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12 January, 2021

Evolução de desempenho técnico dos atletas na UEFA Champions League

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O futebol é um esporte em constantes evoluções. Alterações nas regras do jogo, surgimento de novas táticas e preparações técnicas e físicas aprimoradas para os atletas produzem alterações no desempenho e na forma como se joga dentro e fora dos clubes ao longo do tempo. Foi constatado, por exemplo, que entre as temporadas de 2006 e 2007, e depois entre 2012 e 2013 os atletas da Premier League inglesa aumentaram em 12% a quantidade de passes realizados em um jogo e quase um terço das jogadas e distâncias percorridas com alta intensidade.1 Outros estudos demonstraram que durante as finais da Copa do Mundo entre 1966 e 2010 a quantidade de passes e a velocidade da bola em jogo aumentaram 30% e 15% respectivamente, enquanto que o tempo real de jogo diminuiu em 10%.2 A movimentação dos atletas e técnicos em função da globalização e a tendência que marcam os clubes vencedores podem, talvez, justificar estas alterações.

Como o futebol de elite está sofrendo grandes alterações nos últimos anos? Podemos descobrir tendências/estilos de jogo? Em uma recente publicação3 foram verificadas as evoluções sobre o desempenho técnico dos clubes e atletas nos últimos anos na UEFA Champions League (UCL). Foram verificados valores em 18 ações de jogos em um total de 1125 partidas (2489 atletas, 16247 verificações) durante 9 temporadas: de 2009 e 2010 até 2017 e 2018. As informações foram retiradas de um site com acesso público (www.whoscored.com) e a confiabilidade do sistema de rastreamento usado (OPTA Client System) foi validado pela literatura vigente. Os principais resultados coletados na tabela abaixo demonstram que:

Avaliação temporária do desempenho técnico dos atletas que pertencem a UEFA Champions League durante as temporadas de 2009 e 2010 a 2017 e 2018.

Objetivamente:

  • A quantidade de lançamentos e lançamentos ao gol somente apresentam diferenças nas temporadas verificadas.
  • Os passes, a porcentagem de passes com finalização ótima e os contatos com a bola demonstram uma tendência positiva durante o período de 9 anos do estudo (p<0,01). Cada vez mais existem melhores passes de bola e com mais eficazes. Os valores inferiores e superiores da série histórica foram alcançados na primeira e na última temporada, ou seja, identificados nos pontos verde e vermelho no gráfico de tendências.
  • O meio-campo, em qualquer posição, a bola é remetida à área do adversário via posição lateral e os passes longos, ou seja, com mais de 25 jardas/22,86 metros mantém-se nos níveis e inclusive diminuíram nos casos de meio-campo (p<0,01).
  • Faltas, entradas e cartões amarelos apresentam a tendência significativamente decrescente (p<0,01).
  • A quantidade de recuperações em um jogo se manteve estável entre as temporadas de 2009 e 2010 e 2016 e 2017. Entretanto, houve um aumento de 35% nos últimos anos.

Temos a forte impressão que os melhores clubes europeus apostam em ter mais controles durante uma partida, ao criarem espaços de ataque através do uso de mais passes curtos e com maior eficiência para não perderem a posse de bola. Mas no meio-campo da área até as laterais e os passes longos tiveram menores expressividades dentro do jogo. A posse de bola e o jogo combinado parece que marcaram tendência na evolução do futebol de alto nível diante de um jogo mais direto (passes longos).

Os clubes e os técnicos devem levar em consideração estas tendências na evolução de jogo durante o trabalho diário. O processo de formação dos atletas mais jovens é possível que seja orientado ou direcionado para o estímulo de melhores níveis técnico-táticos com a posse de bola e que sejam capazes de jogarem cada vez melhor e mais rápidos. O registro dos atletas não deveria ser alheio a esta evolução. Talvez seria conveniente relembrar uma frase de Johan Cruyff: “O futebol é um jogo que se joga com o cérebro. Deve estar no lugar certo, no momento mais indicado, nem antes nem depois”. É provável que a modernidade, seja para relembrar o que já nos ensinaram os grandes sábios há muitos anos.

 

Carlos Lago Peñas

 

Referências

1 Barnes, C., Archer, D. T., Hogg, B., Bush, M., and Bradley, P. S. (2014). The evolution of physical and technical performance parameters in the English Premier League. Int. J. Sports Med. 35, 1095–1100. doi: 10.1055/s-0034-1375695

2 Wallace, J. L., and Norton, K. I. (2014). Evolution of World Cup soccer final games 1966–2010: game structure, speed and play patterns. J. Sci. Med. Sport 17, 223–228. doi: 10.1016/j.jsams.2013.03.016

3 Yi Q, Liu H, Nassis GP and Gómez M-Á (2020) Evolutionary Trends of Players’ Technical Characteristics in the UEFA Champions League. Front. Psychol. 11:1032. doi: 10.3389/fpsyg.2020.01032

 

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