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August 6, 2021

Futebol

Quais são os possíveis efeitos das férias nos futebolistas?

O verão está próximo, e com ele o final de muitas competições que os futebolistas enfrentam regularmente (Liga, Champions, Copa do Rei, etc.). Começa o desejado período de férias (4-6 semanas normalmente, embora possa ser menor) no qual muitos futebolistas limitam fortemente a sua carga de treino – muitas vezes paralisando-o completamente- fato que geralmente vai da mão de maior liberdade em termos nutricionais. No entanto, mesmo que sempre seja preciso o período de folga tanto física quanto mentalmente para fazer frente à temporada seguinte, ele pode trazer importantes consequências negativas no desempenho dos futebolistas: trata-se do efeito conhecido como ‘destreinamento’.

Chama-se ‘destreinamento’ à perda de capacidades físicas consequência da redução na carga de treinamento1. A literatura científica tem amplamente descrito que deixar de treinar por várias semanas pode trazer efeitos negativos no desempenho dos atletas. Por exemplo, há quase 30 anos uma pesquisa observou que um grupo de corredores -que tinha deixado de treinar por 2 semanas- refletiu uma diminuição do 5% do consumo de oxigênio, o que foi acompanhado por uma limitação do 10% no tempo de resistência num teste incremental de esforço2. Portanto, ainda períodos curtos sem treinar podem supor importantes consequências. É por isso que ao longo das férias é normal incluir um período de transição para a nova temporada. Desse jeito, após um pequeno prazo de interrupção total do treino, costuma-se incluir outro período no qual o esportista adiciona progressivamente a carga de treinamento tentando não só melhorar fisicamente -ou diminuir o deterioro neste aspecto-, mas também evitar lesões na hora de voltar às competições. 

Contudo, mesmo que a evidência tenha crescido bastante nos últimos anos, ainda são desconhecidos os efeitos reais das férias nos futebolistas. É por isso que uma revisão sistemática publicada pela revista de prestígio Sports Medicine tentou fazer um resumo das provas científicas ligadas àquele assunto3. Após uma longa busca, os autores acharam 12 pesquisas sobre futebolistas que avaliavam períodos de destreinamento ou férias com um prazo de 2 a 12 semanas. A análise dos levantamentos mostrou que os períodos de férias associados com uma paralisação total do treinamento geraram um incremento da massa adiposa junto com o pioramento do consumo máximo de oxigênio, do desempenho em testes intermitentes como o “Yoyo teste”, do pulo vertical e da capacidade para fazer sprints repetidos. Por outra parte, os investigadores observaram que, se ao longo das férias os atletas completaram algum programa de treinamento adaptado, o declínio do consumo máximo de oxigênio e da capacidade para fazer sprints repetidos foi bem menor se comparado com a paralisação completa no treino. De qualquer jeito, o incremento da massa adiposa assim como a queda no desempenho no pulo vertical e sprint foi similar, tenha havido treinamento ou não.  

Esses resultados refletem as importantes consequências que as férias podem produzir no estado físico dos jogadores de futebol, gerando efeitos negativos tanto na composição corporal quanto no desempenho. Ao mesmo tempo, essas consequências podem incrementar o risco de lesão no começo da nova temporada, pelo qual é fundamental fazer uma progressão adequada das cargas no treinamento e começar o período de competição paulatinamente. 

É preciso falar que, de acordo com essa meta-análise, implementar programas de treinamento adaptados ao longo das férias poderia diminuir parcialmente o destreinamento. Ainda assim, como explicam os autores, a maioria dos programas implementados na literatura científica não conseguiu evitar totalmente os efeitos negativos do destreinamento. Os resultados, portanto, estimulam a implementação de programas de treinamento nas férias, mesmo que seja preciso aprimorá-los para limitar ao máximo possível as consequências do destreinamento, permitindo o descanso físico e mental dos atletas. Nessa linha tem se proposto que, para evitar o destreinamento, o objetivo seja manter ou ainda incrementar a intensidade dos treinamentos, mesmo diminuindo o volume deles. Diversos estudos feitos sobre futebolistas observaram que, se ao longo de uma época de destreinamento de 2 semanas se reduz 30% do volume de treinamento, mas incluindo algumas sessões de alta intensidade, é possível evitar as adaptações negativas e até conseguir melhoras no desempenho4 5. Portanto, nas férias seria recomendável optar pelo treinamento de alta intensidade e de força para voltar à nova temporada nas melhores condições possíveis.   

Conclusões

Apesar das férias serem necessárias tanto física quanto mentalmente, elas podem trazer importantes consequências negativas no desempenho e na composição do corpo dos jogadores de futebol, questão que vai se refletir no risco de lesão e na performance no começo da nova temporada. É preciso implementar programas de treinamento adaptados ao longo destes períodos, tentando manter a intensidade dos treinos (mediante sessões de treinamento por intervalos de alta intensidade ou força, por exemplo) mesmo com forte redução no volume deles. 

 

Pedro L. Valenzuela

 

Referências

  1. Mujika I, Padilla S. Detraining: Loss of training induced physiological and performance adaptation. Part I. Short term insufficient training stimulus. Sport Med. 2000;30(2):79-87. doi:10.2165/00007256-200030020-00002
  2. Houmard JA, Hortobagyi T, Johns RA, et al. Effect of short-term training cessation on performance measures in distance runners. Int J Sports Med. 1992;13(8):572-576. doi:10.1055/s-2007-1024567
  3. Clemente FM, Ramirez-Campillo R, Sarmento H. Detrimental Effects of the Off-Season in Soccer Players: A Systematic Review and Meta-analysis. Sport Med. 2021;51(4):795-814. doi:10.1007/s40279-020-01407-4
  4. Christensen PM, Krustrup P, Gunnarsson TP, Kiilerich K, Nybo L, Bangsbo J. VO2 kinetics and performance in soccer players after intense training and inactivity. Med Sci Sports Exerc. 2011;43(9):1716-1724. doi:10.1249/MSS.0b013e318211c01a
  5. Thomassen M, Christensen PM, Gunnarsson TP, Nybo L, Bangsbo J. Effect of 2-wk intensified training and inactivity on muscle Na +-K+ pump expression, phospholemman (FXYDI) phosphorylation, and performance in soccer players. J Appl Physiol. 2010;108(4):898-905. doi:10.1152/japplphysiol.01015.2009

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