem BFR, embora suas evidências sejam mais raras.

 

Pedro L. Valenzuela

Referências

  1. Inagaki Y, Madarame H, Neya M, Ishii N. Increase in serum growth hormone induced by electrical stimulation of muscle combined with blood flow restriction. Eur J Appl Physiol 2011;111:2715–21. https://doi.org/10.1007/s00421-011-1899-y.
  2. Takano H, Morita T, Iida H, Asada KI, Kato M, Uno K, et al. Hemodynamic and hormonal responses to a short-term low-intensity resistance exercise with the reduction of muscle blood flow. Eur J Appl Physiol 2005;95:65–73. https://doi.org/10.1007/s00421-005-1389-1.
  3. Wernbom M, Apro W, Paulsen G, Nilsen TS, Blomstrand E, Raastad T. Acute low-load resistance exercise with and without blood flow restriction increased protein signalling and number of satellite cells in human skeletal muscle. Eur J Appl Physiol 2013;113:2953–65. https://doi.org/10.1007/s00421-013-2733-5.
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  6. Takarada Y, Takazawa H, Ishii N. Applications of vascular occlusion diminish disuse atrophy of knee extensor muscles. Med Sci Sports Exerc 2000;32:2035–9.
  7. Kubota A, Sakuraba K, Sawaki K, Sumide T, Tamura Y. Prevention of disuse muscular weakness by restriction of blood flow. Med Sci Sports Exerc 2008;40:529–34. https://doi.org/10.1249/MSS.0b013e31815ddac6.
  8. Nyakayiru J, Fuchs CJ, Trommelen J, Smeets JSJ, Senden JM, Gijsen AP, et al. Blood Flow Restriction only Increases Myofibrillar Protein Synthesis with Exercise. Med Sci Sports Exerc 2019;51:1137–45. https://doi.org/10.1249/MSS.0000000000001899.
  9. Abe T, Fujita S, Nakajima T, Sakamaki M, Ozaki H, Ogasawara R, et al. Effects of low-intensity cycle training with restricted leg blood flow on thigh muscle volume and VO2max in young men. J Sport Sci Med 2010;9:452–8. https://doi.org/10.1097/JPT.0b013e3181d07a73.
  10. Ladlow P, Coppack RJ, Dharm-Datta S, Conway D, Sellon E, Patterson SD, et al. Low-load resistance training with blood flow restriction improves clinical outcomes in musculoskeletal rehabilitation: A single-blind randomized controlled trial. Front Physiol 2018;9:1–14. https://doi.org/10.3389/fphys.2018.01269.
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  12. Slysz J, Stultz J, Burr JF. The efficacy of blood flow restricted exercise: A systematic review & meta-analysis. J Sci Med Sport 2016;19:669–75. https://doi.org/10.1016/j.jsams.2015.09.005.
  13. Cook CJ, Kilduff LP, Beaven CM. Improving strength and power in trained athletes with 3 weeks of occlusion training. Int J Sports Physiol Perform 2014;9:166–72. https://doi.org/10.1123/IJSPP.2013-0018.
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  15. Christiansen D, Eibye KH, Hostrup M, Bangsbo J. Blood flow-restricted training enhances thigh glucose uptake during exercise and muscle antioxidant function in humans. Metabolism 2019;98:1–15. https://doi.org/10.1016/j.metabol.2019.06.003.
  16. Christiansen D, Eibye KH, Rasmussen V, Voldbye HM, Thomassen M, Nyberg M, et al. Cycling with blood flow restriction improves performance and muscle K+ regulation and alters the effect of anti-oxidant infusion in humans. J Physiol 2019;597:2421–44. https://doi.org/10.1113/JP277657.
  17. Christiansen D, Eibye K, Hostrup M, Bangsbo J. Training with blood flow restriction increases femoral artery diameter and thigh oxygen delivery during knee-extensor exercise in recreationally trained men. J Physiol 2020;598:2337–53. https://doi.org/10.1113/JP279554.

 

 

 

 

 

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