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November 2, 2020

Recuperação ativa ou passiva?

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Garantir uma recuperação adequada entre as sessões e também entre os diferentes exercícios de uma mesma sessão é fundamental para maximizar as adaptações dos treinamentos. Existem diferentes métodos de recuperação, que vão desde aplicação de frio ou massagens até outros métodos como o uso de compressões, pressoterapia ou eletroestimulação. Entretanto, mesmo existindo diferentes métodos muito diferentes, possivelmente os mais empregos sejam para exercícios de baixa intensidade (conhecidos como ‘recuperação ativa’).

 

Recuperação pós-exercício

Apesar da popularidade da recuperação ativa, ainda existe certa desconfiança em relação ao fato de se é tão eficaz descansar depois de uma sessão de treinamento ou se talvez seja prudente realizar uma sessão ‘regenerativa’ com exercícios de baixa intensidade. De acordo com uma pesquisa realizada entre as principais equipes de futebol profissional na França, 81% dos atletas fazem exercícios de baixa intensidade durante 15 e 30 minutos como método de recuperação imediatamente depois de um jogo ou nos dias posteriores a ele.1 Um dos principais motivos para usar a recuperação ativa é que, ao estimular o fluxo sanguíneo ao máximo, evidencia que há comprovações científicas demonstrando a eliminação de metabólicos como o lactato se comparado com a recuperação passiva.2 Entretanto, cada vez é mais evidente a sugestão de que a retirada de lactato per se não deve ser considerada como um marcador de menor recuperação, já que o lactato não estimula a fadiga como chegou a imaginar-se há alguns anos.3 Além disso, também observamos que a recuperação ativa, depois de uma sessão de treinamento pode piorar a síntese de glicogênio, especialmente nas fibras do tipo I ou lentas (as mais usadas durante os exercícios de baixa intensidade).4 Concretamente, diferentes estudos foram realizados em atletas que participaram de jogos com um intervalo de 3 dias e não tiveram benefícios com diferentes marcadores de recuperação, inclusive os marcadores de desempenho, lesões, dores musculares e inflamações, se compararmos com a recuperação ativa, ou seja, 1 hora de exercício de baixa intensidade, como uma recuperação passiva.5–7 É importante informar que uma recente meta-análise conclui que a recuperação ativa é efetiva para a mitigação de dores musculares depois de sessões de treinamento, assim como este método não reduz significativamente a percepção de fadiga e também não induz a benefícios com marcadores para lesões musculares (creatina quinasa) ou inflamatórias (proteína C-reativa e interleucina 6).8 Portanto, as evidências científicas não são suficientemente sustentáveis para garantir, de forma unânime, que a recuperação ativa depois de sessões de treinamentos intensos ou de um jogo se comparado com repouso, o que em muitos casos será mera preferência pessoal a que decidirá qual destas estratégias de recuperação serão melhor empregadas.

 

Recuperação durante sessões de treinamentos

Também existem controvérsias em relação aos benefícios da recuperação ativa depois de sessões de treinamentos, pois há controvérsias em relação aos métodos mais eficientes que o repouso em descansos em uma mesma sessão de treinamento. Neste sentido, diferentes estudos apresentam o fato de que a recuperação ativa entre exercícios de alta intensidade dificultam a reoxigenação muscular e também diminuem o desempenho, em função de que diminuindo a reoxigenação muscular dificultará a absorção do fosfato de creatina. Por exemplo, um estudo liderado por Gregory Dupont, cientista e preparador físico do Real Madrid e da seleção francesa de futebol, demonstrou que a recuperação ativa com baixa intensidade entre dois sprints de 15 e 30 segundos reduziria o desempenho no segundo sprint.9 Assim como este estudo, outros avaliaram o efeito de recuperações ativas ou passivas em diferentes tempos de duração, ou seja, 10 sprint de 5 segundos. Os resultados demonstraram que quando as recuperações são de curta duração, especialmente as de 1 minuto ou menos, a recuperação ativa diminui o desempenho nos sprints e na reoxigenação muscular.10 Também foi apresentado um estudo liderado por Martin Buchheit, diretor do departamento físico do Paris Saint Germain, que avaliou os efeitos da recuperação ativa ou passiva durante 21 segundos com 6 sprint de 4 segundos. Novamente, os resultados demonstraram uma piora no desempenho com a recuperação ativa, pois foram verificados níveis de saturação muscular menores, menor consumo de oxigênio e de lactato.11

