3 July, 2019

JOGOS REDUZIDOS NO FUTEBOL. AS ADAPTAÇÕES EM JOGADORES PROFISSIONAIS E AMADORES SÃO IGUAIS?

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Os jogos reduzidos (Small-Sided Games, SSGs) são tarefas muito comuns na preparação de qualquer equipe. Trata-se de situações jogadas (partidas) em que se reduzem o número de jogadores e o espaço para que a participação dos atletas aumente e o jogo seja mais intenso que em um 11 contra 11. Sabemos muito acerca das adaptações que desencadeiam os SSGs dependendo de suas características.1,2 A intensidade desses exercícios pode ser manipulada ou afetada por diversos fatores, como o número de jogadores que intervêm, o tamanho e a forma do espaço de jogo, a duração do exercício e os tempos de recuperação, as regras do jogo, o ânimo do treinador ou a forma de fazer um ponto ou um gol. Como pode-se supor, as potenciais adaptações dos SSGs dependem das condições concretas em que são praticados.

 

Um dos aspectos menos estudados é o efeito dos SSGs dependendo do nível dos jogadores. Existem poucos estudos que investigaram as diferenças na resposta dos jogadores a este tipo de tarefa quando seu nível não é o mais alto.  Como costuma acontecer em vários outros temas de estudo sobre o futebol, o conhecimento que vai sendo construído baseia-se em pesquisas que usam atletas de elite como amostra. Contudo, as metodologias e os exercícios das equipes profissionais são rapidamente assumidos por equipes de outras categorias. Temos certeza de que os efeitos serão os mesmos?

 

Um trabalho publicado há algum tempo pode nos ajudar a ter respostas mais claras.O objetivo desta pesquisa consistiu em analisar a relação entre o nível dos jogadores (amadores e profissionais) e o impacto fisiológico, físico e técnico-tático em três SSGs: 2 vs. 2, 3 vs. 3 e 4 vs. 4. Os jogadores profissionais pertencem a um time francês (n = 20) que ganhou várias vezes a Ligue 1 e que nessa temporada estava participando da Champions League. Os jogadores amadores (n=20) jogam em uma categoria equivalente à Terceira Divisão na Espanha. Na Tabela 1 são apresentadas as características dos SSGs. Na Tabela 2 são apresentados os valores médios e o desvio típico de cada SSG depois de jogar a um toque, a dois e livre. Como pode-se observar, existem diferenças significativas em praticamente todas as respostas fisiológicas, atividades físicas e técnico-táticas. Os jogadores profissionais são capazes de percorrer maior distância e a uma intensidade mais alta; seus passes de bola são mais bem-sucedidos e perdem a bola muitas vezes menos e, finalmente, seus níveis de lactato no sangue e sua percepção do esforço são significativamente inferiores que no caso dos jogadores amadores.

 

Os resultados sugerem que os SSGs podem ser muito úteis para melhorar a condição física e as habilidades técnico-táticas dos futebolistas. Entretanto, parece que os SSGs demandam diferentes respostas dependendo do nível dos jogadores. As diferenças mais importantes são produzidas quando as tarefas são feitas apenas com o primeiro toque. Os treinadores deveriam permitir pelo menos 2 contatos da bola aos jogadores amadores devido a seu nível técnico mais baixo. Em qualquer caso, parecem necessárias pesquisas que usem jogadores semiprofissionais e amadores como amostra de estudo. Os técnicos destas categorias deveriam assumir com cautela as respostas físicas, fisiológicas e técnico-táticas dos SSGs propostos na literatura para planejar seu treino. Pode não ser válido para treinar seus jogadores. Ou, pelo menos, as adaptações não serão as mesmas. Também deveríamos considerar que dentro da mesma categoria existem níveis muito diferentes de jogadores. A pesquisa para melhorar a intervenção (Pesquisa-Ação) parece imprescindível em qualquer clube.

Tabela 1. Características dos SSGs.
Tabela 2. Respostas fisiológicas e atividades técnico-táticas e físicas durante um jogo 2 contra 2, 3 vs. 3 e 4 vs. 4 em jogadores amadores e profissionais. *Diferenças significativas.A RPE, o SJ e o CMJ foram medidos imediatamente após cada exercício. Os níveis de lactato no sangue foram coletados após três minutos do fim de cada tarefa.

Carlos Lago Peñas

 

REFERÊNCIAS

 

1 Hill-Haas, S., Dawson, B., Impellizzeri, F. M. e Coutts, A. (2012). Physiology of small – sided games training in football. Sports Medicine , 41(3), 199-220.

2 Aguiar, M.; Botelho, G.; Lago, C.; Maças, V. e Sampaio, J. (2012). A review on the effects of soccer small-sided games. Journal of Human Kinetics 33, 103-113.

3 Dellal, A.; Hill-Hass, S.; Lago-Peñas, C. e Chamari, K. (2011). Small-sided games in soccer: amateur vs. professional players’ physiological responses, physical, and technical activities. The Journal of Strength & Conditioning Research 25 (9), 2371-2381.

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