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24 July, 2020

O QUE APRENDEMOS COM O CUIDADO DO SISTEMA IMUNOLÓGICO DOS ATLETAS

Saúde e Bem-Estar

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A situação de isolamento que deixamos para trás, como consagrado por vários meios de comunicação, constituiu uma ameaça ao sistema imunológico. A falta de contato com o mundo externo e de banhos de sol, a deficiência de alimentos frescos assim como a necessidade de um estilo de vida obrigatoriamente sedentário acarretando possíveis problemas com o sono, estados de ansiedade e depressão são causas diretas de perda de imunidade.

O sistema imunológico é um conjunto complexo de relações e interconexões, especialmente entre os sistemas hormonal e nervoso. Seu funcionamento ideal corresponde ao equilíbrio e à harmonia. Atingir este equilíbrio corresponde a princípios muito relativos e variados. Os atletas profissionais enfrentam uma situação contraditória a este respeito. As atividades físicas ativam à imunidade. As variáveis conhecidas até o momento indicam que, as atividades físicas aumentam a quantidade de glóbulos brancos como, por exemplo, atividades físicas de baixa intensidade e de curta duração aumentam os linfócitos e os prolongados aumentam os neutrófilos. Entretanto, nos períodos de altas temporadas de campeonatos, podem acontecer momentos e situações de alto nível de cortisol e fases de imunossupressão.

Após treinamentos de alta intensidade ou com atividades físicas exaustivas, é muito comum uma diminuição da imunidade em até 24 horas. São mudanças transitórias, que logo retornam à normalidade, porém, constituem o que denominamos como “janela aberta” de oportunidades para contaminações de todo o tipo. Nas etapas de alto desempenho, as infecções nas vias respiratórias são as mais frequentes. Além disso, um aumento da permeabilidade intestinal em consequência de grandes esforços pode permitir a entrada de endotoxinas bacterianas na circulação sanguínea.

Para impedir a vulnerabilidade do sistema imunológico, recomendamos aos atletas que controlem a carga dos treinamentos e aumentem sua intensidade entre 5 e 10% por semana. Recomendamos mais sessões de treinamento curtas em vez de poucas e que não sejam longas. O esforço de alta intensidade e prolongado é o que mais afeta. Além disso, durante a atividade física, as mudanças fisiológicas como, por exemplo, o aumento da temperatura corporal e a diminuição da saturação de oxigênio, podem afetar a imunidade.

Também é importante implementar um trabalho de recuperação imediatamente após as sessões mais árduas, assim como é recomendada a inclusão de semanas de recuperação a cada duas ou três seções de alta intensidade. Da mesma forma, é fundamental que os atletas se mantenham hidratados durante os treinamentos. Isso é muito importante, pois ajuda a manter o fluxo de saliva, onde são encontradas proteínas com propriedades antimicrobianas. Também é importante ingerir carboidratos após o desgaste físico, pois estes regulam o nível de cortisol, um fator de imunodepressão temporário. Se após uma seção de treinamento, a urina estiver escura, significa que é necessário repor mais água pelo peso perdido durante a atividade física, pelo menos, até que a cor fique mais clara.

Os fatores emocionais e de estresse também têm uma relação importante com as alterações do sistema imunológico. No entanto, o estresse só pode ser medido de acordo com o nível de ansiedade, a partir da percepção de cada indivíduo em específico, isto porque as causas que o produzem afetam de diferentes formas. Há aqueles que não se intimidam mediante adversidades de grandes dimensões e, ao mesmo tempo, podem fracassar em meio a um pequeno detalhe que escape de seu controle.

Além disso, o estresse físico, combinado com a diminuição de sono entre outros tipos de adversidades, podem causar a sensação de que o atleta não tenha controle. A sensação de falta de controle é um fator estressante. Neste aspecto, é normal o monitoramento de todo o tipo de estresse seja ele psicossocial ou físico que um atleta possa sofrer, assim como ter um controle sobre seu estado de ânimo para, se necessário, adotar ferramentas para controlar a ansiedade.

Nos atletas de alto rendimento, as viagens de longa distância, o estresse e a ansiedade em virtude das altas temporadas de campeonatos, tornam o fenômeno da “janela aberta” mais prolongado e comum. Perante este risco, a resposta emocional mediante estas diferentes situações de esgotamento mental e estresse que um atleta se encontre, pode trazer influências nas respostas das células neuroendócrinas.