Portanto, é importante informar que, em alguns casos, o objetivo pode manter ou sustentar o estres metabólico elevado durante as sessões e não cooperar com a recuperação. Por exemplo, em uma sessão de treinamentos com intervalos de alta intensidade com o claro objetivo de maximizar o consumo de oxigênio, a intensão pode ser a de aprimorar o tempo que o atleta se exercita com tal intensidade.12 Por isso, em alguns casos, especialmente quando os períodos de recuperação são prolongados, ou seja, superiores a 3 minutos, realizar uma recuperação ativa com baixa intensidade entre séries de exercícios poderá manter a cinética da oxigenação elevada e aumentar o tempo de maximização consumo de oxigênio, mesmo que exista uma fadiga maior; por tanto, a possibilidade de diminuir o desempenho nas séries deve ser levada em consideração.12

 

Conclusões

Para finalizar, mesmo com a popularidade, não há suficientes evidências que argumentem de forma unânime os benefícios de uma recuperação ativa depois de sessões de treinamentos intensos ou mesmo de um jogo. Além de tudo, a recuperação ativa entre os esforços em uma mesma sessão de treinamento, pode influenciar diretamente na qualidade do desempenho, especialmente se são esforços de curta duração e intensidade, por exemplo, sprints e se o tempo de recuperação for pequeno. Entretanto, a recuperação ativa pode contribuir com determinados benefícios psicológicos e ajudar com o aumento do estres metabólico durante as sessões de treinamento com o objetivo de maximizar as adaptações aos treinamentos.

 

Pedro L. Valenzuela

 

Referências

  1. Nédélec M, McCall A, Carling C, Legall F, Berthoin S, Dupont G. Recovery in soccer: Part II-recovery strategies. Sport Med. 2013;43(1):9-22. doi:10.1007/s40279-012-0002-0
  2. Menzies P, Menzies C, McIntyre L, Paterson P, Wilson J, Kemi OJ. Blood lactate clearance during active recovery after an intense running bout depends on the intensity of the active recovery. J Sports Sci. 2010;28(9):975-982. doi:10.1080/02640414.2010.481721
  3. Brooks GA. Lactate doesn’t necessarily cause fatigue: Why are we surprised? J Physiol. 2001;536(1):1. doi:10.1111/j.1469-7793.2001.t01-1-00001.x
  4. Fairchild TJ, Armstrong AA, Rao A, Liu H, Lawrence S, Fournier PA. Glycogen synthesis in muscle fibers during active recovery from intense exercise. Med Sci Sports Exerc. 2003;35(4):595-602. doi:10.1249/01.MSS.0000058436.46584.8E
  5. Andersson H, Raastad T, Nilsson J, Paulsen G, Garthe I, Kadi F. Neuromuscular fatigue and recovery in elite female soccer: Effects of active recovery. Med Sci Sports Exerc. 2008;40(2):372-380. doi:10.1249/mss.0b013e31815b8497
  6. Andersson H, Bøhn SK, Raastad T, Paulsen G, Blomhoff R, Kadi F. Differences in the inflammatory plasma cytokine response following two elite female soccer games separated by a 72-h recovery. Scand J Med Sci Sport. 2010;20(5):740-747. doi:10.1111/j.1600-0838.2009.00989.x
  7. Andersson H, Karlsen A, Blomhoff R, Raastad T, Kadi F. Active recovery training does not affect the antioxidant response to soccer games in elite female players. Br J Nutr. 2010;104(10):1492-1499. doi:10.1017/S0007114510002394
  8. Dupuy O, Douzi W, Theurot D, Bosquet L, Dugué B. An evidence-based approach for choosing post-exercise recovery techniques to reduce markers of muscle damage, Soreness, fatigue, and inflammation: A systematic review with meta-analysis. Front Physiol. 2018;9(APR):1-15. doi:10.3389/fphys.2018.00403
  9. Dupont G, Moalla W, Matran R, Berthoin S. Effect of short recovery intensities on the performance during two Wingate tests. Med Sci Sports Exerc. 2007;39(7):1170-1176. doi:10.1249/mss.0b013e31804c9976
  10. Ohya T, Aramaki Y, Kitagawa K. Eff ect of Duration of Active or Passive Recovery on Performance and Muscle Oxygenation during Intermittent Sprint Cycling Exercise. Int J Sports Med. 2013;34:616-622. doi:10.5432/jjpehss.12060
  11. Buchheit M, Cormie P, Abbiss CR, Ahmaidi S, Nosaka KK, Laursen PB. Muscle deoxygenation during repeated sprint running: Effect of active vs. Passive recovery. Int J Sports Med. 2009;30(6):418-425. doi:10.1055/s-0028-1105933
  12. Buchheit M, Laursen PB. High-intensity interval training, solutions to the programming puzzle: Part I: Cardiopulmonary emphasis. Sport Med. 2013;43(5):313-338. doi:10.1007/s40279-013-0029-x

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