BIHUB PATH

December 3, 2021

Psicologia

Etapas na formação do jogador criativo

By Álvaro González y Xavier Damunt.

À medida que as pesquisas da ciência do esporte avançam, a estreita relação entre a mente e o desempenho físico é cada vez mais notória. Por exemplo, um estudo recente publicado na revista RETOS da FEADEF (Federação Espanhola de Professores de Educação Física) sobre a relação entre habilidades motoras e mentais, concluiu que a alta resistência cardiorrespiratória está associada a maior memória, cálculo matemático, velocidade de raciocínio linguístico e criatividade em adolescentes, independentemente da idade e do sexo.

Criatividade é a capacidade de gerar ideias novas e corretas para resolver o mesmo problema. É uma habilidade que pode ser aplicada em todas as facetas da vida, mas, dentro do esporte, é especialmente relevante nas competições coletivas. De fato, na ciência do esporte há cada vez mais estudos voltados para tentativas de incentivá-la e desenvolvê-la por meio do treinamento. O investigador Daniel Memmert a define como um “comportamento inusitado, inovador, de raridade estatística ou mesmo singular nas soluções para uma situação esportiva relacionada”.

“A creatividade é um comportamento inusitado, inovador, de raridade estatística ou mesmo singular nas soluções para uma situação esportiva relacionada.” Daniel Memmert, Professor e Chefe Executivo do Instituto de Treinamento de Exercícios e Informática Esportiva da Universidade de Colônia.

O conceito não tem a ver com melhorar exigindo mais esforço ou mais compromisso, mas de introduzir mudanças, aprender a mudar. Gerar novas ideias, variáveis, que só podem surgir em ambientes de motivação e autoconfiança. Trata-se de um comportamento que está relacionado ao pensamento divergente, cujo desenvolvimento ocorre em um contexto que, a priori, não admite limites ou exclusões. Assim, de acordo com essas premissas, um jogador criativo seria aquele que pode executar múltiplas e diversas ações motoras, novas ou pouco comuns, que sejam originais ou não utilizadas antes por outros jogadores e, acima de tudo, que tenha a capacidade de seguir insistindo sobre elas, mesmo que, inicialmente, não sejam eficazes, até dar um jeito torná-las eficazes por meio do desenvolvimento de ensaio/erro.

Fases no desenvolvimento da criatividade

As condições necessárias e ótimas para a formação de jogadores com essas características a partir das categorias iniciais ainda são objeto de pesquisas atuais. No estudo coletivo The Spawns of Creative Behavior in Team Sports: A Creativity Developmental Framework, os autores distinguem cinco estágios elementares no desenvolvimento da criatividade de um atleta:

  • iniciante (2 a 6 anos),
  • explorador (7 a 9),
  • illuminati (10 a 12),
  • criador (13 a 15) e
  • elevação (acima de 16).

Nos iniciantes aparecem os primeiros indícios de confiança e adquirem as faculdades para se mover, os exploradores aprendem a buscar novas soluções, na fase Illuminati desenvolve-se o pensamento divergente (ideias fora da caixa), o criador já está focado na resolução de problemas e na elevação, as bases já estão estabelecidas para gerar um comportamento coletivo criativo. Essas etapas são superadas, partindo de um jogo ingênuo em que os fundamentos e movimentos do esporte são aprendidos até atingir a especialização, a complexa compreensão tática e espacial e a capacidade de antecipar as situações que irão surgir durante o jogo.

Obstáculos à criatividade

Atualmente, há um debate recorrente entre treinadores e profissionais do esporte em geral sobre se o fato de as crianças brincarem cada vez menos na rua (terreno acidentado, com interrupções, obstáculos fixos e circunstanciais e jogadores de diferentes idades) e cada vez mais em instalações adequadas e de qualidade em suas respectivas categorias poderia ser prejudicial à sua criatividade. O ex-técnico da seleção Javier Clemente resumiu a polêmica há alguns anos com uma máxima: “Na rua você aprende a jogar futebol e nas escolas de futebol você aprende a jogar bola”.

“Na rua você aprende a jogar futebol e nas escolas de futebol você aprende a jogar bola” Javier Clemente, ex-treinador nacional.

Os pesquisadores do estudo ecoam esse tipo de opinião, consideram às facilidades materiais como obstáculos à criatividade, adicionando a mecanização do jogo e a falta de desfrute nele, entre outros motivos, como inibidores da criatividade em novos jogadores. Não seria consequência de um único fator. Porém, finalmente a qualidade sempre virá do pensamento crítico do atleta, de sua capacidade de analisar ações, encontrar as melhores, tomar as decisões certas e ser capaz de executá-las.

A essa situação, é preciso adicionar que a maioria dos estudos coincidem em identificar que a criatividade das crianças começa a declinar aos seis anos de idade, em um processo natural em que a imaginação diminui ao longo da vida da pessoa. Portanto, esses estágios iniciais são fundamentais para plantar a semente do jogador inovador e criativo. A criatividade usa a imaginação para desenvolver seu potencial. Porém, nos esportes coletivos, a criatividade não é alcançada pela quantidade de exercícios focados em desenvolvê-la ou despertá-la, se não que os problemas são resolvidos por uma mistura de pensamento convergente e pensamento divergente. Quantidade não é sinônimo de qualidade, é preciso equilíbrio.

