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4 March, 2020

OS DRONES COMO MÉTODO DE OBTENÇÃO DE DADOS SOBRE OS ATLETAS

Análise e Tecnologia Desportiva

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Um dos gadgets tecnológicos mais populares encontrou o seu campo de aplicação no treinamento esportivo de alto nível. Os drones possuem a capacidade de sobrevoar um campo de jogo, gravar vídeos dos treinamentos e ainda obter uma vista aérea, o que é muito importante para a avaliação do rendimento dos atletas, especificamente nas sessões táticas, que dependem do movimento da equipe como um todo e do comportamento individual dos atletas.

 

Apesar de todas essas vantagens, ainda não há uma posição unânime entre os técnicos sobre a sua utilização. Um clube caracterizado pelo seu esforço em pesquisas científicas, como o Barcelona, descartou seu uso, enquanto que, em algumas equipes da liga inglesa, como no Manchester por exemplo, os drones já integram a sua lista de equipamentos para aplicação prática. E também, do outro lado do Atlântico, treinadores de basquetebol e futebol americano, dos Estados Unidos, defendem sua utilização.

 

O que incentiva estas diferenças é a capacidade de gravação do aparelho quando lhe é incorporada uma câmera. Independentemente se o vídeo for obtido com um drone ou com uma câmera nas alturas, o objetivo é juntar-se às métricas fornecidas pelos trackers que rastreiam os jogadores. Desta maneira, a equipe técnica poderá analisar a tática e a cinética, visualizando a gravação e consultando dados específicos contidos nela.

 

As duas equipes citadas, tanto o Barcelona quanto o Manchester, usam trackers semelhantes, de fabricantes que são concorrentes entre si pela liderança no mercado tecnológico. O clube Blaugrana usa o Wimu, fruto do desenvolvimento conjunto das empresas RealTrack Systems e Barça Innovation Hub. O Manchester adotou o Apex de StatSports, amplamente usado na liga inglesa. Ambos os aparelhos são equivalentes em suas contribuições, permitindo a medição do esforço físico de cada atleta assim como seu rendimento tático e cinético. Através de um software específico, podem associar dados e imagens, e, no intuito de cumprir com este objetivo, que os treinadores escolhem ou descartam os drones.

 

No Camp Nou foram instalados na parte mais alta das arquibancadas, sob o teto, um conjunto de câmeras giratórias que se deslocam. A sua capacidade de não perder detalhes de nenhum ponto do campo de jogo permite individualizar o atleta ou um grupo de atletas da equipe, bem como fazer uma composição, unindo todas as gravações, em grandes panorâmicas. Graças a sua alta definição e a capacidade das suas lentes, obtém-se gravações nítidas dos treinos, similares as captadas pelo drone.

 

No caso do Manchester foi o treinador, Pep Guardiola, que solicitou o uso destes aparelhos. Suas vantagens entusiasmaram tanto, que toda a sua equipe técnica realizou o curso para ter a licença de piloto de drones. Um grupo deles pilota em cada sessão de treinamento, registrando de cima o trabalho realizado pelos atletas, seja para análise em tempo real ou para fins de gravação, para avaliações posteriores.

 

David Powderly, técnico do Charlton Athletic, foi o primeiro usuário de drones na liga inglesa e pode afirmar que Guardiola e ele se influenciam mutuamente. Powderly, em 2015, assistia ao jogo entre Bayern de Munique e o FC Barcelona quando surgiu a ideia. Guardiola, então treinador do Bayern, destacou no jogo uma marcação individual de cada um dos atletas de sua equipe com um da equipe adversária e a progressão dessa tática resultou em espetaculares imagens aéreas, que foram transmitidas. Desse dia em adiante, o treinador ficou obcecado em ter essa mesma visão de campo da sua equipe. Para consegui-la, começou experimentando um drone simples, com uma câmera, durante os treinamentos.

