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28 May, 2020

OS CENÁRIOS DA MÁXIMA EXIGÊNCIA NO FUTEBOL. DIFERENÇAS ENTRE O PRIMEIRO E O SEGUNDO TEMPO

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O objetivo do treinamento é o de ajudar os atletas a estarem bem preparados para os campeonatos. Trata-se de criar situações que simulem o que pode acontecer durante o jogo e que permitam aos atletas enfrentarem o que a partida irá exigir mais tarde. Pesquisadores e técnicos tentam descobrir quais são os cenários de campeonato mais exigentes que podem demandar um jogo. Se há a possibilidade de quantificar pode-se também orientar para um melhor preparo físico dos atletas profissionais do futebol.

 

Em uma recente pesquisa1 foi estudada a diferença nos cenários de máxima exigência, entre o primeiro e o segundo tempo de uma partida de futebol, considerando as diferentes posições específicas dos atletas. O estudo, publicado na revista Biology of Sports em 2019, baseou-se na análise de 23 atletas profissionais do futebol pertencentes à equipe reserva (idade: de 20,8 ± 1,8 anos, peso: 70,5 ± 6,7 kg e com altura: 1,78 ± 0,67m) durante 37 partidas do campeonato da temporada de 2016 a 2017. Os atletas foram agrupados de acordo com suas posições específicas conforme a seguir: defesas centrais (CD; n=3, 49 registros), defesas laterais (DL; n= 5, 65 registros), meio de campo (MC, n=3, 44 registros), meio de campo ofensivo (MO, n=5, 48 registros) e atacantes (D, n=7, 59 registros). A atividade dos atletas profissionais do futebol foi registrada mediante um dispositivo portátil (GPS) de 10 Hz. Os cenários de máxima exigência foram analisados durante 5 períodos de tempo diferentes (1, 3, 5 e 10 minutos e cada tempo do jogo), medindo a distância percorrida (m.min-1), distância máxima metabólica (m.min-1) e a potência metabólica média (W.Kg-1).

 

Os resultados apontaram que não existem diferenças significativas nos cenários de máxima exigência entre o primeiro e o segundo tempo quando comparados entre si os períodos de tempo curtos (1, 3 e 5 minutos). Entretanto, quando comparados os períodos de 10 e 45 minutos, pode-se observar que a distância percorrida, a distância metabólica e a potência metabólica média diminuem em 6,4% e 8,9%, 7,0% e 9,0% e 8,4% e 13,5%, respectivamente. Além disso, os centroavantes são os atletas que manifestaram uma maior perda de desempenho quando comparados aos dois tempos da partida. Para o restante das posições específicas não foram encontradas diferenças importantes.

Esses resultados podem ajudar na criação de situações de treinamento capazes de simular da melhor forma as exigências que demandam um campeonato. A quantificação da carga de treinamento tanto para subestimar quanto para sobre-estimar os exercícios em função das necessidades da preparação, sugere um importante avanço na melhoria deste preparo dos atletas. Em todo caso, parece ser necessário abordar algumas questões adicionais. Talvez não se deva associar a aparente perda de desempenho em um jogo com aspectos estritamente físicos. Sabemos que tanto homens quanto mulheres atletas possuem uma série de estruturas hipercomplexas que se relacionam entre si de maneira interativa e retroativa. Além do suporte condicional existem outras estruturas que explicam o desempenho individual, como por exemplo, as emoções, o desejo, as relações interpessoais etc., talvez seja necessário incorporar a percepção que os próprios atletas têm sobre os cenários dos campeonatos. Já temos conhecimento, por exemplo, que a percepção da autoeficácia (ou seja, a confiança que temos em nossas capacidades para conquistar objetivos) está muito relacionada com a nossa interpretação de uma dificuldade ou com a exigência de uma situação. Fatores como, por exemplo, ter um placar a favor ou contra, jogar em casa ou fora, que o adversário seja forte ou fraco, podem modular as exigências dos cenários de um campeonato. Em um esporte onde a capacidade de identificar o que fazer a cada momento e de se auto-organizar da maneira mais adequada para solucionar com sucesso cada situação, nos parece haver a necessidade de se levar em consideração o ponto de vista dos atletas.

 

 

Carlos Lago Peñas

 

Referências:

1 Casamichana D, Castellano J, Gómez Díaz A, Gabbett TJ, Martín-García A. The most demanding passages of play in football competition: a comparison between halves. Biology of Sport. 2019; 36(3):233–240.

 

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