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4 September, 2020

Perfil de força, velocidade e potência durante a competição

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Uma das principais características dos atletas de elite é a sua capacidade de realizar ações com máxima velocidade. É de vital importância isso, pois ficou constatado que a maioria dos gols acontecem depois de um excelente sprint. Por exemplo, um dos estudos realizados comprovou que os gols da Bundesliga ao longo da segunda metade da temporada de 2007 e 2008 (1) aconteceram logo de um sprint em 45% dos casos. Portanto, a capacidade de criar elevados índices de potência e que sejam efetivos ao longo de uma temporada no qual pode se tornar um marcador e ajudar a fomentar o estado e condições físicas dos atletas.

Assim, quantificar a máxima potência que um atleta pode produzir em um determinado momento se tornou uma ferramenta valiosa que contribui com informações valiosas para os técnicos no momento de determinar déficits, desenvolvendo e criando planos personalizados para cada um dos atletas.

Como podemos valorizar um perfil de força, velocidade e potência durante um sprint?

Atualmente existem dois testes que são realizados em campo de maneira simples e fácil, mas que requer de possibilidades para avaliar o perfil de força, velocidade e potência (FVP): teste de salto vertical e sprint. O teste de salto vertical, apesar de estar relacionado às habilidades físicas também é o método mais usado para aferir a potência dos membros inferiores, pois dá resultados com informações específicas sobre a capacidade de gerar força em um sentido vertical. Entretanto, se quisermos auferir o perfil FVP no sentido horizontal, Samozino e colaboradores propõem um teste de sprint entre 30 e 60 metros que determinará, de maneira segura, as variáveis do perfil FVP (Figura 1) (2).

Figura 1. O perfil FVP obtido depois de um sprint. Adaptado de Jiménez-Reyes et al., 2018 (3).

Este teste pode colaborar com a determinação de quais componentes são indicados para aprimorar rotinas de trabalho com o objetivo de corrigir os déficits mais específicos de cada atleta. Por exemplo, como podemos observar na figura 2, dois atletas de rugby participaram de um teste de sprint com 30 metros e os resultados foram muito parecidos em relação à potência e o tempo de execução. Um programa semelhante para esses dois atletas será excelente e necessitará de adaptações específicas para cada um dos atletas. Ao contrário, se analisarmos todos os componentes dos perfis, poderemos observar que o atleta B deveria reforçar a máxima potência, enquanto que o atleta A apresenta uma melhor eficácia na aplicação da força à medida que acelera e, por isso, trabalhar focalizando o melhor rendimento no déficit de velocidade (4).

Figura 2. Os perfis FVP horizontais com os dois atletas de elite do rugby com sprint máximos de 30 metros. Adaptado por Morin & Samozino, 2016. (4).

Ao saber da importância de realizar ações que requerem explosão durante o rendimento, recomendamos manter um perfil FVP em excelentes condições ao longo de toda a temporada. Neste sentido, uma meta-análise recente demonstrou que, se ao incluir no treinamento geral de trabalho atividades específicas de força, como pliometria, velocidade ou sprint poderá contribuir para melhorar as condições dos atletas caso só existam treinamentos com ações gerais para o futebol (5). Essas medidas ressaltam a importância de estender um trabalho específico para além das temporadas, pois os estímulos destes treinamentos com bola poderão serem suficientes para minimizar os efeitos da fadiga acumulada ao longo das competições com os perfis FVP.

 

Qual a variabilidade dos perfis FVP em um elenco ao longo de uma temporada?

Assim, saber mais sobre a variação dos diferentes parâmetros que determinam o perfil FVP dos distintos atletas ao longo de uma temporada poderá contribuir nas decisões personalizadas para que se mantenha um excelente perfil/rendimento nos momentos mais importantes de uma competição. Recentemente foi publicado o um estudo exclusivo que analisou as oscilações de um elenco de elite e seu perfil FVP ao longo de uma temporada, inclusive pré-temporada e pós-temporada. Com essas informações os renomados pesquisadores Dr. Pedro Jiménez-Reyes e o Dr. Jean-Benoît Morin verificaram os testes de sprint, através da medição por radar de 21 atletas da Primeira divisão espanhola de futebol em 6 momentos diferentes: pré-temporada, 4 períodos da temporada e a pré-temporada seguinte (6).

