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10 August, 2020

QUANDO A EVIDÊNCIA CIENTÍFICA E CRENÇAS DOS ATLETAS NÃO COINCIDEM

Rendimento Desportivo
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Nos esportes de equipe, o placar final de uma partida não é exclusivo do técnico ou dos atletas. A sorte ou o bom desempenho da equipe adversária pode ocasionar um resultado indesejado, apesar de realizarem jogadas brilhantes. Talvez seja por isso que as superstições e as crenças que os atletas erroneamente desenvolvem tenham um lugar significativo em sua preparação para os campeonatos.1,2 Por se tratar de pequenas ações como, por exemplo, evitar a cor amarela nos equipamentos ou a necessidade de pisar duas vezes seguidas com o pé direito ao entrar em campo. Mas também podem afetar as atividades físicas incluídas nos protocolos de prevenção a lesões ou na proposta de aquecimento pré-jogo.

 

As crenças dos atletas podem se confrontarem com a evidência científica que geralmente sustenta as rotinas de interferência do corpo técnico. A Figura 1 apresenta a relação entre a potência das evidências científicas e a força nas crenças dos atletas quando a intenção é modificar ou introduzir um comportamento ou uma interferência nova que poderia melhorar o desempenho. Quando a evidência científica concorda com as crenças de um atleta, é relativamente fácil evitar ou introduzir uma nova perspectiva (quadrante 1). Se um atleta desenvolver comportamentos que não são sustentados pela ciência, pode ser melhor suportar a atividade e esperar o momento oportuno onde o desempenho não seja o esperado, o que poderia abrir um leque de oportunidades para aprender a adotar perspectivas mais concretas cientificamente (quadro (quadrante 2). Quando a evidência científica que acontecerá, é preciso ser paciente e entendê-lo. No momento apropriado, é recomendável falar sobre os modelos de atletas que adotam interferências com bases científicas. Pode ser mais fácil conseguir a aceitação do atleta e tentar uma nova interferência com bases em evidências científicas em um período da temporada que não seja de alto risco para atingir as metas no âmbito esportivo (quadrante 3). Se as crenças dos atletas e a evidência científica concordam em avaliar negativamente uma atuação, o recomendável é não o utilizar (quadrante 4).

 

A decisão mais adequada de um técnico quanto ao que fazer em cada momento, qual a melhor recomendação a seguir ou ainda o que os atletas acreditem ser o melhor a fazer, é a chave para não gerar conflitos desnecessários e conseguir deles a melhor versão possível. É conveniente considerar que, as superstições que os atletas acreditam podem ser uma fonte importante para sua auto confiança. Pode não ser uma boa ideia interferir em seus hábitos antes de um jogo de grande importância. Deste mesmo modo, as crenças erradas ou a falta de convicção dos atletas, mediante uma medida proposta pelos preparadores físicos pode conduzi-los ao sucesso.

 

Definitivamente é preciso ter em mente que, uma equipe é constituída por diferentes pessoas, com culturas esportivas distintas e com crenças muitas vezes contrárias às propostas da evidência científica. Trata-se de buscar o momento ideal para convencer e alterar um comportamento que não é o apropriado para um atleta, ainda que ele ou ela acreditem ser o contrário. A ciência, as crenças dos atletas e a tradição podem apontar em diferentes direções. O importante é ter conhecimento e propor rotinas mais adequadas de preparação sustentadas pela ciência assim como saber lidar com os atletas e suas crenças.

 

Figura 1: relações entre a evidência científica e as crenças dos atletas quando a intenção é modificar um comportamento ou uma interferência que poderia melhorar o desempenho. Fonte: retirado do @davidtmartin.

Carlos Lago Peñas

 

Referências

1 Buchheit, M. (2017). Houston, We Still Have a Problem. Int. J. Sports Physiol. Perform. 12, 1111-1114.

2 Calleja-González J, Terrados N, Martín-Acero R, Lago-Peñas C, Jukic I, Mielgo-Ayuso J, Marqués-Jiménez D, Delextrat A and Ostojic S (2018) Happiness vs. Wellness During the Recovery Process in High Performance Sport. Front. Physiol. 9:1598.

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