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18 June, 2020

EXISTEM ESTÁDIOS COM CONSUMO ENERGÉTICO ZERO?

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Foi na Copa do Mundo de 2014 quando tivemos conhecimento sobre o primeiro estádio do mundo com consumo energético zero. Ele seria o Mané Garrincha, pois passaria por uma completa renovação. Uma das modificações realizadas foi a instalação de placas fotovoltaicas em sua cobertura, produzindo cerca de 2,5 MW de energia elétrica. Essa produção seria suficiente para suprir cerca de metade das necessidades energéticas do estádio.

E a outra metade? A outra metade proviria da rede elétrica pública e esta foi a primeira surpresa que os torcedores tiveram quando escutaram falar sobre estádios com consumo energético zero. Tecnicamente falando, o consumo zero existe se forem capazes de gerar anualmente e mediante fontes renováveis, a metade da energia que consomem. É a fórmula aplicada pelos especialistas, que resulta da subtração de energia elétrica da rede pública à autogerada com fontes renováveis e limpas.

Em nenhum momento podemos tomar esta declaração e considerarmos um investimento ao meio ambiente nas sedes das equipes como fraude. E isso porque uma das condições geralmente ignoradas pelos torcedores, é a de que os estádios são um dos maiores consumidores de energia da nossa sociedade. Alimentam-se de energia, literalmente. É só imaginarmos a quantidade enorme de público, que oscila entre 30.000 pessoas nos menores e mais de 100.000 nos estádios maiores. Todos reunidos no dia do jogo em um só lugar, precisando de grandes quantidades de água potável, aquecimento ou refrigeração e iluminação no próprio edifício.

E os consumos não param por aqui. O transporte até o estádio também consome quantidades significativas de energia, de fato 50% do CO2 gerado em um evento esportivo é gerado por carros e ônibus que chegam de diferentes lugares com os participantes, que, por sua vez, trazem uma quantidade enorme de comida e bebida ao chegarem no estádio. Não é por acaso que os clubes de todo mundo estão investindo em redes de transporte público, estacionamentos com recarga para veículos elétricos e faixas exclusivas para pedestres e ciclistas.

Portanto, o consumo energético zero é só uma das medidas que podem ser tomadas para transformar um estádio em sustentável e que o meio ambiente seja respeitado. Algo que todos os clubes, sejam eles grandes ou pequenos, têm se empenhado em aplicar, especialmente porque tanto os torcedores como o público em geral demandam cada vez mais esta consciência com o meio ambiente em marcas, empresas, governos e instituições. A diferença está na forma de aplicar e nas condições particulares que circundam cada sede.

A Copa do Mundo do Qatar em 2022 é um ótimo exemplo, por ter-se dedicado a aplicar as recomendações da FIFA, na criação de estádios verdes em um clima desértico e muito ensolarado, como o da cidade de Doha. Os painéis solares são fontes de energia para a climatização e ar condicionado que passa por debaixo das arquibancadas que estarão fechadas para que o ar condicionado não saia e seja eficiente. A redução de carbono emitido nesta Copa será reduzida drasticamente.

Mas existem desenvolvimentos ainda mais atrativos. O estádio Alaska Airlines em Seattle filtra eficientemente todos os dejetos de esgoto dos banheiros, devolvendo a água potável ao lago Washington, berço de salmões. O Levi´s Stadium na Califórnia, outro dos ícones de consumo energético zero, implantou um telhado verde semeado com plantas locais que refrescam as arquibancadas naturalmente, economizando ar condicionado. Outros estádios estabeleceram um sistema de apoio às organizações de caridade locais, para que recebam toda a comida excedente que os torcedores não consumirem durante os jogos. Atrativa também foi a opção do Forest Green Rovers na Inglaterra, totalmente construído em madeira, uma opção mais ecológica que o aço e cimento.

 Imagem de Jim G via Flickr

Um último exemplo de sustentabilidade, já seguido pela maioria dos clubes como tendência geral, é a reciclagem dos materiais de construção. Algo especialmente relevante quando uma sede é reformada, porque este tipo de entulho é muito difícil de ser reaproveitado. Triturados e tratados, podem servir como aterros para fundações entre outras utilidades para novos edifícios, o que gera uma redução de resíduos de até 99%.

A questão é: se um estádio já tem consumo energético zero já ficou obsoleto. Hoje, tão importante quanto a gestão de sua energia é a localização do edifício, a proteção e eficácia no uso da água, a conservação dos materiais e a qualidade do ar em seu interior. Analisando todas essas características é que se define como mais ou menos sustentável, sendo que muitos estádios conseguiram as melhores certificações ecológicas, o que desperta autenticidade no respeito com o meio ambiente. San Manés, sede do Athletic Club, foi pioneiro na Europa ao conseguir a certificação LEED em 2015, compartilhando tal qualificação com os estádios mais importantes da UE.

A resposta ao título deste artigo é que sim, existem e são possíveis os estádios com consumo energético zero. Inclusive aqueles que ainda não fazem parte dessa realidade, agregam uma série de esforços capazes de contribuir com a conservação do entorno e amenizar os efeitos negativos da mudança climática. E é claro que tudo isso gera uma nova pergunta. Por que ainda nem todos os clubes adotam essas políticas?

 

 

Martín Sacristan

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