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22 July, 2019

CONTRARIANDO TUDO, A LONGITUDE DO TENDÃO LIVRE NÃO INFLUI NA RECUPERAÇÃO DO BÍCEPS FEMORAL

Medical services and wellness
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“A observação de alguns casos nos fez suspeitar”, comentam os doutores Ricard Pruna e Gil Rodas, médicos do F.C. Barcelona. “Quando víamos os jogadores de futebol sofrer uma lesão na parte longa do bíceps femoral, parecia que alguns deles, que tinham um tendão livre proximal mais curto, apresentavam um tempo de recuperação mais rápido. Mas era uma impressão subjetiva, então decidimos usar os dados de que dispúnhamos para estudar e comprovar com precisão”.

O bíceps femoral é um dos músculos que compõem os isquiotibiais, um dos grupos musculares que mais sofre lesões em esportes como o futebol. Segundo o doutor Xavier Yanguas, também médico do clube, este tipo de lesão representa 12% de todas as lesões sofridas pelos futebolistas e 37% das lesões musculares. Em particular, 84% das lesões de isquiotibiais ocorrem no bíceps femoral, por isso sua grande importância.

O músculo bíceps femoral tem duas cabeças, uma longa e outra curta. A primeira, mais relevante, está inserta na tuberosidade isquiática da pélvis através de um tendão comum com o semitendinoso e que pode ser dividido para ser estudado em duas porções: uma intramuscular e outra livre, despojada de fibras musculares. A longitude desta última era a que parecia influenciar na recuperação e tinha certo sentido biológico: “Sua extensão pode influir no ângulo de penação, formado pelas fibras musculares com o próprio eixe do músculo, e este foi relacionado com o risco de lesão e de reincidência”, explica Rodas. A hipótese estava formulada, mas, como toda abordagem na ciência, deve-se verificar. Daí o estudo realizado pelos médicos do clube, os doutores Ricard Pruna, Xavier Yanguas e Gil Rodas junto a grandes especialistas internacionais em patologia do músculo, como os doutores Ramón Balius e Hans Tol. Os resultados foram publicados recentemente em forma de carta científica na revista Apunts. Medicina do Esporte.

 

Um estudo necessário e contra-intuitivo

O trabalho incluiu dois grandes grupos de atletas. Um deles estava formado por 50 jogadores do F.C. Barcelona. No outro, foram aproveitados os dados  disponíveis em uma amostra de 58 jogadores do centro ASPETAR de Doha (Catar), que haviam participado de um ensaio clínico prévio.

Com todos eles foi feita uma ressonância magnética para realizar o diagnóstico de lesão muscular, o que permitiu, por sua vez, medir a longitude do tendão livre, a distância entre a tuberosidade isquiática e o ponto onde começam a aparecer fibras musculares. Esta medida foi depois comparada com a evolução (marcada pelo return-to-play (RTP) ou volta à competição) de cada uma das lesões musculares do bíceps femoral em cada um dos atletas selecionados. A estimativa da longitude foi muito confiável, com uma correlação quase perfeita quando dois radiologistas interpretaram a imagem de forma independente ou quando o próprio especialista a analisá-la novamente.

Contudo, e contrariamente ao esperado, não se encontrou nenhuma relação estatisticamente significativa entre a longitude do tendão e o pronóstico ou RTP da lesão.  Ou seja, possuir um tendão livre mais longo não evita um pior pronóstico nas lesões musculares do bíceps femoral.

Ambas as medidas estavam dentro dos parâmetros normais observados em outros estudos, mas a variação entre elas não se encontra associada. “São dados bastante confiáveis porque compreendem um número elevado de jogadores”, assegura Rodas. Um pequeno ponto fraco do estudo pode estar no fato que “os critérios dos médicos provavelmente eram diferentes quanto à volta à competição nos dois grupos”, explica.  

As conclusões então podem ser consideradas definitivas? Talvez não. “Com uma amostra maior, talvez, a hipótese do estudo possa ser provada”, destaca Rodas. “Também é possível que algum subgrupo de lesões do bíceps femoral, como as lesões músculo-tendinosas ou as músculo-faciais em diferentes localizações e com diferentes características, tenha algum tipo de associação. É algo que poderia ser analisado no futuro, com um número maior de jogadores”, conclui.

 

A equipe Barça Innovation Hub

 

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