BIHUB PATH

August 25, 2021

Nutrição

Quando os atletas suam e como se reidratam os profissionais de futebol?

By Adrián Castillo.

Os atletas de futebol realizam atividades intermitentes de alta intensidade que, durante uma partida, tem um consumo excessivo dos depósitos de glicogênio (forma que os carboidratos ficam armazenados no fígado e nos músculos) e a elevação dos índices fisiológicos que podem acelerar o surgimento da fadiga.1,2 Por isso, Asker Jeukendrup recentemente sugeriu uma revisão completa e ampla com o objetivo de avaliar os suplementos que contenham carboidratos antes e durante os jogos (~ 30 a 60 g/h de uma solução com carboidratos entre 6 e 7%), pois é provável que aumente a reabsorção da glicose e melhore o desempenho nos esportes de equipe.3 Além da redução da substância energética, as atividades de alta intensidade levam ao aumento da temperatura corporal, desencadeando uma série de mecanismos de termorregulação que tem como objetivo dissipar calor do organismo e manter a homeostase fisiológica: redistribuição do fluxo sanguíneo até a pele e consequente aumento da sudorese. É muito comum que os atletas tenham perda de líquidos corporais durante as atividades, sejam elas treinamentos ou jogos, sobretudo quando a intensidade e a temperatura são mais elevadas.

Apesar de todas as evidências não exclusivas, diferentes pesquisas indicam que a desidratação que os atletas sofrem durante um jogo pode afetar seu desempenho físico, técnico e comprometer de as atividades de forma geral.4,5 A margem de desidratação de 2% pode ser aceita, mas isso afetará o desempenho esportivo, levando em consideração que os atletas atravessam uma etapa de normohidratação (quantidade normal de líquidos corporais) antes de iniciar atividades físicas.6 Por isso, um dos principais objetivos dos preparadores físicos e nutricionistas é o de manter excelentes índices de hidratação para assim evitar esse teto de 2% durante as atividades e com isso garantir constantes reabsorções de carboidratos.

Um dos problemas que os esportes de elite enfrentam, na maioria das vezes, justamente está relacionado com os valores de referência indicados pelas recentes pesquisas realizadas com atletas amadores ou semiprofissionais. Os técnicos somente contam com esses dados para responderem a perguntas como: Como a intensidade das atividades afeta a temperatura e as condições de hidratação dos atletas profissionais? Quais são as indicações para o consumo de líquidos e carboidratos sob diferentes condições ambientais e desempenho?

Neste sentido, os renomados pesquisadores Ian Rollo, Rebecca K. Randell, Asker Jeukendrup e membros do Departamento médico do FC Barcelona e Javier Yanguas, Daniel Medina, Antonia Lizarraga e Jordi Mesalles, pesquisaram sobre o equilíbrio da hidratação e o consumo de carboidratos em atletas de elite de futebol do FC Barcelona durante as atividades de treinamentos com diferentes intensidades e temperaturas.7 Para conseguirem resultados evidentes, foram auferidas perdas através da transpiração e o consumo de sódio no período ad libitum de líquidos e carboidratos em 14 atletas de elite durante atividades de treinamento realizadas em 4 situações diferentes:

  1. FB: frio com baixas temperaturas entre 15 ± 7 °C e umidade relativa do ar entre 66 ± 6% e baixa intensidade (RPE de 2-4).
  2. FA: frio e alta intensidade (RPE de 6-8).
  3. CB: calor e temperatura entre 29 ± 1 °C e umidade relativa do ar entre 52 ± 7% e baixa intensidade.
  4. CA: calor e alta intensidade.

Os resultados demonstraram que a intensidade e as condições ambientais tiveram grande influência na taxa de sudorese a ponto de influenciar o desempenho durante os treinamentos mais intensos e com temperaturas mais elevadas, provocando maior sudorese entre os atletas (CA: 1,43 ± 0,23 L/h; CB: 0,81 ± 0,17 L/h; FA: 0,98 ± 0,21 L/h FB: 0,55 ± 0,20). É importante destacar que, em nenhuma das condições apresentadas, os atletas ultrapassaram o teto de 2% indicado como limite saudável de desidratação, mesmo naqueles grupos CA e FA que demonstraram maiores índices de desidratação sem mesmo apresentarem diferenças entre si. De acordo com os autores da pesquisa, “independente da intensidade das atividades, há possibilidades de que o uso de roupas em condições de temperaturas menos elevadas gera resultados imprecisos”. A desidratação em dias com a incidência de temperaturas mais baixas pode acontecer em função da taxa de sudorese inferior e o uso de diferentes tipos de roupas, assim como o consumo de líquidos reduzido durante as atividades.