Os resultados demonstraram que existem 3 variáveis de perfil FVP sofreram alterações expressivas ao longo da temporada: força máxima (F0), potência máxima (Pmax) e o máximo de valor da taxa de força (RFpeak). Ao contrário, não foram observadas alterações significativas nas outras 3 variáveis: velocidade máxima (v0), pendente de força e velocidade (FVslope) e a variável que determina a diminuição das taxas de força à medida que aumenta a aceleração (DRF, por suas siglas em inglês, ratio of horizontal-to-resultant force). Como vemos na figura 3, F0, Pmax y RFpeak obtiveram seus valores máximos ao longo da primeira metade da temporada (pontos 2 e 3), mas diminuíram na metade final dela. Em função que a F0 y RFpeak são variáveis que se relacionam com a máxima capacidade de aceleração, esses resultados sugerem que os atletas de elite devem realizar treinamentos mais específicos com o claro objetivo de melhorar o rendimento do sprint e assim evitar a queda nas variações relacionadas com a capacidade máxima de aceleração ao final da temporada. Por outro lado, a diminuição do F0 é importante inclusive do ponto de vista do rendimento, porque em diferentes estudos foram sugeridos que a diminuição pode estar associada a um maior risco de lesões isquiotibiais (7,8).

Figura 3. Evolução das variações do perfil FVP de um sprint em diferentes momentos da temporada. Adaptado de Jiménez-Reyes et al., 2020 (6). Pré 1 e Pré 2, Pré-temporada 1 e 2; Em 1, 2, 3 e 4 pontos 1, 2, 3 e 4 em uma temporada.

Em resumo, mesmo que essas informações não sejam aplicáveis a todos os elencos, temos referências sobre o que podemos trabalhar e melhorar durante os treinamentos na última metade de uma temporada. Além disso, já que o perfil FVP sinaliza pontos deficientes de um atleta em relação ao seu déficit, também oferece a possibilidade de implementar propostas de trabalho mais personalizadas e específicas para cada atleta.

 

 

BIHUB team

 

Referências:

  1. Faude O, Koch T, Meyer T. Straight sprinting is the most frequent action in goal situations in professional football. J Sports Sci. 2012;30(7):625–31.
  2. Samozino P, Rabita G, Dorel S, Slawinski J, Peyrot N, Saez de Villarreal E, et al. A simple method for measuring power, force, velocity properties, and mechanical effectiveness in sprint running. Scand J Med Sci Sports. 2016;26(6):648–58.
  3. Jiménez-Reyes P, Samozino P, García-Ramos A, Cuadrado-Peñafiel V, Brughelli M, Morin J-B. Relationship between vertical and horizontal force-velocity-power profiles in various sports and levels of practice. PeerJ. 2018;6:e5937–e5937.
  4. Morin J-B, Samozino P. Interpreting Power-Force-Velocity Profiles for Individualized and Specific Training. Int J Sports Physiol Perform. 2016;11(2):267–72.
  5. García-Ramos A, Haff GG, Feriche B, Jaric S. Effects of different conditioning programmes on the performance of high-velocity soccer-related tasks: Systematic review and meta-analysis of controlled trials. Int J Sports Sci Coach. 2018;13(1):129–51.
  6. Jiménez-Reyes P, Garcia-Ramos A, Párraga-Montilla JA, Morcillo-Losa JA, Cuadrado-Peñafiel V, Castaño-Zambudio A, et al. Seasonal Changes in the Sprint Acceleration Force-Velocity Profile of Elite Male Soccer Players. J Strength Cond Res. 2020;
  7. Mendiguchia J, Samozino P, Martinez-Ruiz E, Brughelli M, Schmikli S, Morin J-B, et al. Progression of mechanical properties during on-field sprint running after returning to sports from a hamstring muscle injury in soccer players. Int J Sports Med. 2014;35(08):690–5.
  8. Mendiguchia J, Edouard P, Samozino P, Brughelli M, Cross M, Ross A, et al. Field monitoring of sprinting power–force–velocity profile before, during and after hamstring injury: two case reports. J Sports Sci. 2016;34(6):535–41.

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