23 November, 2018

NOVOS DADOS COMO AS EXIGÊNCIAS FÍSICAS DOS FUTEBOLISTAS VARIAM CONSOANTE A SUA POSIÇÃO

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Já há tempos que se sabe que o esforço e as exigências físicas dos jogadores não são homogéneos, mas variam consoante a sua posição em campo. Esta é a base dos treinos individualizados, adaptados às exigências a que cada jogador estará submetido na competição.

Muitos dos inúmeros estudos a esse respeito, contudo, analisam essas exigências tendo apenas em conta algumas variáveis ou empregando janelas de tempo muito alargadas. Isso implica riscos; por um lado, podemos não dispor de toda a informação necessária; e,  por outro, a utilização de médias como referência pode levar a que os jogadores não sejam convenientemente treinados e preparados para os cenários mais exigentes de cada desafio.

Um novo estudo realizado por preparadores físicos do F.C. Barcelona analisou vários desses dados com mais precisão. Os resultados e conclusões foram publicados na revista Journal of Sports Science and Medicine e já estão a ser aplicados nos treinos das diferentes categorias.

 

Mais variáveis e medições para captar melhor a realidade

O estudo segue 23 futebolistas do Barça B durante uma temporada inteira. Usando tecnologia baseada em GPS e software de análise específico, atentou-se a variáveis que se podem classificar basicamente em três grupos: locomotoras (distância percorrida; distâncias percorridas a alta velocidade e em sprints), mecânicas (número de acelerações e desacelerações de alta intensidade) e variáveis metabólicas (distância percorrida a potência metabólica alta e média). Além disso, empregou-se um método de observação particularmente flexível, que analisa janelas de tempo de 1, 3, 5 e 10 minutos, para as comparar com as diferentes tarefas de treino.

Os jogadores foram divididos segundo a sua posição, em cinco categorias: defesas laterais, defesas centrais, médios defensivos, médios ofensivos e avançados. Observou-se, por exemplo, que os que percorriam maiores distâncias num jogo eram os médio-campistas e os médios ofensivos, embora com menos situações de sprint. Ao contrário dos defesas laterais e avançados, que percorriam mais metros a alta velocidade.

 

Uma análise minuciosa para um jogo com várias dimensões

“Uma das novidades do estudo é o facto de nos ter permitido comprovar que estas diferenças surgem tanto em períodos de tempo alargados como em janelas de apenas um minuto”, indica Andrés Martín, preparador físico do F.C. Barcelona e primeiro autor do trabalho.

A análise de todo um leque de variáveis permitiu igualmente constatar que, nos momentos de máxima exigência de cada atividade, decorrem outras em simultâneo, que têm de ser observadas e treinadas. Por exemplo, é quando mais precisam de se deslocar a alta velocidade que os médio-campistas realizam normalmente acelerações e desacelerações intensas. Ou, o que se avalia, na análise do consumo metabólico: apesar de ser bastante semelhante, entre avançados e centrais, nos primeiros, este deve-se mais a situações de alta velocidade e, nos segundos, a acelerações e desacelerações. A exigência no futebol tem muitas dimensões que se devem combinar no treino. As rotinas que dão demasiada ênfase a algumas delas podem limitar o rendimento durante a competição.

Em geral, estas medidas seriam especialmente indicadas para os futebolistas que não competem com assiduidade. “Os jogadores titulares já têm normalmente grande parte da carga necessária, ainda que se possa acrescer uma carga mais personalizada, especialmente quando o calendário o permite”, afirma Martín, acrescentando que a investigação não fica por aqui: “Também queremos saber, por um lado, como a equipa se comporta globalmente e não apenas individualmente e, por outro, se os aspetos técnico-táticos condicionam essas exigências. E há que ter igualmente em conta o risco de lesões: pensamos que um treino mais adequado às exigências atua como fator de prevenção”.

 

 

A equipa do Barça Innovation Hub

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