Etapas de aprendizagem

A abordagem multifacetada exigida pelo treinamento do jogador passaria, por exemplo no caso da habilidade de driblar, por permitir ao atleta sair da zona de conforto desde o início e adquirir a iniciativa necessária para realizar novas formas, mesmo sem ter sucesso. É necessário estabelecer as condições que permitam ao jogador descobrir soluções pessoais, enfrentando um desafio contínuo da sua capacidade de auto-adaptação. Já haverá tempo para aprimorar as técnicas de drible que tenha aprendido, a eficiência e sua capacidade de adaptá-la a diferentes situações, a versatilidade, para que a soma de todas essas etapas conduza, em última instância, ao surgimento de soluções únicas ou originais, sempre dentro de ações coletivas que contribuam para o sucesso da equipe.

No entanto, serão as primeiras experiências que irão delinear o comportamento posterior do atleta. Nesse ponto, os pesquisadores ressaltam a necessidade do treinador estar ciente de que deve proporcionar aos seus alunos o maior número de experiências positivas nesses primeiros anos. Essa motivação inicial é fundamental para que continuem sua evolução enquanto alcançam uma alfabetização física completa:

  • domínio locomotor (correr, pular),
  • domínio e controle da bola (pegar, receber, lançar, bater, lançar),
  • habilidades de estabilização (equilíbrio, rotação, reforço e torção) e
  • noções básicas do jogo, como passar a bola evitando que o adversário a intercepte.

No entanto, o estudo enfatiza a importância da ordem na aprendizagem. É importante desenvolver o domínio dos movimentos antes de aprender as habilidades fundamentais do esporte em questão. Existem pesquisas que sugerem que a capacidade de dominar as habilidades fundamentais de um esporte diminui a partir dos sete anos, mas outras apontam que esse período de aprendizado pode durar até os quatorze anos.

Nos estágios explorador e illuminati, os jogadores mais jovens também devem ter a oportunidade de explorar seus limites para que possam potencializar seu comportamento adaptativo sem medo de tentar ou correr riscos na competição. Nesse período, ainda é importante que eles busquem suas próprias soluções para as adversidades antes de aplicar as soluções padronizadas aprendidas. Treinamentos ricos em simulação de diferentes experiências que podem ocorrer em uma partida serão a forma ideal para que eles desenvolvam a percepção das constantes mudanças que ocorrem no jogo.

A importância do tipo de treinamento

Não passa despercebido aos pesquisadores que estas necessidades exigem do treinador a preparação das sessões, a não permitir um jogo sem qualquer tipo de critério. O planejamento destas sessões de treinamento representativas exigirá mais tempo e dedicação. Da mesma forma, o aprendizado diferencial também pode ser utilizado, que ao invés de evitar erros tenta induzi-los – por exemplo, bater a bola com os braços erguidos no futebol- embora deva ser usado com cautela se os jogadores forem jovens, pois pode retardar o aprendizado.

A polêmica está em encontrar o momento ideal para que o treinamento do jogador vire em treinamento de especialização. Não existe um parâmetro exato sobre a idade ideal. O jogo sem limitações para desenvolver o potencial criativo, bem como o exercício de diferentes modalidades desportivas, ou seja, as fases anteriores, tem que estar integrado com o início da especialização, não vir uma depois do outro. Esta pesquisa sugere que essas duas facetas não se excluem mutuamente, a especialização não necessariamente limita a criatividade, mas é uma condição sine qua non para que os jogadores tenham soluções ou possam desenvolvê-las posteriormente. Trata-se de facetas que devem ser desenvolvidas em paralelo.

Desse jeito, a capacidade de percepção do jogo que eles tenham, as fontes de informação simultâneas que possam perceber, bem como sua sensibilidade às circunstâncias do jogo, irão condicionar a qualidade das ações motoras. No final, as reações dos jogadores não vêm de suas mentes, mas da percepção e interpretação da realidade. Em todo esse processo, conclui o estudo, só existe uma maneira de saber inequivocamente que você está no caminho certo: observar que os jogadores estão à vontade ​​para pensar diferente sem medo de falhar, correndo riscos, explorando novas ideias e sendo inovadores durante o jogo.

Fontes:

Capacidades físicas y su relación con la memoria, cálculo matemático, razonamiento lingüístico y creatividad en adolescentes

La creatividad en el deporte: una revisión sistemática

The Spawns of Creative Behavior in Team Sports: A Creativity Developmental Framework

Javier Clemente: «En la calle aprendes a jugar al fútbol y en las escuelas aprendes a jugar a la pelota»

KNOW MORE

¿VOCÊ QUER SABER MAIS?

  • ASSINAR
  • CONTATO
  • CANDIDATAR-SE

FIQUE ATUALIZADO COM NOSSAS NOVIDADES

Você tem dúvidas sobre o Barça Universitas?

  • Startup
  • Centro de investigação
  • Corporate

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

O formulário foi enviado com sucesso.

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

O formulário foi enviado com sucesso.

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

O formulário foi enviado com sucesso.