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25 September, 2020

O treinamento difere de país para país?

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O objetivo mais importante dos treinamentos possivelmente é colaborar no desenvolvimento das habilidades e condutas que possam contribuir para um melhor desempenho dos atletas durante as competições. A dedicação de um treinador consiste em projetar condições práticas que simulem todas as exigências de um jogo real e ajudem os atletas de elite na melhora das suas condições. Uma das características desses atletas que os diferencia dos demais justamente é a capacidade de antecipar uma jogada e tomar decisões certeiras, sob pressão, durante um jogo.1,2 Entretanto, parece que a metodologia para treinamentos usadas pelos técnicos com o objetivo de alcançarem essas metas podem e devem ser diferentes, dependendo de cada país.3

 

Em uma publicação recente4 foram verificadas atividades usadas em 16 escolas de futebol que pertencem a diferentes clubes de elite europeus. As conclusões foram baseadas nas análises dessas atividades propostas por 53 técnicos de 4 diferentes países (Inglaterra (n=15), Alemanha (n=14), Portugal (n=11) e Espanha (n=13)) durante 83 sessões de treinamentos com atletas de 5 categorias diferentes, começando pelos sub 12 e sub 16. As atividades propostas pelos técnicos são classificadas em duas categorias diferentes: tarefas com decisões ativas e não ativas. As primeiras atividades estão relacionadas com atividades realizadas por pequenos grupos ou elencos com decisões ativas que são iguais ou semelhantes ao que acontece dentro de campo, por exemplo, jogos reduzidos e condicionados, jogos com maior tempo de posse ou trabalho técnico e tático com elenco adversário. Já nas segundas atividades são as que não tiveram decisões ativas dentro de campo, por exemplo, com exercícios de condicionamento físico ou trabalho técnico e tático sem elenco adversário. As informações foram coletadas entre os anos de 2016 e 2018, na metade da temporada e com sessões distantes entre competições.

 

Os resultados das pesquisas sugerem conclusões extremamente relevantes conforme a seguir:

  • A duração média das sessões de treinamento foi de 88 ± 6 minutos. Não foram encontradas diferenças significativas entre os países.
  • A porcentagem de tempo empregado nas atividades com tempo de decisão ativa foi diferente entre os países verificados. Os elencos de Portugal (68 ± 9%) os da Espanha (67 ± 10%) dedicaram mais tempo às sessões de treinamento do que os elencos da Inglaterra (56 ± 8%) e da Alemanha (57 ± 10%). É claro que os elencos da Inglaterra (26 ± 8%) e da Alemanha (26 ± 9%) tiveram uma maior porcentagem de tempo para os treinamentos em que os elencos de Portugal (14 ± 8%) e da Espanha (15 ± 9%) nas atividades sem decisões ativas.
  • A porcentagem para os trabalhos técnicos sem decisões ativas foi realmente superior para os elencos da Inglaterra (18% ± 9) se comparados com os da Alemanha (7 ± 7%), de Portugal (3 ± 5) e da Espanha (2 ± 3).
  • A porcentagem de trabalho nas sessões de condicionamento físico foi muito superior nos elencos da Alemanha (18% ± 6) se comparado com o elenco da Inglaterra (4 ± 5%), de Portugal (6 ± 6) e da Espanha (8 ± 9).
  • O tempo de deslocamento entre as atividades (planejamento dos exercícios, explicações dos técnicos, pausas para hidratação etc.) foi semelhante entre todos os países e permaneceu entre 17 e 18% do tempo total de uma sessão.

 

Para concluir, há indícios de que existem dentro do futebol europeu diferentes metodologias de treinamento. A aposta por atividades que levam a decisões mais ou menos ativas depende possivelmente da cultura esportiva de cada país. Sabemos, portanto, que a preparação dos atletas dependerá de contextos específicos. Mas isso não significa que todas as metodologias sejam eficientes. A dedicação dos técnicos consiste em gerar condições práticas que permita o crescimento constante de todos os atletas. Essa dedicação, como sugere Francisco Seirul-lo, os estímulos para melhorar as decisões dos atletas e fomentar o crescimento pessoal e profissional com a interação entre atletas dentro do mesmo contexto de jogo.

 

 

Carlos Lago Peñas

 

Referências:

1 Pinder RA, Davids K, Renshaw I, Araújo D. 2011. Representative learning design and functionality of research and practice in sport. J Sport Exerc Psychol. 33(1):146-155.

2 Williams AM, Ford PR. 2013. ‘Game intelligence’: anticipation and decision making. In: Williams AM, editor. Science and soccer: developing elite performers. 3rd ed. London (UK): Routledge; p. 105–121.

3 Partington M, Cushion C. 2013. An investigation of the practice activities and coaching behaviors of professional top-level youth soccer coaches. Scand J Med Sci Sports. 23(3):374-382.

4 Roca A, Ford, PA. 2020. Decision-making practice during coaching sessions in elite youth football across European countries, Sci Med Football, DOI: 10.1080/24733938.2020.1755051

 

 

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