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29 April, 2019

A FLEXÃO NÓRDICA PARA OS ISQUIOTIBIAIS NÃO MELHORA A CAPACIDADE DE SPRINT

Rendimento Desportivo
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Os músculos isquiotibiais são muito importantes em esportes como o futebol, não só por seu envolvimento chave na capacidade de sprint, mas também porque as lesões musculares nestes grupos são as mais frequentes e implicam inúmeros dias de baixa competitiva em equipes profissionais. A flexão nórdica para os isquiotibiais é um exercício do tipo excêntrico que se tornou muito popular, especialmente por sua capacidade de reduzir o risco de lesão. Contudo, há poucas evidências sobre uma teórica influência na melhoria da velocidade.

Para comprovar isso, um grupo multidisciplinar de pesquisadores e preparadores — entre os quais encontra-se Marc Guitart, do F.C. Barcelona — desenvolveu um estudo em que analisavam a influência deste tipo de exercícios ao introduzi-los na rotina de treinamento de diferentes equipes. As conclusões são um tanto contra-intuitivas, mas evidentes: a melhoria da força conseguida não é traduzida diretamente em uma melhoria da capacidade de sprint. Foi publicado na revista de acesso aberto Plos One.

 

Uma pesquisa ampla e surpreendente

O trabalho foi desenvolvido em 50 jogadores pertencentes a times filiais de três equipes diferentes que foram acompanhadas durante 15-17 semanas, quase meia temporada. Uma delas continuou com seus treinos habituais. As outras duas incorporaram uma rotina progressiva baseada em exercícios do tipo nórdico para os isquiotibiais, que consistem em “ter os joelhos fixados por um colega, apoiados no solo, e deixar-se cair para frente mantendo o corpo reto e em bloco. Esta descida através de uma extensão controlada dos joelhos implica uma ativação excêntrica da musculatura isquiotibial”, detalha Guitart. A diferença entre estas duas últimas equipes é que uma já havia incorporado estes exercícios na temporada anterior, por isso implicava simplesmente uma continuação da rotina estabelecida.

Completado este tempo, a capacidade de sprint foi analisada em diferentes distâncias, bem como a força desenvolvida durante este tipo de exercícios excêntricos. O grupo que os havia incorporado estes exercícios pela primeira vez aumentou sua força, tanto a nível absoluto como relativo à sua massa corporal. Entretanto, suas prestações de velocidade no melhoraram mais que as do grupo de controle, aquele que havia seguido sua rotina habitual. Quanto à equipe que já havia praticado este tipo de exercícios na temporada anterior, ela só aumentou sua força relativa à massa corporal, não à absoluta. E, embora tenha progredido um pouco mais na capacidade de sprint em 20 metros, esta melhoria não se relacionava com a força relativa adquirida.

Conclusões, aplicações e novas pesquisas

“Com este trabalho pretendíamos estudar como a aplicação de um exercício de força do tipo nórdico afetava a capacidade de sprint dos jogadores de futebol”, resume Guitart, “e a conclusão é que não há uma relação direta”. Estes resultados contradizem duas pesquisas anteriores que, encontravam uma associação, mas tratava-se de trabalhos menores e de prazo mais curto.

Em compensação, “há sim muita bibliografia mostrando que este tipo de exercícios é útil na prevenção de lesões musculares”, acrescenta Guitart. O trabalho revelou que os jogadores com anterior experiência neste treinamento melhoram só um pouco sua capacidade de força, certamente porque a carga depende de sua própria massa corporal, praticamente invariável. Daí a proposta de usar estímulos diferentes com o tempo como, por exemplo, através de aparelhos de inércia rotacional.

E as pesquisas não param. “Agora estamos nos concentrando em estudos mais do tipo multidisciplinar que em um exercício em particular”, explica Guitart. “Estamos analisando principalmente o controle da carga e de sua complexidade no exercício, tanto no trabalho de força quanto no exercício otimizador de campo”, anuncia.

 

A equipa do Barça Innovation Hub

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