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26 December, 2019

FÉRIAS DE INVERNO E LESÕES EM ATLETAS DE ELITE

Rendimento Desportivo
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O número de jogos oficiais disputados em cada temporada pelos atletas profissionais de futebol aumentou de maneira exponencial nos últimos anos. Além dos jogos habituais das ligas, os melhores times têm jogos em ligas europeias, Copas e encontros internacionais com as suas respectivas seleções. Se nos anos 70 o número de eventos que o time campeão da Eurocopa disputava era de aproximadamente 40 jogos, nestes últimos anos esse valor superou os 70 jogos. Como, por exemplo, na temporada 2018/2019, Heung-Min Son (Tottenham Hotspur e Coreia do Sul) e Alisson Becker (Liverpool e Brasil) participaram de 78 e 72 jogos e correram mais de 110.000 e 80.000 quilômetros respectivamente. Os times são forçados a participar de dois jogos em um intervalo de tempo muito pequeno. E isso pode gerar riscos na participação de atletas em muitos jogos. A sobrecarga de jogos é considerada uma ameaça ao rendimento dos times.1,2

Em uma recente pesquisa3 ficou demonstrado como os times de futebol que não tiveram descanso durante o inverno, na próxima temporada terão mais chances de sofrerem lesões. Um estudo publicado pela revista British Journal of Sports Medicine em 2018 baseado na análise de 56 times de elite de 15 países europeus durante sete temporadas consecutivas (2010/2011-2016/2017). Um membro do corpo técnico de cada clube registrou estas lesões e a participação de cada jogador em treinamentos e jogos. As férias de inverno foram definidas pelo número de dias de descanso do time entre uma atividade (treinamentos ou jogos) antes do descanso e a primeira atividade (treinamentos ou jogos) posterior. A duração média das férias de inverno foi de 10,0 dias (mínimo de 4,3 dias na Escócia e máximo de 29,5 dias na Dinamarca). Na Inglaterra não houve férias.

Os resultados sugerem conclusões extremamente relevantes:

  1. Os times sem férias de inverno perderam durante a temporada com média de 303 dias, em função das lesões se comparado com os times que tiveram férias de inverno (p<0,001). Em mais detalhes, os times sem férias de inverno perderam 185,9 dias em função das lesões a cada 1000 horas de exposição ao treinamento e aos jogos (1300 dias por temporada), enquanto os times que aproveitaram às férias de inverno perderam 127,0 dias a cada 1000 horas de exposição (888 dias por temporada).
  2. Os times sem férias de inverno tiveram muito mais lesões severas que os que tiveram férias de inverno (+ 2,1 lesões mais severas por temporada).
  3. Os resultados foram semelhantes ao longo das três temporadas de agosto a dezembro (p=0,013), de janeiro a março (p<0,001) e de abril e maio (p=0,050).
  4. As férias de inverno não aumentaram a participação nas lesões por treinamento (82,7 % para os times sem férias e 84,1 % para os times com férias) ou a disposição para disputar jogos (86,0 % vs 87,8 %).
  5. O clima de cada região foi associado à frequência das lesões.

As aplicações práticas deste trabalho sugerem que, a inclusão de períodos de descanso durante a temporada, pode ser uma excelente alternativa para reduzir os riscos por lesão. Além de tudo, de acordo com o relatório, At the Limit: Player Workload in Elite Professional Men’s Football4 elaborado pela FIFPro outras medidas podem ser muito importantes:

  • Aplicação de descansos obrigatórios a cada 4 semanas fora da temporada e de 2 semanas na metade da temporada.
  • Limitar a quantidade de participações consecutivas dos atletas por temporada, com menos de cinco dias de descanso entre eles.
  • Considerar a possibilidade de impor um teto anual de jogos para cada atleta, com o objetivo de proteger sua saúde e rendimento, e
  • Desenvolver um sistema de alertas para supervisionar a quantidade de jogos do atleta e colaborar com um planejamento antecipado.

 

Carlos Lago Peñas

 

Referências:

1 Ekstrand J, Waldén M, Hägglund M. A congested football calendar and the wellbeing of players: correlation between match exposure of European footballers before the World Cup 2002 and their injuries and performances during that World Cup. Br J Sports Med 2004; 38:493–7

 

2 Ekstrand J, Waldén M, Hägglund M. Hamstring injuries have increased by 4% annually in men’s professional football, since 2001: a 13-year longitudinal analysis of the UEFA Elite Club injury study. Br J Sports Med 2016; 50:731–7.

 

3 Ekstrand J, Spreco A, Davison M. Elite football players that do not have a winter break lose on average 303 player-days more per season to injuries than those teams that do: a comparison among 35 professional European teams. Br J Sports Med 2019; 53:1231–5.

 

4 FIFPro. At the Limit: Player Workload in Elite Professional Men’s Football4 2019. https://fifpro.org/attachments/article/7689/At%20The%20limit%20-%20Player%20Workload%20in%20Elite%20Professional%20Men’s%20Football%20-%20Final%20Report.pdf

 

 

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