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16 April, 2020

OS DESAFIOS DO ESPORTE COM A COVID-19: JORNALISMO E COMPROMISSO

Fan Engagement e Big Data
318K

No artigo anterior, abordamos os treinamentos e o condicionamento físico dos atletas, a gestão dos estádios e as perdas econômicas como os três primeiros grandes desafios que o mundo do esporte enfrenta em meio a pandemia da COVID-19. Agora abordaremos dois aspectos que poderíamos aproveitar durante este intervalo, transformando esse momento de debilidade em fortaleza.

 

4. Os meios de comunicação e o jornalismo esportivo

 

Quando todos os serviços não essenciais fecharam suas portas em virtude da quarentena, a maioria das marcas perderam seus canais de vendas. Consequentemente, muitas campanhas publicitárias foram canceladas. Isso provocou uma perda financeira expressiva para os meios de comunicação, que, por sua vez, vivem um momento de grande demanda em tráfego e receita nunca antes vista até o momento. Inclusive os assinantes estão em sérias dificuldades financeiras para sobreviverem. Emissoras de rádio e TV aberta são as que correm mais riscos. Consideramos que, os meios de comunicação em geral, dedicam, sem exceção, quase 30% de suas informações para a cobertura de eventos esportivos. Já, os meios de comunicação especializados em esportes, perderam 100% de seus conteúdos. Porque sem campeonatos não há muito o que se contar.

Ou talvez tenha sim, e é exatamente neste contexto que as equipes encontram uma oportunidade que podem aproveitar. Em primeiro lugar, valorizando todas essas informações de menor importância quando as ligas não estão em campo. Com os meios de comunicação desejando ocupar suas grades vazias, é chegada a hora de contar o que acontece nos bastidores. A prática das rotinas que os atletas de elite fazem em suas casas, atividades estas que têm repercutido nos canais de TV, são um ótimo exemplo. Levanta o ânimo dos confinados e envia uma mensagem de que podemos nos manter saudáveis praticando esportes em casa. E muito mais do que isso. Nos perguntamos o que os torcedores sabem sobre as atividades dos preparadores físicos dos clubes. Como é a alimentação e o dia a dia de um atleta de elite, quais pesquisas são realizadas, quais as novas tecnologias que os estádios estão incorporando, quais projetos já existem para sua renovação.

Todas essas pequenas doses de informações, que não teriam a menor relevância em circunstâncias normais, podem servir para nos manter em contato com nosso público, que, não podemos esquecer, também precisa ser treinado para que não perca o interesse. Depois de tanto tempo sem esportes, estão desejando reviver a emoção dos jogos e, será preciso alimentá-los com muita informação e estímulos constantemente. Sem dúvida nenhuma é o momento para que os departamentos de comunicação dos clubes atuem de maneira proativa e cooperem diretamente com os jornalistas, ouvindo suas ideias e necessidades. Mas, sobretudo, para que eles possam ter suas páginas e grades vazias repletas de conteúdos interessantes. Fazendo isso teremos um canal efetivo e gratuito que comunicará, de forma eficiente aos torcedores, “veja como nos preparamos para o retorno”.

 

5. Repensar a forma de nos comprometermos

 

100 milhões de espectadores assistiam ao jogo que acontecia no Estádio Nacional de Pequim. E não assistiam nenhuma partida de futebol, a não ser a “League of Legends World Championship”, torneio de um conhecido jogo de estratégia on-line onde 8 milhões de jogadores se conectavam diariamente. Esta capacidade de atração dos chamados eSports sobre um público confinado em suas casas tem atraído, sobretudo agora, a atenção do mundo dos esportes. E está sendo aproveitado para manter os torcedores atentos aos campeonatos durante o confinamento. Uma opção clássica foi a do Chicago Blackhawks (hóquei), que transmitiram ao vivo um encontro onde tanto seus atletas quanto as estratégias de jogo tinham formato de vídeo game. Também vem aparecendo iniciativas que estão indo muito além, oferecendo treinamento, criando imagens da marca e ajudando a angariar recursos para a luta contra a COVID-19. Isso foi o que a LaLiga Fest fez, reunindo cantores e atletas de elite em um mega concerto virtual, que 50 milhões de pessoas em 182 países tiveram o privilégio de assistir.

Esses exemplos nos ajudam a imaginar formas avançadas de manter os torcedores conectados às nossas atividades e, quem sabe, também seja uma forma de aquecimento antes do retorno definitivo aos gramados. Qualquer divertimento é bem-vindo durante uma quarentena longa, onde temos tempo suficiente em casa para nos ocupar. É o que a NBA 2 K, liga virtual da NBA, atuante na área de eSports, está fazendo, com apresentações da pré temporada e treinamentos. Precisamente, porque também adiou o início da sua temporada que seria em março, em função da COVID-19. O mundo virtual necessita de emoção para os jogos, sejam eles de futebol ou basquete nos estádios, assim como nas turnês em diferentes pontos de um país ou até mesmo do planeta.

Outra iniciativa para o mundo virtual que não podemos deixar passar desapercebido, podendo este ser o momento ideal para seu fortalecimento, é a ferramenta Live Chat. Segundo uma enquete realizada pelo Google sobre fan insights, 80% dos espectadores que assistem os jogos usam seu smartphone ou tablet e os 30% restantes assistem diretamente nestes dispositivos. Compartilhar a experiência que está se vivendo é o normal, e as Live Chat pretendem unir essa troca de diferentes redes sociais e plataformas, agrupando torcedores para que compartilhem esse espaço. É como se imaginar em um estádio, porém, virtual. Existem muitos aplicativos que já estão em funcionamento como este modelo que comentamos anteriormente, como Yahoo Fantasy SportsBetmoWho Knows Wins ou ZenSports.

A Euroliga acaba de lançar uma iniciativa neste sentido, firmando um acordo com a Iqoniq. Graças a ele, será criado um aplicativo onde todos os torcedores da Euroliga e da Eurocopa poderão se conectarem com os clubes e vice-versa. A notícia, que foi publicada no final do mês de março, antecipa as soluções que todas as ligas adotarão e, sem dúvida, chegou o momento de fortalecê-las, se já estiverem em desenvolvimento ou se não, prepará-las para isso.

Em conclusão geral, não nos esqueçamos que o mundo dos esportes é para as pessoas muito mais que uma simples competição. Os encontros esportivos foram remédios para o ânimo durante os atentados de 11 de setembro em Nova York e 11 de março em Madri. Foram nos campos onde a sociedade proclamou sua solidariedade e unidade frente a tamanha barbárie e voltaram a sorrir. Agora que enfrentamos novamente a mortandade e o sofrimento, o mundo necessita mais do que nunca dos profissionais do esporte. Todos precisamos. Por isso nos preparamos para que a nossa volta seja uma chama de esperança, para o futuro que nos espera e para o sentimento de emoção que preenche a vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

 

 

Martín Sacristán

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