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October 29, 2021

Futebol
Gestão de Lesões

Os riscos de voltar ao jogo no futebol de elite após uma lesão

By Carlos Lago Peñas.

O risco de lesões é muito elevado no futebol profissional, especialmente na hora das partidas. A taxa de lesões é 7 vezes maior se comparado com o treinamento1. É por isso que contar com todos os jogadores sãos e preparados para a competição é um dos grandes objetivos da preparação no futebol de alto nível. A despesa mensal de uma lesão de um jogador numa equipe que faz parte da Liga dos Campeões é de €500.0002. Além disso, obviamente é preciso adicionar as consequências negativas no desempenho das equipes. A derrota num jogo importante pode trazer sérios problemas esportivos e económicos nos clubes. O pronto retorno à quadra dos jogadores lesionados é uma das principais preocupações do treinador e da comissão técnica/médica. No entanto, é bem sabido que uma lesão prévia é um dos fatores de risco mais importantes para sofrer lesões recorrentes na mesma zona3,4

Uma pesquisa recente5 analisou como o número de treinos realizados desde o momento em que o jogador está disponível para jogar (return to play) até a partida influi na probabilidade de sofrer uma lesão. O estudo, publicado no British Journal of Sports Medicine em 2020 (https://bjsm.bmj.com/content/54/7/427), foi baseado na análise de 64 times de elite em 16 temporadas consecutivas (2001/2002 a 2016/2017). Um integrante da comissão técnica de cada clube registrou as lesões e participação em sessões de treinamento e partidas de cada jogador. O levantamento incluiu um total de 4.088 jogadores, 16.087 lesões, 4.805 primeiros jogos após o retorno de uma lesão, 1.571.448 sessões de treinamento e 303.637 jogos. Lesão foi definida como qualquer desconforto sofrido por um jogador em decorrência de uma partida ou sessão de treino e que faça com que o atleta não esteja disponível para participar do próximo treino ou partida. Apenas lesões moderadas e graves (aquelas que forçaram os jogadores a perder 8 dias ou mais) foram incluídas no estudo.

Os resultados sugerem algumas conclusões muito relevantes para a prática: (i) a frequência de lesões no primeiro jogo após uma lesão foi quase o dobro em comparação com a média que se teve durante a temporada: 46,9 vs. 25,0 lesões/1000 horas de jogo. (ii) Esta alta taxa de lesões deve-se principalmente a um aumento de 158% nas lesões musculares. No primeiro jogo após a lesão, a taxa de lesões musculares foi de 24,6 lesões/1000 horas de jogo, enquanto a média durante a temporada foi de 9,5 lesões/1000 horas de jogo. (iii) No entanto, não há diferenças significativas na taxa de lesões não musculares. (iv) Cada sessão de treinamento adicional que os jogadores completaram antes de jogar a primeira partida após a lesão reduziu um 7% a probabilidade de lesão. Esse valor chega a 13% para lesões musculares, enquanto não foi identificada uma conexão significativa entre o número de sessões realizadas e a ocorrência de lesão não muscular. Em qualquer caso, os resultados devem ser vistos com cautela. O conteúdo, a carga de treinamento, o nível de condição física ou o número de sessões que os jogadores fizeram antes de jogar o primeiro jogo após a lesão não foram controlados.

As aplicações práticas deste trabalho indicam vários aspectos a serem levados em consideração para reduzir o risco de sofrer uma nova lesão no retorno à competição: (i) O controle de cargas é um aspecto fundamental. Trata-se de estabelecer um retorno progressivo à atividade até que os jogadores se adaptem a um nível semelhante ao que será exigido na competição, evitando picos de carga agressivos demais. (ii) É necessário verificar se os jogadores são suficientemente capazes de usar suas habilidades no jogo de forma segura e eficiente. Um tempo mínimo para trabalhar as habilidades motoras e de movimento deveria ser garantido nos primeiros dias após o retorno à atividade, como estratégia para reduzir a probabilidade de lesões. (iii) A tarefa fundamental dos serviços médicos é informar objetivamente os atletas e treinadores sobre o estado de saúde e o risco de lesões ou mau desempenho. Finalmente são os atletas e treinadores que devem avaliar as informações e tomar a decisão de retornar à competição. O sucesso de uma boa decisão depende em grande medida de uma boa comunicação interna dentro das equipes de trabalho dos clubes6.

Referências

1 Ekstrand J, Hägglund M, Kristenson K, et al. Fewer ligament injuries but no preventive effect on muscle injuries and severe injuries: an 11-year follow-up of the UEFA champions League injury study. Br J Sports Med 2013;47:732–7.

2 Ekstrand, J. Keeping your top players on the pitch: the key to football medicine at a professional level. Br J Sports Med 2013; 47:723–724.

3 Hägglund M, Waldén M, Ekstrand J. Risk factors for lower extremity muscle injury in professional soccer: the UEFA Injury Study. Am J Sports Med 2013;41:327–35.

Hägglund M, Waldén M, Ekstrand J. Previous injury as a risk factor for injury in elite football: a prospective study over two consecutive seasons. Br J Sports Med 2006;40:767–72

5 Bengtsson H, Ekstrand J, Waldén M, et al. Br J Sports Med Epub ahead of print.. doi:10.1136/ bjsports-2019-100655.

6Ekstrand J, Lundqvist D, Davison M, D´Hooghe, M, Pensgaard, A. Communication quality between the medical team and the head coach/manager is associated with injury burden and player availability in elite football clubs Br J Sports Med 2019; 53: 304-308

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