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13 March, 2020

COMO JOGAR UMA PRORROGAÇÃO PODE INFLUENCIAR NO RENDIMENTO FÍSICO E TÉCNICO-TÁTICO DOS ATLETAS?

Rendimento Desportivo

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As partidas de futebol são compostas de dois tempos iguais de 45 minutos. Nos campeonatos com eliminação direta (Knock-Out: KO), como são as finais dos torneios das seleções ou da Copa, caso exista empate no tempo preliminar de 90 minutos regulamentar, as equipes deverão disputar em uma prorrogação composta de dois períodos iguais de 15 minutos cada para a definição da partida. Trata-se de uma situação atípica. É muito provável que, ao longo da temporada, a maioria dos atletas não tenham que participar de uma prorrogação. Entretanto, este tempo extra nas partidas gera um impacto determinante no resultado das partidas.

Duas pesquisas analisaram como a prorrogação pode influenciar no rendimento físico e técnico-tático dos atletas. Em uma primeira etapa,1 foram analisados os impactos do tempo extra na distância total percorrida pelos atletas e na distância percorrida em baixa (<11,0 km/h-1), media (11,1-14,0 km/h-1) e alta intensidade (>14,1 km/h-1), a velocidade máxima, o número de sprints e o número de ações a baixa, média e alta intensidade. A amostra foi composta por 99 atletas que disputaram 6 partidas com prorrogação durante a Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Os resultados demonstraram que existe uma perda no rendimento que oscila entre 15 e 20% em todos os indicadores analisados se comparado ao rendimento entre o primeiro tempo do jogo e da prorrogação. Por exemplo, a quantidade de metros percorridos por minuto em alta intensidade é de 29,5, 24,19 e 23,61 no primeiro, no segundo tempo e na prorrogação, respectivamente. A distância total percorrida no primeiro tempo é de 110,52 metros por minuto, no segundo tempo é de 97,12 metros e na prorrogação é de 98,76 metros, respectivamente. A velocidade máxima passa de 26,72 km/h-1 no primeiro tempo para 24,06 km/h-1 na prorrogação. A perda de rendimento é semelhante em todas as posições.

Em uma segunda etapa 2 foi estudada a influência da prorrogação no rendimento dos atletas, no que se refere à quantidade de passes, lançamentos, recuperações e dribles realizados, assim como a porcentagem de êxito. A amostra foi composta por 18 jogos disputados por equipes europeias de elite no período de 2010 a 2014. As partidas foram divididas em 8 tempos de 15 minutos cada (P1: 0-15 min., P2: 16-30 min., P3: 31-45 min., P4: 46-60 min., P5: 61-75 min., P6: 76-90 min., P7: 90-105 min. e P8: 106-120 min.). Os resultados sugerem que, em P8 se comparado a P1, o número total de passes (102 versus 71), a porcentagem de passes com sucesso (88 versus 61) e a porcentagem de recuperação com sucesso (72 versus 64) são significativamente inferiores. Além disso, foi constatado que o tempo efetivo de jogo é nitidamente menor em P8 do que em P1 (598 versus 504 segundos). Não foram registradas diferenças no restante dos indicadores.

As aplicações práticas destas amostras apontam que, talvez não se deva realizar preparações físicas dirigidas com o intuito de melhorar o rendimento das equipes durante as prorrogações. Em função do número limitado de partidas em que se disputam prorrogações, parece não ser apropriada uma preparação prévia para uma situação que raramente acontece, e que ainda pode comprometer as adaptações que permitem um melhor rendimento dos atletas durante os 90 minutos que a antecedem. Os técnicos poderão valer-se das substituições para manter o rendimento das suas equipes durante uma prorrogação ou preparar os atletas no domínio desses cenários de campeonatos onde tenham que acelerar ou desacelerar em um jogo. Além disso, seria recomendável alterações no regulamento que permitam a realização de substituições adicionais nos jogos onde hajam prorrogações.

 

 

Carlos Lago Peñas

 

Referências:

1 Lago-Peñas, C., Dellal, A., Owen, A.L. y Gómez-Ruano, M.A. (2015). The influence of the extra-time period on physical performance in elite soccer. International Journal of Performance Analysis in Sport, 15 (3), 830-839.

2 Harper, L.D., West, D.J., Stevenson, E. y Russell M. (2014). Technical performance reduces during the extra-time period of professional soccer match-play. PLoS One, 24, e110995.

 

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