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29 September, 2020

Monitoramento da fadiga através de marcadores sanguíneos em Copas do Mundo e a Eurocopas

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Os torneios internacionais das seleções representam uma mudança importante nas cargas de trabalho normais dos atletas. Após uma longa temporada, a preparação física anterior ao campeonato substitui o período típico de férias, para que os atletas possam chegar e demonstrar seu melhor condicionamento físico possível. Além disso, de acordo com a pesquisa publicada em 2019 pelos responsáveis do departamento médico da seleção australiana de futebol,1 este período preparatório apresentou um aumento significativo nas cargas de trabalho, principalmente devido ao aumento da quantidade de sessões de treinamento. Todos estes detalhes, e o aumento das cargas de trabalho acumuladas durante as temporadas, fez com que as exigências físicas sofressem um aumento expressivo.

Desta forma, o monitoramento da fadiga passa a ser muito importante tanto nas semanas que antecedem como as semanas durante o próprio torneio. Neste contexto, um dos principais procedimentos para monitorar a fadiga é o uso de marcadores sanguíneos como a creatina quinase (CK) ou a ureia. Apesar de serem parâmetros normalmente utilizados para avaliar os danos musculares ou o estado metabólico, existe uma alta variabilidade entre os ensaios clínicos que dificulta uma exata interpretação. Por outro lado, o comportamento desses marcadores pode variar ao longo de uma temporada regular, conforme o tipo de trabalho realizado e as exigências físicas necessárias. Assim, em campeonatos internacionais como a Eurocopa e a Copa do Mundo, pode ser comum encontrar valores alterados que, em uma semana normal de jogos, poderiam ser considerados um sinal de alerta. Portanto, este contexto é importante para interpretar adequadamente esses marcadores.

Considerando a escassez de informações de referência nestes formatos de campeonatos, em recente pesquisa foi publicada, revela a existência de análises retrospectivas dos marcadores de fadiga da seleção alemã de futebol que foram realizadas durante a Copa do Mundo e a Eurocopa entre 2006 e 2016.2 Durante 3 Copas do Mundo (2006, 2010 e 2014) e 3 Eurocopas (2008, 2012 e 2016) foram registrados os valores de CK e de ureia de 68 atletas (1019 dados de CK e 943 de ureia).

Como foi a variação desses valores entre 2006 e 2016?

Os resultados demostraram que os valores médios de CK e ureia foram de 343 U/L e 39,5 ng/dl respectivamente, mas a variabilidade entre os ensaios clínicos foi elevada, em torno de 45% para as duas variáveis. Ou seja, estas diferenças nos níveis de CK e ureia reforçam a necessidade de utilizar intervalos de referência individualizados quando se procura avaliar as necessidades de recuperação dos atletas com uma ótima exatidão.

Por outro lado, se olharmos para a evolução temporal destas duas variáveis, tanto a CK como a ureia demostraram uma diminuição significativa durante o período analisado. De acordo com os autores da pesquisa, “esta diminuição pode estar relacionada a uma melhor preparação e gestão da carga de trabalho do atleta, o que acarreta uma maior tolerância e uma menor fadiga durante estes torneios”.

Há alguma relação entre carga externa e marcadores de fadiga?

Mudanças no estilo de jogo e na preparação podem levar a alterações nos níveis de fadiga dos atletas; portanto os marcadores devem ser analisados em relação a outros parâmetros de carga, tanto interna quanto externa, no intuito de poder contextualizar os dados obtidos na medida do possível. Neste aspecto, os pesquisadores encontraram uma associação significativa entre marcadores de carga externa, como a distância total percorrida em alta velocidade e os níveis de CK obtidos dois dias após a partida. Além disso, descobriu-se que houve uma resposta “desproporcional” dos níveis de CK quando os atletas participavam de jogos com mais de 90 minutos, e tudo isso possivelmente devido a “microtraumas musculares em estado de fadiga”. Contudo, não foi encontrada nenhuma relação entre os níveis de ureia e os parâmetros de carga externa.

Conclusões

O monitoramento dos atletas demanda uma integração de diferentes marcadores que ajudam a estabelecer um mapa seja ele o mais amplo e completo possível sobre seu estado físico e psicológico. Neste contexto, a mensuração da fadiga através dos parâmetros sanguíneos, especialmente a CK, podem ajudar a analisar as exigências musculares dos atletas. Aliás, em virtude da alta variabilidade desses marcadores entre os atletas e a importância do momento em que são medidas, é necessário que os valores de referência sejam personalizados e atualizados regularmente.

 

Adrián Castillo

 

Referências:

  1. Noor D, McCall A, Jones M, Duncan C, Ehrmann F, Meyer T, et al. Transitioning from club to national teams: Training and match load profiles of international footballers. J Sci Med Sport. 2019;22(8):948–54.
  2. Hecksteden A, Meyer T. Blood-borne fatigue markers during major international football tournaments – a retrospective analysis of data from the FIFA World Championships and UEFA European Championships 2006 – 2016. Sci Med Footb. 2020 Apr 2;4(2):135–41.

 

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