 

Atualmente, David Powderly é responsável pelo DPY Productions, empresa especializada em filmagem profissional de treinamentos e encontros esportivos com uso de drones. Ele defende o uso de drones ao invés de câmeras fixas em função da sua versatilidade, garantindo que, ao contrário delas, eles possuem a capacidade de estar em uma posição fixa onde quer que esteja acontecendo a ação e ainda sobrevoar determinados atletas. Esta versatilidade oferece mais informações para a equipe técnica no intuito de verificar se conseguiram atingir os objetivos propostos. Ele cita um exemplo particularmente útil, quando é necessário encontrar um espaço onde penetrar, durante os campeonatos contra equipes que realizam defesas muito fechadas. Ou trata de verificar se a metade da equipe se movimenta suficientemente rápido quando a bola muda de lado ou se deixam espaços vazios pela lentidão dos atletas. Além disso, as gravações demonstram aos atletas seus erros, reforçando a confiança no julgamento do treinador.

 

Mas nem tudo é vantagem e as limitações destes equipamentos podem influenciar de maneira efetiva nas decisões de usá-los ou não. Atualmente somente os modelos mais modernos e caros têm autonomia de 30 minutos, embora o habitual seja não ultrapassar 15 minutos. O minuto necessário para aterrissar e substituir as baterias obriga a interromper o trabalho da equipe técnica ou então perder parte dos movimentos durante os treinamentos. Além disso, se estiver chovendo ou nevando, será necessário usar modelos impermeabilizados, que são muito mais caros que os convencionais. Não falamos de números, pois podem pesar nos orçamentos de grandes clubes, mas sim, se comparados com as câmeras fixas instaladas nas arquibancadas mais altas, que podem influenciar negativamente na escolha pelos drones. Finalmente, e como última limitação, está o uso combinado com um tracker. Neste caso o drone envia a gravação por wi-fi, gastando ainda mais bateria.

 

Powderly e outros como ele, acreditam que estas limitações serão superadas com o surgimento de novos modelos. E, enquanto isso, muitos profissionais seguem interessados no uso de drones. Assim o demonstraram um grupo de pesquisadores japoneses na 8° Conferência Internacional em Tecnologia Industrial e Gestão, que aconteceu este ano. Durante sua apresentação[1] explicaram como foi o uso experimental destes equipamentos, aplicando-os nos treinamentos de uma equipe de basquetebol. Não se tratou apenas de fazer imagens, mas sim de processá-las mediante algoritmos, com o objetivo de obter os mesmos dados fornecidos por um tracker, como o Wimu ou o Apex. Ou seja, que o drone e o programa associado realizaram todo o trabalho sem a necessidade de mais tecnologias.

 

Para conseguir isso, os drones enviaram uma gravação para um computador que processava imagens usando um programa analógico de reconhecimento facial, onde o algoritmo separa a imagem dos atletas do restante dos elementos, identificando-os pelas cores da camiseta e da bermuda. Para evitar confusões, quando dois ou mais atletas driblavam, as imagens foram analisadas individualmente, através de uma “malha de partículas”, capaz de reconhecê-las como figuras separadas. Mediante uma série de cones coloridos no solo, finalmente puderam renunciar ao GPS, sem renunciar à métrica de posição e à velocidade do deslocamento. Ainda que o resultado não possa ser comparado ao de um tracker profissional, os pesquisadores salientam que esta é uma tecnologia em desenvolvimento. Com investimento e trabalho suficiente poderia ser plenamente funcional.

 

Tudo isto nos leva à conclusão de que os drones não podem ser adotados e nem mesmo descartados analisando-os por si só, mas sim somados a um conjunto de vantagens e limitações que contribuem na tomada de decisão dos treinadores. Os profissionais, ao adotarem estas inovações tecnológicas em sua rotina, estão sujeitos à evolução destes equipamentos. A reavaliação contínua destas inovações é fundamental para saberem se desenvolvem novos modelos, melhorias significativas ou ainda novos aparelhos capazes de alcançar com mais precisão os objetivos dos treinadores, como o próprio campeonato em si, que é uma corrida que se ganha de temporada em temporada, onde tudo está sempre por se definir.

 

 

Martín Sacristán

[1] (1) Stephen Karungaru, Kenji Matsuura, Hiroki Tanioka, Tomohito Wada e Naka Gotoda. (2019). Ground Sports Strategy Formulation and Assistance Technology Develpoment: Player Data Acquisition from Drone Videos. IEEE. DOI: 10.1109/ICITM.2019.8710735

 

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