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April 28, 2021

Os efeitos da falta de treinamentos e os riscos de que los atletas sobre de se lesionarem

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O desempenho esportivo depende, em grande parte, de fatores técnicos, táticos e fisiológicos, além de outras variáveis como resistência às lesões e o tempo de atividades que os atletas têm, pois isso é fundamental para suas carreiras. As lesões são uma das principais preocupações dentro do âmbito esportivo. O afastamento de um atleta não afeta somente ele, mas sim gera importantes consequências à equipe, pois compromete a preparação tática. O atleta lesionado deverá cumprir um determinado tempo de afastamento durante o campeonato e isso repercutirá, em última instância, na equipe.1 Por exemplo, 30% das lesões sofrida pelos atletas necessitam de 1 a 3 semanas de recuperação e consequente afastamento.2 A interrupção do preparo desses atletas em decorrência de doenças ou lesões provocarão a falta de treinamento, ou seja, debilidades físicas e motoras. O atleta sofrerá perdas parciais ou completas de suas aptidões físicas e motoras alcançadas em função dos treinamentos (o que, inclusive, pode causar aumento do peso corporal, redução de tônus e trofismo muscular, entre outras), em resposta a treinamentos insuficientes ou inexistentes.3 

Existem evidências que períodos relativamente curtos, ou seja, dias sem que realizem treinamentos leves podem provocar o esse efeito. Para pessoas mais jovens e saudáveis, ou seja, com idade média de 20 anos, existem evidências que somente dois dias de imobilização podem gerar quase 2% de perda no tônus e trofismo muscular,4 enquanto que 5 dias pode gerar uma diminuição de cerca de 3,5% e de 9% da força muscular.5 Um recente estudo publicado pelo Plos One demostrou que duas semanas sem treinamentos, durante o período de férias após uma temporada são o suficiente para contatarmos a redução do desempenho dos atletas. Em um teste intermitente de alta intensidade, os atletas semiprofissionais foram avaliados, e apesar dessa perda, o tempo não foi o suficiente para causar a deterioração de outros marcadores, como força ou sprint.6 Em uma revisão sistemática publicada pela Sports Medicine, os autores concluíram que os níveis de força podem ser mantidos por até 3 semanas sem que existam treinamentos adequados ou até mesmo a completa falta de treinamentos, mas períodos mais longos com até 7 semanas resultarão em perdas de 14,5% e 0,4% nos níveis de força. potência, respectivamente, em atletas de rugby e futebol de elite.7 

As consequências da falta de treinamento durante a pandemia

No atual contexto de pandemia, em que nos encontramos, os atletas também tiveram que se adaptar a situações excepcionais. Durante o período de afastamento e confinamento, que se proclamou em grande parte do mundo, foram obrigados a interromper a temporada e seu preparo habitual. Muitos atletas tiveram que suspender seus treinos habituais por algumas semanas devido à quarentena, assim como qualquer outra pessoa também teve nessa nova circunstância. Os resultados de estudos com modelos de falta de treinamento semelhante à situação vivenciada durante o confinamento, por exemplo, com redução do número de passos diários (ou seja, ao reduzir os níveis de atividades físicas diárias), podemos observar e verificar a deterioração fisiológica dos atletas que ficaram expostos durante a quarentena. Adultos com média de 36 anos, considerados fisicamente ativos (> 10.000 passos diários) que, durante 14 dias, reduziram o número de passos diários em 81% e aumentaram o tempo de sedentarismo em média em 4 horas por dia, apresentaram uma perda na capacidade cardiorrespiratória e trofismo muscular dos membros inferiores e marcadores de saúde cardiometabólica.8 Estudos avaliaram os efeitos de 14 dias com redução significativa de seus níveis de atividades físicas com 10.500 passos em média para 1.400 passos, algo semelhante ao que aconteceu durante o processo de confinamento, em que um grupo de jovens, teve queda de 7% no consumo máximo de oxigênio e perda de trofismo muscular de 3% nos membros inferiores, mas não nos superiores ou mesmo no tronco.9 Como vimos em estudos recentes, que acompanharam atletas de elite de badminton e as consequências sofridas pelo confinamento, apesar de manterem os treinandos em casa, é que seu sistema nervoso autônomo foi afetado, de acordo com as análises realizadas com as taxa de variabilidade cardíaca durante o desempenho, com perdas entre 6,5% e 11,5% em diferentes testes, tais como saltos ou força máxima de agachamento, respectivamente.10

