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August 23, 2022

Psicologia
Rendimento

O efeito da motivação no rendimento esportivo

By BIHub Team.

Entrevista com Rocío Pomares, diretora de Psicologia de Alto Rendimento do Barcelona Futebol Clube

 

“A motivação é o motivo que o leva à ação. É o motor. Se não houver motivação, é muito difícil ter um bom nível de rendimento, principalmente em alto rendimento, porque é preciso muita energia para pagar o preço de atingir metas tão altas”. Para Rocío Pomares, diretora de Psicologia de Alto Rendimento do FC Barcelona, trabalhar a motivação com os atletas é fundamental, “mas sempre uma motivação que vem de dentro para fora, e não o contrário”.

 

Pomares sustenta que a motivação deve ser treinada como se fosse um músculo. “A motivação também precisa de um aquecimento.” Como exemplo, destaca a importância de escolher bem a música antes de um treino ou jogo. “Se um atleta quer competir no mais alto nível, um pequeno aquecimento pode ser colocar uma determinada música que o motive”, diz. Essa dinâmica deve ser regular e não apenas em dias de competição. “Você não pode não ter treinado e esperar que as coisas funcionem no dia importante, porque então acontece a mesma coisa com um músculo que não foi treinado: ele não funciona em seu nível máximo.” Por isso, Pomares recomenda a motivação do treino com regularidade, sempre aquecendo e treinando. “Assim, no dia da competição, o atleta pode aplicar o que treinou.”

 

Ainda assim, a diretora de Psicologia do FC Barcelona ressalta a importância de desmistificar a motivação no campo do esporte profissional. “No final das contas, na vida profissional, você nem sempre está 100% motivado e ainda consegue fazer o trabalho. Na vida nem tudo se faz por motivação. Quando você é adulto, você tem que fazer as coisas por disciplina, por compromisso, com os outros e consigo mesmo, e por outras motivações que são mais transcendentais do que o simples fato de buscar o prazer.”

 

Tipologias de motivação

Pomares classifica os tipos de motivação em três categorias:

  • Motivação extrínseca ou externa
  • Motivação intrínseca ou interna
  • Motivação transcendente.

 

“Acima de tudo, você tem que se alimentar de motivos internos e transcendentes. Internos como a satisfação de dominar algo difícil de maneira fácil; da sensação de competir, de como é quando o pé, ou a mão, pega aquela bola. Transcendente, como inspirar crianças ou fazer o bem para um ente querido que se foi: os motivos transcendentes sempre multiplicam o rendimento. Em vez disso, motivos externos, como o reconhecimento, a fama ou o dinheiro, desaparecem rapidamente. No momento em que um atleta perde o que o levou a praticar aquele esporte, tudo começa a deixar de fazer sentido. Se ele se move apenas por dinheiro, por fama, ele tem pouco tempo na carreira”. O tipo de motivação que move o atleta também determinará sua capacidade de recuperação após uma derrota. “Se eles têm motivação interna ou transcendente, eles se reativam sozinhos. No dia da derrota, os jogadores ficam irritados, mas depois veem isso como um desafio, como mais uma oportunidade de se superar. Quando tudo depende de motivação externa, é muito difícil reativá-los. Se a gente se move por um resultado e o resultado não está lá, não avança”.

 

Diferenças entre as equipes masculinas e femininas

 

Nesse sentido, Pomares tem percebido certas diferenças nos tipos de motivação entre as primeiras equipes masculinas e femininas. “No time principal masculino há muitas motivações externas. As mulheres, não tendo tido até agora modelos para chegar a uma equipe principal, precisavam de uma motivação muito interna, porque não havia nada de fora que as motivasse”. As atuais atletas profissionais que chegaram à elite empreenderam suas carreiras profissionais sem motivações externas, mas sim com o oposto: perspectivas de baixos salários, ausência de cobertura midiática e dificuldades diante da eventual maternidade. Segundo Pomares, todos estes obstáculos iniciais implicam que as jogadoras que chegaram à primeira equipe “tenham uma motivação muito interna; que as deixem fascinadas e apaixonadas pelo que fazem; que elas desfrutem e que sejam muito competitivas. E isso não é fácil de encontrar”.

 

Por isso, Rocío Pomares garante: “A motivação e força que tenho visto nas meninas da primeira seleção é impressionante. Além disso, além das motivações intrínsecas que elas têm desde pequenas e as trouxeram até aqui, elas têm uma motivação transcendental: deixar a mulher em seu devido lugar. E muitas também são movidas por essa motivação: ser uma das que lutaram para deixar claro qual é o papel da mulher na sociedade”.

 

Ferramentas para gerenciar a falta de motivação

 

Quando se trata de acompanhar atletas profissionais na gestão de sua motivação, a metodologia Pomares não trata apenas de entender de onde vem sua motivação, mas também de alcançá-la por meio da ação. Usar o físico, e não apenas o racional, para alcançar a motivação. “A neurociência mostrou que o corpo e a mente estão totalmente conectados. Os humanos, além dos cinco sentidos, têm um sexto sentido; o que na psicologia é conhecido como os receptores proprioceptivos.
Por exemplo, a postura corporal dá ao cérebro informações sobre como a gente se sente. Quando não se está motivado, a ferramenta mais fácil é agir. Agir como se estivesse motivado: a postura física enviará informações ao cérebro indicando motivação, e ele procurará mais facilmente os motivos para estar bem”.

 

Para atletas de elite, a falta de motivação pode ser muito frustrante. “O esporte está intimamente relacionado à ideia de que os atletas precisam estar altamente motivados e precisam se divertir. Procuro fazer com que o jogador não se concentre tanto em estar motivado, mas em fazer o que é necessário para fazer bem o seu trabalho”.


Segundo Rocío Pom ares, um fator determinante é o foco da atenção, focando no que é possível controlar e deixar de investir energia no que não é possível. Nesse sentido, Pomares compara a profissão do atleta de elite (ou qualquer profissional exposto a situações de alto rendimento) com a atuação. “A coisa mais importante é que não se perceba que você não está motivado.” Como ela ressalta, “o esporte é um show, e se o jogador está ficando entediado, que não dê para perceber”.

 

A gestão da motivação também varia em função de que o esporte praticado seja individual ou colectivo. “Em um esporte individual é muito mais complexo. Nos esportes coletivos, o jogador pode contar com seus companheiros, eles podem ajudá-lo a ativar com um grito, com uma mensagem de apoio… nos esportes individuais é mais difícil”. Embora, nesse sentido, ele aponte um caso excepcional dentro do esporte coletivo: a figura do goleiro. “Estando mais sozinho, de certa forma, é mais difícil de gerenciar. É como um atleta individual em um esporte coletivo.”

 

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