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25 August, 2020

ESTÁDIO COM A MENOR EMISSÃO DE CARBONO ATÉ HOJE CONSTRUÍDO

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Há duas coisas que o presidente do clube Forest Green Rovers não admite em seu clube: que os jogadores comam carne vermelha ou que comprem os torcedores no estádio. Mas o veganismo é apenas uma das filosofias que Dale Vince adotou com entusiasmo. A outra é sua aposta efetiva pelo ecologicamente correto. A Ecotricity que foi fundada nos anos 90, produz 100% da sua energia a partir de fontes renováveis com o claro objetivo de abastecer seus clientes no Reino Unido. Apaixonado pelo mundo do esporte, converteu o estádio do Forest Green FC em um laboratório experimental no intuito de conseguir um edifício com menor impacto ambiental, transmitindo suas descobertas para o resto da sociedade. Agora irá mais longe, transformando a sede de seu clube no primeiro estádio totalmente construído com madeira e, portanto, esse edifício emitirá menores quantidades de carbono para uma edificação até hoje.

Esta é, pelo menos, a declaração mais categórica da renomada arquiteta Zaha Hadid, vencedora do concurso internacional para construção do novo EcoPark. De acordo com suas palavras, “três quartos do impacto de carbono de um estádio de futebol é proveniente do concreto que foi usado para erguê-lo”. É uma equação quase impossível de resolver, pois o material de construção geralmente é muito pouco ecológico, devido à energia necessária para ter as matérias-primas necessárias e grandes quantidades de água que são necessárias para a construção. Mas, ao mesmo tempo, vem fornecendo soluções estruturais ideais para a arquitetura há mais de cem anos. A substituição por madeira, como neste caso, requer que as vigas estejam mais próximas entre si e estabelece limitações no projeto do edifício.

A pesquisa comprovou que estas deficiências não afetam necessariamente um estádio. O projeto da arquibancada, muito claro por sinal, garantirá uma ótima visualização para todos os participantes, com separação de apenas cinco metros entre a grama e a primeira fileira de assentos. Entradas, acessos e espaços para instalações secundárias como os “Food Courts” serão semelhantes às de qualquer outro estádio. Projetado para 5000 torcedores, permitirá ampliações futuras até dobrar essa capacidade. O uso de madeira, proveniente de florestas sustentáveis, não se limita apenas à estrutura, pois os pisos, arquibancadas, assentos e outros itens do EcoPark também serão feitos inteiramente com este material.

Mas o que é interessante neste modelo de estádio não é apenas seu projeto arquitetônico, mas também o desafio de gestão que representa para a equipe administrativa do clube. O desafio seria triplo como, por exemplo, responder às aspirações do presidente, atender às demandas do município de Gloucestershire e da cidade de Stroud, onde está localizado e tornar o projeto economicamente viável. Algumas dificuldades explicam por que Zaha Hadid ganhou o concurso em 2016, porém, até o final do ano passado, o Forest Green ainda não havia obtido a licença de construção.

A primeira delas foi a dimensão do próprio projeto. O Ecopark responde ao moderno conceito de estádio integral, abrangendo tanto o edifício em que se realizam os jogos, como centro de ciências do esporte, instalações para treinamentos e ainda parque empresarial destinado às empresas de TI “verdes”, com escritórios comerciais e industriais construídos de forma sustentável. O conjunto tornará rentável o estádio tanto nos “Matchdays” como nos outros dias do ano. Uma ideia ambiciosa que gerou conflitos com a prefeitura da cidade de Strout, sede do clube.

A tradição de concessão de licenças urbanísticas no Reino Unido exige que qualquer projeto, desde uma habitação a um estádio, tenha sobretudo a aprovação de seus vizinhos. Os cinco mil assentos e o parque empresarial poderiam significar, especialmente em dias de jogos, engarrafamentos de trânsito na rodovia mais próxima, a M5, o que seria muito inconveniente se o Forest Green FC não administrasse adequadamente o estacionamento e os acessos. Além disso, uma outra dificuldade seria a de enfrentar o desafio de construir um estádio no entorno das (AON) Areas of Outstanding Natural Beauty, zonas especiais de proteção paisagística que pretendem manter intacto o aspecto da paisagem inglesa. A Câmara Municipal e a vizinhança consequentemente foram convencidas de que a cidade não estaria lotada nos dias dos jogos assim como as rodovias não colapsariam permanentemente o parque empresarial. E ainda convencer o condado de Gloucestershire de que o próprio estádio não atentaria contra a proteção paisagística das AON que contornam Strout.

Toda as negociações foram realizadas durante três anos, escutando as necessidades da cidade, mantendo a ideia original e ao mesmo tempo introduzindo modificações. O trabalho exigiu acordos com as autoridades e a transferência das suas exigências para o escritório de arquitetura. E, finalmente, chegaram a uma solução que trouxe satisfação a todos, ao aceitar modificações importantes: a cobertura do estádio havia passado de opaca a transparente. A típica estrutura em forma de vela que caracteriza os estádios modernos, tendo como seu maior representante o “globo”, que contorna o Allianz Arena em Munique, permitirá que o torcedor veja à distância quando olhar para o EcoPark, respeitando a aparência da paisagem.

O próximo desafio, que acontecerá dentro de um ano, será o de começar a gastar os 100 milhões de libras que o projeto custará. O mais difícil já foi realizado e demonstra que atualmente a construção ou reforma dos estádios desportivos não se limita apenas a construir edifícios, mas sim gerir um conjunto de recursos e interesses a partir de uma visão global.

 

Martín Sacristán

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