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June 21, 2022

Gestão de Lesões
Medicina

Monitoramento do estado de uma tendinopatia e seu processo de recuperação

By BIHub team.

Como curar o que não pode ser visto? A medicina lida diariamente com doenças, lesões ou enfermidades que, em muitos casos, não podem ser observadas diretamente. É necessário encontrar ferramentas para conhecer o grau da doença e realizar o acompanhamento correto do próprio processo de recuperação em todos esses casos, pois será essencial saber em que momento estamos e o que podemos fazer para evitar uma recaída. Hoje, temos duas alternativas principais. Por um lado, temos todas as tecnologias de imagem médica, capazes de mostrar a simples vista o que está acontecendo no interior dos nossos corpos. Por outro lado, existem os biomarcadores.

 

Marcadores biológicos

Um biomarcador é uma molécula biológica cuja presença ou ausência (assim como sua proporção) pode servir como indicador do estado de uma fisiopatologia ou de um processo de recuperação. Ao nível da medicina esportiva, é habitual que estes marcadores indiquem tanto o grau de uma lesão como o ritmo do processo de recuperação que deve ser monitorizado regularmente. Por exemplo, o estado do tecido danificado na tendinopatia. Os biomarcadores não deixam de ser, portanto, os agentes envolvidos tanto na produção de uma lesão quanto no processo de sua recuperação. A correta identificação das células que participam desses processos é vital para melhorar as intervenções clínicas atuais.

 

Por exemplo, uma resposta inflamatória geralmente participa de forma inequívoca na patogênese da tendinopatia, que causará, entre outras coisas, um aumento na concentração sanguínea de interleucina, um tipo de citocina ou pequena proteína que está diretamente relacionada a essa inflamação (proteínas que também podem ser medidas na forma de fatores de crescimento, como o fator de necrose tumoral (TNF -α ), que estimulam a fase aguda da reação inflamatória). Além disso, após o dano, surgirá a presença de células-tronco que atuarão na reconstrução do tecido, participando por sua vez da cicatrização. A medição de qualquer uma dessas moléculas servirá como indicador do estado da referida lesão.

 

Além disso, com o desenvolvimento das ciências ômicas e seu estudo multidisciplinar da interação entre genes, proteínas ou metabólitos, a análise bioinformática também permitiu identificar genes potencialmente relevantes em doenças e enfermidades de todos os tipos. No caso das tendinopatias, atualmente é conhecida uma quantidade muito pequena deste tipo de moléculas envolvidas na regulação de uma fase inicial. No entanto, existem estudos [1] em que começam a ser descobertos possíveis candidatos a esse tipo de processo, como o MACROD1, gene que se acredita ser importante no aparecimento e desenvolvimento da tendinopatia. Alcançar a identificação de genes candidatos com o objetivo de tarefas de diagnóstico e tratamento precoce por meio desse tipo de tecnologia é visto como uma revolução no âmbito de biomarcadores.

 

Uma imagem vale mais que mil dados

Os biomarcadores mostraram ser mais eficazes no momento da detecção do estado de uma tendinopatia, não se mostrando tão úteis quando o interesse do profissional médico é poder visualizar o próprio processo de recuperação. Por se tratar de um aspecto dinâmico da lesão, são necessárias técnicas que facilitem o acompanhamento adequado de um período de mudança como a cicatrização da articulação. E as ferramentas que estão dando os melhores resultados são as técnicas de imagem médica.

 

A ressonância magnética (RMN) ou o ultrassom permitem a visualização da arquitetura interna de um tendão ou músculo. Isso permite que os profissionais observem, por exemplo, o alinhamento das fibras ou quaisquer alterações estruturais ocorridas em decorrência da lesão, o que acaba por facilitar tanto o diagnóstico de alguma doença, quanto o acompanhamento da eficácia de um tratamento e alertar sobre possíveis riscos durante a recuperação.

 

No entanto, dependendo de nossas necessidades, o uso dessas técnicas de imagem convencionais pode ser visto limitado. Um exemplo claro dessa circunstância pode ser encontrado em um estudo publicado em fevereiro de 2022 no Journal of Clinical Medicine sobre um tipo de artralgia (AIA) ou dor nas articulações [2]. Esse tipo de doença causa dor nas articulações, mialgia ou rigidez articular, e em estudos anteriores foram usados exames de ecografias (ultrassom) para tentar encontrar uma relação entre a imagem e os sintomas da AIA. A inconsistência em relacionar alguns dados com outros levou os pesquisadores a explorar um novo tipo de técnica de imagem mais sofisticada que rendeu melhores resultados.

 

A elastografia por ondas de cisalhamento é uma nova técnica de imagem usada para medir a rigidez de um tendão através de ondas acústicas de cisalhamento de um feixe ultrassônico focado. Essas ondas viajam lentamente e são atenuadas ao entrar em contato com o tecido. Essa variação na sua velocidade de propagação em função do tipo de tecido por onde passe permite obter a sua correlação com a elasticidade do tecido, permitindo-nos saber, no caso das tendinopatias, se a rigidez do tendão lesado variou: a velocidades mais altas, tendões menos elásticos.

 

Ainda há um longo caminho a percorrer no monitoramento das diferentes fases de uma lesão. Identificar biomarcadores que sejam capazes de oferecer informação verdadeira, precisa e confiável e que, além disso, se adaptem às mudanças nas circunstâncias de um processo de recuperação deveria ser um objetivo principal das pesquisas a serem realizadas nos próximos anos. Só assim a eficácia dos tratamentos poderá continuar aumentando. E com isso, a saúde dos atletas e da sociedade em geral. 

This project has received funding from the European Union’s Horizon 2020 research and innovation programme under grant agreement No 952981.

 

 

 

Bibliografia:
[1] Zhu Yx, Huang Jq, Ming Yy, Zhuang Z., Xia H. (2021). Screening of key biomarkers of tendinopathy based on bioinformatics and machine learning algorithms. PLoS ONE 16(10): e0259475.
[2] Martinez, J.A., Taljanovic, M.S., Nuncio Zuniga, A.A., Wertheim, B.C., Roe, D.J., Ehsani, S., Jiralerspong, S., Segar, J., Chalasani, P. (2022). Feasibility Trial to Evaluate Tendon Stiffness Obtained from Shear Wave Elastography Imaging as a Biomarker of Aromatase Inhibitor-Induced Arthralgias. J. Clin. Med. 11, 1067.

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