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12 August, 2020

O DESENVOLVIMENTO DE JOVENS JOGADORES. ESPECIALIZAÇÃO OU MULTIESPORTIVO?

Rendimento Desportivo
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Um dos debates mais frequentes entre os agentes esportivos que se dedicam à formação de talentos, está relacionado com a conveniência ou não de uma especialização precoce por parte de jovens atletas. Embora não existam muitos estudos científicos que ofereçam pistas claras sobre a melhor estratégia, tudo indica que, a especialização precoce poderia aumentar a probabilidade de se sofrer um esgotamento (burn-out) assim como multiplicar a frequência de lesões por fadiga crônica ou por sobre-uso.1 Entretanto, ainda não existem evidências de como isso poderia influenciar na especialização precoce de jovens atletas em sua futura carreira profissional.

Em uma recente pesquisa2 foi analisada como a especialização precoce e a prática multiesportiva interferem na incidência de se sofrer uma lesão e também no rendimento esportivo dos atletas de basquetebol da National Basketball Association (NBA). O estudo, publicado na revista The American Journal of Sports Medicine, em 2018, foi baseado na análise de 237 atletas selecionados na primeira rodada do draft da NBA entre as temporadas de 2008 e 2015. De cada um dos atletas foram coletadas as seguintes informações: participação em atividades esportivas durante o ensino médio; lesões graves sofridas durante a carreira na NBA; percentual de jogos disputados na NBA e se o atleta ainda estava ativo na NBA. Os atletas que participaram de várias atividades esportivas, além do basquetebol, durante o ensino médio, foram classificados como atletas multiesportes (n=36) e foram comparados com atletas que somente jogaram basquetebol (n=201).

 

Os resultados demonstraram que:

  • Os atletas multiesportes disputaram, de forma considerável, uma quantidade maior de jogos (78,4% vs 72,8%, P<0,001).
  • Os atletas multiesportes tiveram menor probabilidade de sofrerem lesões graves durante sua carreira esportiva (25% vs 43%, P<0,03).
  • Um percentual maior de atletas multiesportes estavam ativos no momento da coleta de informações, o que indica uma maior longevidade na NBA (94% vs 81%, P<0,03).

 

Os resultados sugerem que, apesar de apenas 15% dos atletas analisados terem praticado mais de um esporte durante o ensino médio, contar com uma formação multiesportiva poderia aumentar a quantidade de jogos que disputam, reduzir a probabilidade de se lesionarem gravemente e ainda prolongar sua carreira esportiva. No entanto, é notável a redução do percentual de atletas que fundamentaram sua formação esportiva na prática diversificada em comparação com os que apostaram na especialização precoce.

 

Assim, parece que a especialização precoce pode acarretar riscos significativos para a saúde dos atletas e ainda comprometer o seu êxito profissional no futuro. Em parte, são necessárias muitas pesquisas que permitam uma melhor compreensão da conveniência ou não de uma especialização precoce no esporte. Além de aumentar a quantidade de coletas, deveriam ser ampliados os estudos para diferentes tipos de esportes e ainda em países com diferentes culturas esportivas. Também é preciso levar em consideração não só os atletas de elite, mas também a grande maioria de atletas que ainda não atingiram níveis mais altos. De acordo com os dados da Federação Espanhola de Futebol, da temporada de 2016/2017, somente 1 de cada 2500 atletas federados chegará na primeira divisão. A atenção dos pesquisadores e dos agentes esportivos deveria estar direcionada, sobretudo, em nossos meninos e meninas.

 

 

Carlos Lago Peñas

 

Referências

1 Bell DR, Post EG, Biese K, et al. Sport Specialization and Risk of Overuse Injuries: A Systematic Review With Meta-analysis. Pediatrics. 2018; 142(3):e20180657

 

2 Rugg C, Kadoor A, Feeley, BT y Pandya NK. The effects of playing multiple high school on National Basketball Association Players’ proppensity for injury and athletic performance. The American Journal of Sports Medicine. 2018; 46(2): 402-408.

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