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14 February, 2020

FREQUÊNCIA E TEMPO DE RECUPERAÇÃO PARA UMA LESÃO DO LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR NO FUTEBOL DE ELITE

Saúde e Bem-Estar

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O rompimento do ligamento cruzado anterior (LCA) é uma lesão complicada para os atletas. Além de um período longo de recuperação afastado dos campeonatos, ela pode ocasionar uma prematura osteoartrite.1 Ainda que este tipo de lesão tenha diminuído notoriamente na última década, ainda percebemos lesões de ligamentos laterais do joelho e tornozelo,2-5 pouco sabemos  sobre a incidência e o desenvolvimento do rompimento do LCA.

Em uma pesquisa6 foi analisada como é o retorno para os atletas que sofreram o rompimento do LCA, tanto nos treinamentos quanto nos campeonatos. O estudo, publicado pela revista British Journal of Sports Medicine em 2016, foi baseado na análise de 78 times de elite de 16 países europeus durante quinze temporadas consecutivas desde janeiro de 2001 até maio de 2015 (365 temporadas analisadas e 10.157 jogos/temporadas). Um membro do corpo técnico de cada clube registrou o tempo de exposição em minutos de cada atleta durante os treinamentos e jogos disputados pelo clube e também pela seleção do país que representam. A lesão do LCA foi definida como o rompimento total primário do ligamento ou o rompimento parcial ou total recorrente, ocorrendo de forma isolada ou associada a outra lesão das articulações dos joelhos. A recuperação dos atletas (Return to play, RTP) foi definida como a quantidade de dias desde a lesão ou reconstrução até o primeiro dia de treinamento completo sem restrições (retorno ao treinamento) e ao primeiro jogo (retorno aos campeonatos).

Os resultados sugerem conclusões extremamente relevantes conforme a seguir:

  • Não se observaram reduções das lesões do LCA nos últimos 15 anos dentro do futebol de elite;
  • A frequência das lesões do LCA foi de 0,4 por equipe e por temporada, significando que, na média  uma equipe tenha uma lesão do LCA a duas temporadas;
  • Os treinamentos trazem riscos ínfimos de lesões do LCA. A frequência das lesões é 20 vezes maior em jogos e campeonatos.
  • 98,6 % dos atletas que tiveram um rompimento total foram submetidos a reconstrução do LCA;
  • Todos os atletas foram capazes de retornar aos treinamentos, mas 7% (9 deles) tiveram complicações antes de retornar ao primeiro jogo (nova lesão ou outras complicações no joelho);
  • O tempo médio de recuperação para a reconstrução do LCA foi de 6,6 meses para o retorno aos treinamentos e de 7,4 meses para o retorno aos campeonatos;
  • O retorno aos campeonatos um ano depois da lesão do LCA foi muito elevado (85,8 %), entretanto, somente 65 % (60 dos 93 atletas) puderam competir no seu nível máximo antes dos três anos de afastamento.

Assim, as conclusões desta pesquisa ainda são insuficientes, existindo ainda perguntas sem respostas. Em primeiro lugar, não é a mesma coisa retornar a um campeonato apresentando o mesmo nível de rendimento antes da lesão. Faltam estudos comprovando que, os atletas que sofreram rompimento do LCA, consigam recuperar-se completamente para retornarem ou não aos campeonatos e qual o tempo necessário para esse retorno. Em segundo lugar, se outras variáveis como a posição específica ou a idade dos atletas podem alterar o tempo de recuperação.

 

 

Carlos Lago Peñas

 

Referências:

1 Von Porat A, Roos EM, Roos H. High prevalence of osteoarthritis 14 years after an anterior cruciate ligament tear in male soccer players: a study of radiographic and patient-relevant outcomes. Ann Rheum Dis 2004; 63:269–73.

2 Erickson BJ, Harris JD, Cvetanovich GL, et al. Performance and return to sport after anterior cruciate ligament reconstruction in male Major League Soccer players. Ort J Sports Med 2013; 1: 2325967113497189.

3 Ekstrand J, Hägglund M, Kristenson K, et al. Fewer ligament injuries but no preventive effect on muscle injuries and severe injuries: an 11-year follow-up of the UEFA Champions League injury study. Br J Sports Med 2013; 47:732–7.

4 Lundblad M, Waldén M, Magnusson H, et al. The UEFA injury study: 11-year data concerning 346 MCL injuries and time to return to play. Br J Sports Med 2013; 47:759-62.

5 Waldén M, Hägglund M, Ekstrand J. Time-trends and circumstances surrounding ankle injuries in men’s professional football: an 11-year follow-up of the UEFA Champions League injury study. Br J Sports Med 2013; 47:748–53.

6 Waldén M, Hägglund M, Magnusson H, et al. ACL injuries in men’s professional football: a 15-year prospective study on time trends and return-to-play rates reveals only 65% of players still play at the top level 3 years after ACL rupture. Br J Sports Med 2016; 50:744-750

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