Uma pesquisa demonstrou que a sudorese aumenta em determinadas situações e os atletas não devem ultrapassar o teto de 2% de desidratação recomendados, pois o consumo de líquidos está diretamente relacionado à sudorese: quando mais sudorese os atletas têm maior é o consumo de bebidas (Figura 1). Um aspecto importante a ser destacado nesta matéria é que os atletas expostos nos 4 testes realizados apresentaram desidratação auferida através de testes de urina. Em função disto, de acordo com os pesquisadores “provavelmente as informações sobre o equilíbrio da hidratação subestime o índice de desidratação posterior às atividades realizadas”. Mesmo que existam evidências sugerindo que os treinamentos em condições de desidratação podem atenuar as consequências associadas a ela, o desempenho é aprimorado quando os atletas retornam ao normohidratação seja em jogos ou em treinamentos.8 Portanto, é importante e fundamental repassar as informações a todos os atletas sobre a importância de hidratar-se durante as diferentes situações, já que isso pode reduzir riscos e aprimorar o próprio desempenho.

Figura 1. A relação entre a taxa de sudorese e o volume de líquidos consumidos durante todas as sessões de treinamento foi importante (p = 0,019).7

Com relação ao consumo de carboidratos existe uma grande variação entre os atletas (faixa de 0 a 38 g/h) sem diferenças expressivas durante os 4 testes realizados. A grande maioria dos atletas segue às recomendações mínimas para o consumo de carboidratos propostas pelo Conselho Americano de Medicina do Esporte (ACSM por suas siglas em inglês) de 30 a 60 g de carboidratos por hora para jogos com duração entre 1 e 2,5 horas.9

Conclusões

Essas informações demonstram a variabilidade das condições de hidratação, consumo de líquidos e de carboidratos em função da intensidade dos treinamentos e das temperaturas para o futebol de elite. Por isso, as recomendações são para o consumo de carboidratos e de líquidos em geral de maneira personalizada, ou seja, de acordo com as necessidades individuais do atleta e as condições de jogo.

 

Referências:

  1. San-Millán, I., Hill, J. C. & Calleja-González, J. Indirect Assessment of Skeletal Muscle Glycogen Content in Professional Soccer Players before and after a Match through a Non-Invasive Ultrasound Technology. Nutrients vol. 12 (2020).
  2. Armstrong, L. E. et al. Thermal and circulatory responses during exercise: effects of hypohydration, dehydration, and water intake. J. Appl. Physiol. 82, 2028–2035 (1997).
  3. Baker, L. B., Rollo, I., Stein, K. W. & Jeukendrup, A. E. Acute Effects of Carbohydrate Supplementation on Intermittent Sports Performance. Nutrients vol. 7 (2015).
  4. Mohr, M. & Krustrup, P. Heat Stress Impairs Repeated Jump Ability After Competitive Elite Soccer Games. J. Strength Cond. Res. 27, (2013).
  5. McGregor, S. J., Nicholas, C. W., Lakomy, H. K. A. & Williams, C. The influence of intermittent high-intensity shuttle running and fluid ingestion on the performance of a soccer skill. J. Sports Sci. 17, 895–903 (1999).
  6. McDermott, B. P. et al. National Athletic Trainers’ Association Position Statement: Fluid Replacement for the Physically Active. J. Athl. Train. 52, 877–895 (2017).
  7. Rollo, I. et al. Fluid Balance, Sweat Na+ Losses, and Carbohydrate Intake of Elite Male Soccer Players in Response to Low and High Training Intensities in Cool and Hot Environments. Nutrients vol. 13 (2021).
  8. Fleming, J. & James, L. J. Repeated familiarisation with hypohydration attenuates the performance decrement caused by hypohydration during treadmill running. Appl. Physiol. Nutr. Metab. 39, 124–129 (2013).
  9. Nutrition and Athletic Performance. Med. Sci. Sport. Exerc. 48, (2016).

KNOW MORE

¿VOCÊ QUER SABER MAIS?

  • ASSINAR
  • CONTATO
  • CANDIDATAR-SE

FIQUE ATUALIZADO COM NOSSAS NOVIDADES

Você tem dúvidas sobre o Barça Universitas?

  • Startup
  • Centro de investigação
  • Corporate

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

O formulário foi enviado com sucesso.

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

O formulário foi enviado com sucesso.

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

O formulário foi enviado com sucesso.