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February 15, 2022

Futebol

Quais são os valores educacionais do esporte?

By Carlos Lago Peñas e Francisco Seirul·lo Vargas.

O valor educacional do esporte tem sido tradicionalmente justificado por três grandes motivos:

  1.  permite desenvolver a disciplina, o altruísmo e o senso de jogo limpo;
  2. competição ajuda a melhorar e
  3. o esporte prepara para a vida porque ensina a competição.1

Infelizmente, isto não é verdade. Ou pelo menos não é válido para todos os atletas e situações de treino. Deve-se ter em mente que o esporte não tem nenhuma virtude mágica. Pode despertar o sentimento de solidariedade e cooperação, bem como engendrar um espírito individualista. Pode educar o respeito pela norma, bem como fomentar a sensação de trapaça. 2

O valor educativo da prática esportiva depende de como o treinador gerencia as condições em que as pessoas aprendem esse esporte. O que é educativo não é o aprendizado de técnicas ou táticas. Nem mesmo os benefícios físicos e psicológicos de uma boa preparação física. O que é realmente e somente educacional são as condições em que as sessões e tarefas de aprendizagem são realizadas. 3-5

Como estimular o auto-aperfeiçoamento

A chave está nos processos internos que se manifestam no esportista quando ele é submetido a um ambiente de prática que o obriga a se comprometer ativamente e a tomar decisões livremente. Melhorar o jogador tem a ver com o envolvimento ativo de todas as estruturas mentais, cognitivas, coordenativas, condicionais, afetivo-sociais, emocionais-volitivas, expressivas-criativas e bioenergéticas que sustentam as ações individuais dos jogadores. As situações que o coach projeta devem permitir a autorreflexão e o autoconhecimento para criar uma visão pessoal de cada experiência de treino. Trata-se de ajudar o esportista melhorar a si mesmo. Por isso não se trata de escolher um método ou outro, ou um tipo de exercício ou os contrários. A chave não é decidir se deve usar uma metodologia global ou analítica ou uma descoberta guiada. Você tem que pensar no jogador e projetar as condições da tarefa que permitem que ele se auto-aprimore. A prática deve ser entendida como uma atividade global que permite ao atleta ser um verdadeiro participante e não alguém sujeito ao cumprimento das obrigações propostas pelo treinador. Trata-se de construir um ambiente de prática onde tenha uma troca de informações entre o jogador e o treinador, mas sobretudo uma atividade motora onde o mais importante é o contributo dos jogadores e a sua interpretação do que acontece. Quanto melhor o esportista for capaz de analisar os sinais do ambiente de competição, quanto melhor ele souber interpretá-los, mais variadas e rápidas soluções ele poderá tomar e tudo isso baseado nas necessidades de seus companheiros, sendo assim melhor seu nível de desempenho. O trabalho do treinador é modificar o contexto da prática para orientar a interpretação pessoal dos jogadores na linha que deseja.

Condições para crescer como esportista

Como podemos construir condições de treino em tarefas que permitam o crescimento dos esportistas? Pelo menos quatro condições devem ser satisfeitas:

  • As situações de aprendizagem devem permitir identificar e priorizar os estímulos de si mesmo e do ambiente para realizar o comportamento desejado.
  • Os jogadores devem propor estratégias de decisão variadas e adaptadas às demandas da situação a ser resolvida.
  • Diferentes estratégias de programação e execução devem ser envolvidas dependendo dos recursos pessoais de cada jogador.
  • A autoavaliação e o autocontrole pelo atleta devem estar presentes através da avaliação da tarefa pela sua própria execução e resultado.

Duas ideias finais. Parece, portanto, necessário banir aquela frase que costuma ser usada para justificar a prática de esportes nos mais jovens: o importante é participar. Isso não é suficiente para melhorar. É antes uma questão de se comprometer em cada exercício para ajustar suas próprias habilidades motoras às necessidades do ambiente de prática e então entender quais são as possibilidades para poder melhorar e ter sucesso. Em segundo lugar, treinar jogadores experientes ou crianças que estão começando em um esporte não é muito diferente. Em ambos os casos, a atenção do treinador deve ser direcionada para os processos internos que são gerados no treinamento. A diferença terá a ver com a organização das condições de prática para que permitam o auto-aperfeiçoamento desde o nível mais alto ou mais baixo que o atleta possui.

Treinar é trocar informação para ajudar os esportistas a melhorarem a si mesmos. 7

Referências:

1  Devís, J. (1996). Educación Física, Deporte y Curriculum. Madrid: Visor.

2 Parlebas, P. (1988): Elementos de Sociología del Deporte. Málaga: Unisport.

3 Seirul.lo, F. (2009). Una línea de trabajo distinta. Revista de Entrenamiento Deportivo, 23(4): 13-18.

4 Seirul.lo, F. (1998): Valores educativos del deporte en D. Blázquez (ed): La iniciación deportiva y el deporte escolar (2ª edición), pp. 61-75, Barcelona: INDE.

5 Seirul.lo, F. (2010). Estructura sociafectiva. Documento INEFC – Barcelona. Tomado de: http://www.motricidadhumana.com/estructura_socioafectiva_doc_seirul_lo_Outline_drn.pdf

7 Lago Peñas, C. y Seirul.lo, F. (2021). La dirección del entrenamiento y el partido en el Fútbol y los Deportes de Equipo. Próxima publicación.

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