Particularmente, tratamos de recomendar aos atletas que frequentem ambiente tranquilos e evitem quaisquer tipos de estresse vital desnecessário. Muitos atletas se prepararam em situações de verdadeiro isolamento. Entretanto, é impossível tabelar e catalogar todas as preocupações sociais e emocionais dos atletas, pois, tanto suas origens quanto suas situações socioeconômicas e culturais são diferentes. Desta forma, o ideal seria facilitar ferramentas para que aprendam a lidar com a situação de estresse, saindo fortalecidos e também adaptados às exigências físicas e mentais mais severas.

Em atletas de alto rendimento também são comuns problemas com o sono. As pesquisas realizadas demonstraram que há uma incidência maior de padrões ruins de sono nos atletas do que em pessoas comuns. Está comprovado que dormir menos de sete horas por dia diminui a resposta dos anticorpos. As chances de contrair um rinovírus, agentes patogênicos mais comuns em humanos e os responsáveis pelos resfriados comuns, são de quatro a cinco vezes mais elevadas caso tenham irregularidades no sono.

As recomendações mais comuns para os atletas são as de que possam estabelecer rotinas de sono, com mais de sete horas diárias regularmente e não a de dormir um dia a menos e tentar recuperar as horas de sono perdidas logo em seguida. Lembrando que, um sono perdido não se pode recuperar. No entanto, cochilos ou descansos que não excedam 30 ou 45 minutos podem ser benéficos. É claro que é primordial garantir uma relativa escuridão no quarto e, uma vez na cama, afastar-se das telas.

A esfera mais complexa é a da nutrição. Tradicionalmente, sabemos que os alimentos ricos em vitamina C, vitamina D e zinco são os que mais fortalecem o sistema imunológico, e, por outro lado, geralmente recomendamos probióticos para atletas que realizam deslocamentos constantes, porém, adotar uma dieta modelo não é possível. Isto porque depende de muitos fatores os quais envolvem o perfil de cada atleta profissional e sua disciplina esportiva.

Em geral, as margens com que os nutricionistas trabalham estabelecem um equilíbrio entre a ingestão e o gasto de energia assim como o de evitar dietas muito radicais. A boa qualidade nutricional é alcançada com os grandes benefícios de fitonutrientes, que asseguram bons níveis de micronutrientes. Em seguida, em função das particularidades de cada atleta profissional, os nutricionistas avaliam a necessidade de suplementos para fortalecer o sistema imunológico. Muitas vezes, como uma medida de prevenção, conforme o calendário que enfrentarão, por exemplo.

Uma dieta normal e saudável compreenderia a ingestão de peixe no mínimo quatro vezes por semana, sendo duas delas peixe azul e com um consumo calórico proveniente de gorduras em torno de 25 a 35%, segundo os objetivos do atleta e o tipo de treinamento que ele realiza. Se a doença mais comum é tratada posteriormente à “janela aberta” da imunidade, depois de um treinamento de alta intensidade, a quercetina, por exemplo, encontrada na maçã e na cebola, reduz as infecções do trato respiratório superior.

Atualmente, as maiores preocupações dos atletas são as de se sentirem debilitados nos treinamentos. Quando a atividade física é reduzida, seja por doenças, lesões ou até mesmo férias, o que afeta a adaptação anatômica e fisiológica do atleta, são acarretadas mudanças cardiorrespiratórias, musculares e metabólicas. Se esta interrupção durar mais de quatro semanas, consideramos como treinamento debilitado de longa duração. Com apenas poucos dias de treinamento debilitado, já é possível detectar a redução do volume de plasma e de sangue assim como mudanças hormonais.

Atualmente, a imunologia dentro da medicina esportiva, é o assunto principal da ciência do esporte. Contudo, ainda não está claro cientificamente porque um esforço prolongado e exaustivo pode alterar o sistema imunológico. As pesquisas mais recentes indicam que, durante a atividade física, pode não haver destruições de células imunes, mas sim sua concentração em áreas sensíveis como, por exemplo, na região pulmonar. Assim, temos a certeza de que os benefícios da atividade física para o organismo superam qualquer efeito negativo que poderiam vir a apresentar.

 

 

BIHUB team

 

FONTES

Recommendations to maintain immune health in athletes – European Journal of Sport Science

Exercise, training, and the immunesystem – Sport Medicine, Training and Rehabilitation

Nutritional strategies to counter stress to the immune system in athletes, with special reference to football – Journal of Sport Sciences

Immune function and exercise – European Journal of Sport Science

Debunking the Myth of Exercise-Induced Immune Suppression: Redefining the Impact of Exercise on Immunological Health Across the Lifespan – Frontiers in immunology

How to reboost your immune system – Harvard Health Publishing

The immune system in sport: getting the balance right– British Journal of Sports Medicine

Cambios fisiológicos debidos al desentrenamiento – Apunts. Medicina de l’Esport

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