23 October, 2018

LESÕES DE ISQUIOTIBIAIS E OUTRAS LESÕES MUSCULARES EM CRIANÇAS E JOVENS ATLETAS

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As lesões musculares nos isquiotibiais são uma das principais causas de perda de desportistas profissionais, especialmente no caso dos jogadores de futebol. Embora existam numerosos estudos que analisam a sua frequência em adultos durante a temporada, dificilmente são realizados estudos em crianças e adolescentes, razão pela qual a sua importância nessas faixas etárias não se conhecia.

Um novo trabalho onde participaram profissionais do F.C. Barcelona mostra que o número deste tipo de lesões é menor nos jovens, embora o risco aumente com o passar dos anos. Também observa que as suas características são um pouco diferentes das dos adultos e que o final da temporada é o período de maior risco e no qual os programas de prevenção devem se devem acentuar.

Os resultados foram publicados na revistaScandinavian Journal Medicine and Science in Sports.

 

Mais de mil desportistas seguidos durante três anos

Para analisar a frequência e o tipo de lesões musculares, foram seguidos 1157 desportistas durante três temporadas consecutivas. Todos membros do F.C. Barcelona, tanto de equipas de futebol como de basquetebol, handebol e hóquei, numa faixa etária dos 6 aos 18 anos de idade.

Durante esses três anos houve 40 lesões nos isquiotibiais, das quais 9 não foram musculares, mas sim avulsões da tuberosidade isquiática, a parte da pelve onde se originam estes músculos. O futebol e o handebol foram os desportos com mais riscos. Em qualquer caso, “é uma quantidade muito menor do que a dos adultos”, diz Xavier Valle, médico do F.C. Barcelona e primeiro signatário do artigo. “Uma única equipa profissional de futebol tem em média cerca de 7 lesões desse tipo por temporada”.

O tipo de lesões também é diferente. Dentro dos grupos musculares que compõem os isquiotibiais, nos jovens, os músculos semimembranosos e semitendinosos são mais afetados que o bíceps femoral. Em vez disso, o bíceps acumula “sete em cada 10 lesões desse tipo em adultos”, diz Valle, que confessa que “ainda não sabemos o motivo desta diferença, mas conhecê-la será útil para criar programas de prevenção”.

Outra novidade que o estudo apresenta é o fato de que as avulsões da tuberosidade isquiática – uma lesão que envolve um tempo mais longo de baixa, quase 45 dias em média – ocorrem entre os 12 e os 16 anos (especialmente aos 15 anos). “Seguramente, porque antes deste período não existe desenvolvimento muscular suficiente e depois disto o processo de maturação do osso é concluído”, explica Valle.

 

Um risco diferente de acordo com a idade e o momento da temporada

O risco de lesão muscular nos isquiotibiais varia de acordo com a idade do desportista. Antes dos 9 anos é quase inexistente. A partir daí vai aumentado até aos 17 anos, onde há um pico de incidência. Curiosamente, dos 13 aos 18 anos o risco sobe e baixa em épocas alternadas: é menor, respectivamente, aos 14, 16 e 18 do que aos 13, 15 e 17. Seguramente, isto deve-se aos anos pares coincidirem “com o segundo ano de cada categoria, o que significa que têm uma vantagem sobre os mais jovens e que a exigência é menor”, explica Valle.

Além disso, a probabilidade de lesão durante o ano é especialmente elevada em abril e maio, os dois últimos meses da competição, algo que também acontece em adultos e que levaria a “afetar especialmente estas épocas em relação a problemas de prevenção de lesões”.

 

Conclusões

Este é um dos poucos estudos que visam estudar lesões dos isquiotibiais em crianças e jovens. Os seus resultados indicam que o risco é menor que o dos adultos, mas não é insignificante, e que aumenta progressivamente com a idade. O padrão é um pouco diferente, uma vez que há menos afetação do bíceps femoral. Além disso, entre os 12 e os 16 anos, o risco da ocorrência de uma avulsão da tuberosidade isquiática, uma lesão geralmente mais grave, é maior.

 

 

A equipa do Barça Innovation Hub

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