9 May, 2018

O diagnóstico de imagiologia na medicina desportiva: presente e futuro

Saúde e Bem-Estar
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As lesões musculares representam mais de 30 % de todas as lesões sofridas em desportos como o futebol. É, portanto, de suma importância no que respeita aos treinos e aos minutos de jogo perdidos. Para minimizar o problema, é fundamental realizar um diagnóstico correto, que permita estabelecer o prognóstico e os prazos de tratamento apropriados, bem como o risco de reincidência da lesão.

As técnicas de imagiologia — como a ecografia ou a ressonância magnética — são de grande ajuda neste processo. Recentemente, o Dr. Gil Rodas, médico especialista no F.C. Barcelona, publicou um artigo na revista Healthmanagement.org no qual descreve as principais utilizações destas técnicas, a sua importância e as novas áreas de investigação.

O diagnóstico é fundamental

“O mais importante no tratamento de uma lesão muscular é fazer um bom diagnóstico”, garante Rodas. “Para isso, é fundamental considerar o que conta o paciente e o exame físico, mas hoje temos a sorte de dispor também de exames como a ecografia ou a ressonância magnética, que nos ajudam a ser mais precisos.”

O desafio é complexo e a classificação das lesões musculares ainda é tema de debate. No ano de 2017, a própria equipa médica do F.C. Barcelona, em colaboração com o hospital Aspetar e outros centros europeus e dos Estados Unidos, propuseram um novo sistema no qual era considerado tanto o mecanismo da lesão como a sua localização, o grau de gravidade e o número de lesões anteriores. “Estamos a passar de uma classificação muito simples para outra com muitas camadas de informação, de certa forma similar ao que está a acontecer com o diagnóstico do cancro. No entanto, ainda estamos em processo”, garante Rodas.

Em relação aos exames de imagiologia, a ecografia é atualmente a mais utilizada. “É um sistema fácil e barato que pode ser utilizado por todos os clubes desportivos. éÉ como o estetoscópio para um cardiologista.” A imagiologia permite não só acompanhar o processo de cicatrização e a evolução do hematoma mas, até, verificar se a arquitetura muscular se está a restaurar corretamente. É, neste momento, a melhor ferramenta para o acompanhamento regular.

A ressonância magnética é mais dispendiosa e menos indicada para procedimentos diários, mas, em contrapartida, oferece maior grau de precisão. Ambas se complementam e são de grande utilidade. Não obstante, ainda não se mostraram úteis para decidir o momento adequado e seguro para voltar à competição. Esse é o próximo grande desafio.

Na tomada dessa decisão, “hoje em dia, baseamo-nos na própria avaliação clínica e em testes de campo a partir da análise com GPS”, reconhece Rodas. “De algum modo, estes dados dizem-nos se o carro, que esteve parado, volta a conseguir alcançar as mesmas velocidades e a fazer as mesmas acelerações.”

O objetivo, no futuro, é que os exames de imagiologia ajudem também na tomada dessa decisão. Com as novas tecnologias, está a tornar-se possível passar da mera observação anatómica para o estudo minucioso não só da estrutura do músculo e do tendão, mas também do seu metabolismo e funcionamento. Apesar de ainda não existirem estudos suficientes, há a esperança de que as novas e mais potentes ressonâncias magnéticas (denominadas “de 3 Teslas”) possam ajudar, melhorando a definição das imagens. Outro tipo de ressonância que está a ser estudada é a elastografia, que permitiria estudar os músculos em movimento, o seu funcionamento e a sua flexibilidade. Inclusive as tomografias por emissão de positrões (TEP), agora utilizadas no estudo do cancro e das doenças cardíacas, poderiam oferecer informação sobre o metabolismo do músculo e a sua recuperação.

Neste momento, a conclusão principal é que os exames de imagiologia melhoram o diagnóstico das lesões musculares, fornecem o prognóstico e permitem ajustar o tratamento. Com o tempo e a investigação, provavelmente, também poderão ajudar a decidir o momento adequado para voltar à competição.

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