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18 August, 2020

COMO ADIAR OS JOGOS OLÍMPICOS

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A cada quatro anos uma chama é acesa em algum canto do planeta para recordar aos nossos corações que, guiados pelas virtudes do esporte, sempre há esperança. Não é uma ideia que possa ser suspensa, adiada ou cancelada e é por isso que os Jogos Olímpicos foram projetados para serem realizados sob qualquer circunstância. Porém, em 2020, em função da pandemia da Covid-19 o Comité Olímpico Internacional (COI) e sua sede em Tóquio percebeu essa inédita situação e, juntamente com ela, a um dos maiores desafios para a gestão do esporte moderno.

 

Administrar incertezas

 

Ninguém estava muito confiante em como gerir uma situação inédita na história do esporte. No final do mês de fevereiro, o coronavírus era apenas um problema local, em Wuhan (China), na Itália, na Espanha e também no Japão. Perante a impossibilidade de mudar de sede a apenas cinco meses do início dos jogos, o Comité Olímpico anunciou que considerava o cancelamento. O Japão reagiu expressando o seu mal-estar por diversos meios e, ao mesmo tempo, advertindo sobre o grande prejuízo econômico que isso causaria e que não enfrentariam sozinhos. O COI ofereceu então a solução contrária, celebrar adaptando-se à epidemia. E assim aconteceu, quando todas as ligas e campeonatos nacionais e internacionais já tinham sido adiados ou cancelados, a organização dos Jogos Olímpicos afirmou que seriam realizados nas datas previstas, de 24 a 9 de agosto, porém sem público. Esta solução não apenas desagradou a Tóquio, mas também aos atletas e patrocinadores. Então, apenas dez dias após o anúncio de que eles iriam realmente acontecer em 2020, tornou-se oficial seu adiamento para 2021.

 

Poder de decisão, negociações e lobby

 

Quem tomou a decisão de adiar os Jogos Olímpicos? Segundo a página FAQ do COI foi um acordo cordial entre a organização e a sede. Mas mesmo que assim tivesse sido, começou de uma forma mais rude, o que poderia acabar até no Tribunal Superior de Arbitragem Esportiva, isto porque partia de duas posições opostas. O COI buscava o máximo benefícios para sua instituição com menores prejuízos para seus atletas e o Japão, por sua vez, não queria perder a injeção econômica e a promoção de seu país na qual os jogos proporcionariam. Dois outros grupos de interesses que não participaram oficialmente nas negociações, mas que exerceram lobby sobre os gabinetes. As empresas contratadas para a celebração dos jogos, como as prestadoras de bens e serviços, além dos patrocinadores e emissoras de televisão, que representam 95% do negócio olímpico. O segundo desafio para esta gestão, além de fazer o que nunca havia sido feito, era a de coordenar todos estes interesses sem acabar em intermináveis litígios ou perda de reputação para o COI e, consequentemente, um número menor de cidades dispostas a serem sedes olímpicas no futuro.

 

O COI partiu de uma posição dominante, garantindo que o cancelamento não lhe seria prejudicial assim como não atenderia aos interesses financeiros, uma vez que a sua administração adequada e o seguro contratado os manteriam a salvo de qualquer contratempo econômico. Também existia algo a mais: as cláusulas do contrato de 80 páginas firmado com Tóquio em 2013. Uma dessas cláusulas atribuía à cidade a possibilidade de cancelar os jogos se a segurança dos participantes fosse seriamente ameaçada ou posta em perigo, seja por qualquer razão. O coronavírus atende esse requisito por sua grande capacidade de contaminação, especialmente em celebrações em massa como estádios, conforme o alerta da OMS. Assim, o comitê sugeriu indiretamente que Tóquio aderisse a esta cláusula. A resposta do Japão não poderia ser mais óbvia, pois já haviam investido cerca de €11.000 milhões de euros que seriam perdidos, aos que teriam que acrescentar mais €6.000 milhões de euros estimados em lucros por consumo. A investidora SMBC Nikko Securities tornou público que, se os jogos fossem cancelados, o PIB anual japonês sofreria uma queda de 1,4%.

 

Em virtude das reclamações por parte do Japão, o COI recorreu à segunda cláusula relevante do contrato. Essa especificava que, o Comité Olímpico poderia obrigar Tóquio a realizar os jogos sem público, pois, mesmo tratando-se de uma medida destinada a atos de terrorismo e catástrofes naturais, a pandemia estaria incluída nesta última. O comitê então fez um pronunciamento de que as datas previstas seriam mantidas, mas que somente a imprensa, os colaboradores essenciais para a realização dos jogos e os atletas teriam acesso aos estádios e às sedes olímpicas. Foi assim que o COI conseguiu não só enfrentar o Japão, mas também atletas, patrocinadores, a cidade sede dos Jogos Olímpicos e o próprio governo japonês, que perdeu a renda das bilheterias, o turismo na cidade japonesa e o encantamento dos Jogos Olímpicos juntamente com todos os seus participantes. Muitos membros do comitê, tanto atletas atuais quanto aposentados, também não gostariam de forçar os 10.000 atletas participantes dos jogos a fazê-lo com arquibancadas vazias. A mídia e os patrocinadores também não ficariam satisfeitos, pois esta opção reduziria o público e as receitas publicitárias.

 

O valor de uma gestão

 

Durante um mês tivemos conhecimento destas mudanças de decisão enquanto as negociações eram conduzidas com máxima discrição e uma aparente tranquilidade de ambas as partes. Da participação de empresas patrocinadoras ou seu lobby, fomos informados dois dias depois do anúncio do adiamento no dia 22 de março. No dia 24, o canal Discovery, com €13.000 milhões de euros contratados em direitos de emissão, comunicava seu apoio integral à medida tomada. Thomas Bach, General Electric e Procter & Gamble também garantiram que manteriam suas reservas de espaço e patrocínio, inclusive prorrogando os contratos que deveriam expirar em 2020. Todas contribuíram para um final feliz, preparando os membros do COI para chegarem a um acordo com o Japão. E não poderia ser de outra forma, visto que os Jogos Olímpicos são considerados o maior evento publicitário do mundo. Com um público de quase 8 milhões pessoas nas sedes e mais 4000 milhões em emissoras de televisão e serviços on-line, a venda de artigos esportivos disparou a nível global. Marcas como Nike e Adidas, que representam 76% do investimento anual em patrocínio e publicidade esportiva (€9.000 milhões de euros) afirmam que essa despesa iria gerar uma enorme demanda e vendas ainda mais milionárias. Não são números oficiais, mas a terceira protagonista dos Jogos Olímpicos depois do COI e a própria cidade sede do evento, sendo que nenhuma gestão responsável os teria ignorado.

 

Martín Sacristán

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