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July 23, 2021

Rendimento Desportivo

Importância dos fatores neurais no desempenho de força

A capacidade de exercer altos níveis de força em um curto período de tempo, conhecida como força ou poder explosivo, é um dos pilares do desempenho em muitas modalidades de esporte, desde aqueles que contêm ações como saltos, lançamentos, sprint ou mudanças de direção até outros, em que a priori, podemos pensar que sua importância pode ser menor, como os de resistência. Especificamente, a taxa de desenvolvimento de força, ou seja, a capacidade de gerar força a partir dos primeiros milissegundos da ação, normalmente avaliada nos primeiros 100 e 200 milissegundos, é demonstrada como melhor indicador de desempenho neste tipo de ação se compararmos com a força máxima alcançada, apesar desta última ser a que tradicionalmente tem recebido mais atenção.1

Embora a massa muscular desempenhe um papel importante no desenvolvimento da força muscular, sendo de fato um dos fatores que afeta a taxa de desenvolvimento de força, 1 esta última demonstrou estar amplamente condicionada por fatores neurais. Na verdade, a melhoria dos fatores neurais é uma das adaptações que mais favorece o aprimoramento da taxa de desenvolvimento de força e no desempenho em geral, sendo evidente desde as primeiras semanas de treinamento, ao contrário dos ganhos de massa muscular, que levam semanas para ocorrer. Por exemplo, uma pesquisa observou que 5 semanas de treinamento poderiam melhorar a força muscular sem produzir mudanças na densidade, rigidez ou constituição muscular, o que parece indicar que as primeiras melhorias na força são principalmente devidas a adaptações neurais.2

Confirmando o papel dos fatores neurais na força, várias pesquisas demonstram que a capacidade de realizar a ativação neuromuscular rápida no início da contração, esta medida através da eletromiografia, é fundamental para produzir altos níveis na taxa de desenvolvimento de força, ao contrário da força máxima, que não demanda tal ativação neuromuscular rápida.3,4 Portanto, os programas de treinamento destinados ao aprimoramento dos saltos devem visar a melhora desta ativação neuromuscular a partir dos primeiros milissegundos da ação. Nesta perspectiva, observamos que o treinamento de força com altas cargas, terminando com 4 e 6 repetições no máximo, aumenta não apenas a força máxima e a taxa de desenvolvimento da força, mas também a ativação neuromuscular durante as primeiras fases da contração, entre 0 e 200 milissegundos.5 Além disso, Del Vechio e colaboradores, recentemente, monitoraram uma série de neurônios motores antes e depois de quatro semanas de treinamento de força, realizando contrações com >75% de força máxima em velocidade máxima, onde observaram que esses neurônios motores foram recrutados mais cedo, aumentando sua frequência de descarga.6

Por outro lado, com o treinamento de força não só são observadas mudanças no nível do neurônio motor, mas também são produzidas mudanças diretamente no nível do córtex cerebral. Assim, observamos que o treinamento apenas com um lado do corpo pode produzir ganhos de força no lado contralateral não treinado. Por exemplo, uma pesquisa observou que após 9 sessões de treinamento de força com uma perna, a força dela aumentou 41%; mas curiosamente, a força do lado não treinado aumentou 35%, assim como a ativação cortical.7 Portanto, estas adaptações no nível neural poderiam servir para melhorar, por exemplo, a força de um membro lesionado ao treinar com o membro não lesionado.

Conclusões

Em síntese, embora o foco para melhorar a força seja frequentemente colocado em fatores estruturais como o volume muscular, os fatores neurais desempenham inclusive um papel ainda mais importante, especialmente em ações que envolvem o exercício com altos níveis de força em um curto espaço de tempo, como saltos, sprint etc. O treinamento de força explosiva com altas cargas demonstraram ser eficaz para melhorar estes fatores neurais, não sendo necessário um grande volume de treinamento, ao contrário do que acontece para alcançar a hipertrofia muscular, no intuito de obter estes benefícios.

 

Pedro L. Valenzuela

 

Referências

  1. Maffiuletti NA, Aagaard · Per, Blazevich AJ, Folland J, Tillin N, Duchateau J. Rate of force development: physiological and methodological considerations. Eur J Appl Physiol. 2016; In press. doi:10.1007/s00421-016-3346-6
  2. Blazevich AJ, Gill ND, Deans N, Zhou S. Lack of human muscle architectural adaptation after short-term strength training. Muscle and Nerve. 2007;35(1):78-86. doi:10.1002/mus.20666
  3. De Ruiter CJ, Kooistra RD, Paalman MI, De Haan A. Initial phase of maximal voluntary and electrically stimulated knee extension torque development at different knee angles. J Appl Physiol. 2004;97(5):1693-1701. doi:10.1152/japplphysiol.00230.2004
  4. De Ruiter CJ, Vermeulen G, Toussaint HM, De Haan A. Isometric knee-extensor torque development and jump height in volleyball players. Med Sci Sports Exerc. 2007;39(8):1336-1346. doi:10.1097/mss.0b013e318063c719
  5. Aagaard P, Simonsen EB, Andersen JL, Magnusson P, Dyhre-Poulsen P. Increased rate of force development and neural drive of human skeletal muscle following resistance training. J Appl Physiol. 2002;93(4):1318-1326. doi:10.1152/japplphysiol.00283.2002
  6. Del Vecchio A, Casolo A, Negro F, et al. The increase in muscle force after 4 weeks of strength training is mediated by adaptations in motor unit recruitment and rate coding. J Physiol. 2019;597(7):1873-1887. doi:10.1113/JP277250
  7. Goodwill AM, Pearce AJ, Kidgell DJ. Corticomotor plasticity following unilateral strength training. Muscle and Nerve. 2012;46(3):384-393. doi:10.1002/mus.23316

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