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February 1, 2021

Futebol
Desportos Colectivos

Os atletas correm menos quando seu time tem posse de bola?

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Com a chegada de Johan Cruyff como técnico do F.C. Barcelona em 1988 gerou uma grande revolução na forma de compreender o jogo e como preparar os atletas para isso. Em uma das suas reflexões mais conhecidas ele afirmou: “Todos os técnicos falam sobre movimentos, que tem que correr muito. Eu falo que não é necessário correr tanto”. O futebol é um jogo que se joga com o cérebro. Deverá estar no momento certo, não estar adiantado e nem mesmo atrasado”.1 A aposta pela posse de bola, pelo uso dos espaços e das superioridades numéricas, reduz de maneira expressiva o significado de rendimento físico durante um jogo. Em outro momento ele afirma: “Meus atacantes somente devem correr 15 metros”.

Uma pesquisa científica parece dar razão a ele. Em recente publicação2 foram analisadas quais as influências da bola no desempenho físico dos atletas de elite. O estudo publicado pela revista Science and Medicine in Football em 2020, teve como base a verificação de 380 jogos disputados pela LaLiga espanhola durante a temporada de 2018 e 2019. No total, foram avaliados comportamentos durante os jogos com 412 atletas que disputaram o jogo completo e tiveram 8468 observações. Os atletas de futebol foram classificados em 5 diferentes posições: Zagueiros (DC, quantidade de observações = 2452), Laterais (DL, quantidade de observações = 1822), Meio campo (MC, quantidade de observações = 2022), Interiores (I, quantidade de observações = 1020) e Atacantes (AT, quantidade de observações = 1152). O desempenho físico foi levando em consideração nas seguintes categorias: distância total percorrida, corrida de baixa intensidade (0–14,0 km/h), corrida de média intensidade (14,1–21,0 km/h), corrida de alta intensidade (21,0 km/h), e corrida de intensidade mais alta (21,1–24,0 km/h) e sprint (>24,0 km/h). Todas essas variáveis foram calculadas levando em consideração o tempo efetivo de jogo e padronizadas em metros por minuto. O tempo efetivo de jogo está relacionado com a duração do jogo, descontando o tempo de intervalos, substituições, gols, lesões, ou seja, o tempo que a bola rolando. A verificação do grupo dividiu às equipes em quatro categorias em função da porcentagem com posse de bola em cada jogo: equipes com posse baixa (35,2 ± 4,2 % de bola e faixa entre 20,7–40,3 %, n=1648), equipes com pouca posse (45,5 ± 2,8 % de bola, com faixa entre 40,4–50,0 %, n=2594), equipes com posse alta (54,5 ± 2,8 % de bola, com faixa entre 50,1–59,7 %, n=2589) e equipes com posse alta (64,9 ± 4,2 % de posse de bola, com faixa entre 59,8–79,3 %, n=1637). O desempenho físico foi coletado através do sistema de rastreamento TRACAB usado pela Mediacoach.

Os resultados sugerem conclusões extremamente relevantes conforme a seguir:

 

  • Quando não se levar em consideração a posição específica, os atletas das equipes que têm posse de bola muito alta, correm menos distâncias que os atletas das equipes com alta, média e baixa posse de bola. Ter posse de bola durante muito tempo reduz as distâncias percorridas pelos atletas.

 

  • Entretanto, estas diferenças dependem da posição específica do atleta. Os atletas (MC, V e AT) das equipes com posse de bola muito altas correram menos metros por minuto em qualquer velocidade que os demais atletas. Por exemplo, os atacantes das equipes com posse de bola muito alta correram 5,2 metros/minuto ante os 7,8, 7,3 e 6,7 dos conjuntos com baixa, muito baixa e alta posse de bola. Quando comparados os metros/minutos percorridos pelos volantes os valores foram de 7,0, 7,2, 7,1 e 7,8 metros/minutos, respectivamente. Finalmente para os centroavantes foram verificadas distâncias entre 3,7, 3,9, 4,0 e 4,2 metros/minutos.

 

  • Ao contrário, os laterais e centroavantes (DC e DL) das equipes com posse de bola muito baixa são os que menores distâncias percorreram. Por exemplo, os laterais destas equipes percorreram 6,1 metros/minutos em situações de sprint em relação aos 7,1, 7,7 e 7,5 das equipes com baixa, alta e muito alta posse de bola. O mesmo aconteceu com os zagueiros que percorreram 3,4 metros/minutos se comparados com os 3,9, 4,0 e 3,9 das equipes com baixa, alta e muito alta posse de bola.

Na figura abaixo descrevemos os resultados.

 

Figura 1. Efeito da posse de bola no desempenho físico dos atletas

Estes resultados, devem ser interpretados com cautela em função da complexidade existente no futebol, pois podem ser úteis para técnicos compreenderem mais quais são as necessidades físicas do jogo e projetar modelos que podem prever o desempenho físico dos atletas, dependendo da forma como cada um joga. Ter a posse de bola é importante no futebol.

 

Carlos Lago Peñas

 

Referências:

1https://www.lavanguardia.com/deportes/20160324/40657275538/johan-cruyff-mejores-frases.html

2 Lorenzo-Martínez, M.; Kalén, A.; Rey, E.; López-Del Campo, R.; Resta, R. y Lago-Peñas, C. (2020). Do elite soccer players cover less distance when their team spent more time in possession of the ball? Science and Medicine in Football, ahead of print. (https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/24733938.2020.1853211?journalCode=rsmf20).

 

 

 

 

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