A falta de treinamento em função de algumas semanas de pausa esportiva, seja em função de lesões ou doenças, férias e confinamento domiciliar, representa um importante retrocesso na preparação de qualquer atleta, principalmente nos de elite, não afetando apenas desempenho, mas podendo induzir a um maior risco de lesões. Por exemplo, em diferentes esportes, observamos que há uma taxa de lesões de 2 a 3 vezes maior durante os treinamentos para pré-temporada que durante as competições,11–15 em função da falta ou limitação no condicionamento físico dos atletas que retornam após as férias. Esse é um dos principais motivos para esse maior índice de lesões.16 Outro exemplo claro é o que aconteceu na Liga Nacional de Futebol ou NFL, após lockdown de mais de 3 meses em decorrência de greves ou paralisações, durante a qual os atletas não conseguiram treinar com regularidade.17 Nos primeiros 12 dias após o retorno, ocorreram 10 lesões no tendão de Aquiles, enquanto nas temporadas anteriores houve uma média de 5 lesões neste tendão ao longo da temporada.17

Conclusões

Devemos estar cientes dos efeitos adversos significativos que ocorrem em decorrência das paralisações esportivas, ocorridas após lesões, férias ou confinamento e tentar minimizar a interrupção dos exercícios físicos. Nos casos em que for inevitável, aplicaremos estratégias nutricionais (maior ingestão de proteínas, creatina, HMB etc.) e físicas (treinamentos tradicionais ou em função da imobilização de algum membro não pudermos realizá-lo, recorreremos a alternativas como a eletroestimulação, vibração ou contração isométrica voluntária) com o claro objetivo de evitar os efeitos negativos associados à falta de treinamento.

 

Javier S. Morales

 

Referências:

  1. Williams, S. et al. Time loss injuries compromise team success in Elite Rugby Union: A 7-year prospective study. Br. J. Sports Med. 50, 651–656 (2016).
  2. Rechel, J. A., Yard, E. E. & Comstock, R. D. An epidemiologic comparison of high school sports injuries sustained in practice and competition. J. Athl. Train. 43, 197–204 (2008).
  3. Mujika, I. & Padilla, S. Detraining: Loss of training induced physiological and performance adaptation. Part I. Short term insufficient training stimulus. Sport. Med. 30, 79–87 (2000).
  4. Kilroe, S. P. et al. Temporal Muscle-specific Disuse Atrophy during One Week of Leg Immobilization. Med. Sci. Sports Exerc. 52, 944–954 (2020).
  5. Wall, B. T. et al. Substantial skeletal muscle loss occurs during only 5 days of disuse. Acta Physiol. 210, 600–611 (2014).
  6. Joo, C. H. The effects of short-term detraining and retraining on physical fitness in elite soccer players. PLoS One 13, (2018).
  7. McMaster, D. T., et al. The development, retention and decay rates of strength and power in elite rugby union, rugby league and American football: A systematic review. Sports Medicine vol. 43 367–384 (2013).
  8. Bowden Davies, K. A. et al. Short-term decreased physical activity with increased sedentary behavior causes metabolic derangements and altered body composition: effects in individuals with and without a first-degree relative with type 2 diabetes. Diabetologia 61, 1282–1294 (2018).
  9. Krogh-Madsen, R. et al. A 2-wk reduction of ambulatory activity attenuates peripheral insulin sensitivity. J. Appl. Physiol. 108, 1034–1040 (2010).
  10. Valenzuela P. L., Rivas F. & Sánchez-Martínez. G. Effects of COVID-19 lockdown and a subsequent retraining period on elite athletes’ workload, performance, and autonomic responses: a case series. Int J Sport. Physiol Perform. In press, (2021).
  11. Dick, R. et al. Descriptive epidemiology of collegiate women’s field hockey injuries: National collegiate athletic association injury surveillance system, 1988-1989 through 2002-2003. Journal of Athletic Training vol. 42 211–220 (2007).
  12. Agel, J. et al. Descriptive epidemiology of collegiate women’s basketball injuries: National collegiate athletic association injury surveillance system, 1988-1989 through 2003-2004. Journal of Athletic Training vol. 42 202–210 (2007).
  13. Dick, R., et al. Descriptive epidemiology of collegiate women’s soccer injuries: National Collegiate Athletic Association injury surveillance system, 1988-1989 through 2002-2003. Journal of Athletic Training vol. 42 278–285 (2007).
  14. Agel, J., et al. Descriptive epidemiology of collegiate men’s soccer injuries: National Collegiate Athletic Association Injury Surveillance System, 1988-1989 Through 2002-2003. Journal of Athletic Training vol. 42 270–277 (2007).
  15. Dick, R., et al. Descriptive Epidemiology of Collegiate Men’ s Basketball Injuries : National Collegiate Athletic. J. Athl. Train. 42, 194–201 (2007).
  16. Hootman, J. M., Dick, R. & Agel, J. Epidemiology of collegiate injuries for 15 sports: summary and recommendations for injury prevention initiatives – PubMed. J Athl Train. 42, 311–319 (2007).
  17. Myer, G. D., et al. Did the NFL lockout expose the achilles heel of competitive sports. Journal of Orthopaedic and Sports Physical Therapy vol. 41 702–705 (2011).

 

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