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9 September, 2020

Cargas de treinamento no transcurso de uma temporada da Premier League

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As exigências físicas que o futebol profissional apresenta sofreram um elevado aumento nos últimos anos. O jogo se tornou sinônimo de aumento da distância que o elenco percorre nos jogos assim como a intensidade na qual executam os passes e jogadas. Por exemplo, em estudo realizado (1) constatou que todos os jogos da Premier League desde as temporadas de 2006 e 2007 até as de 2012 e 2013 apresentaram um aumento expressivo dos sprints nessas 7 temporadas, o que representa 85% (31 vs 57) e as distâncias percorridas com essa intensidade representaram 35% (232 m vs 350 m) (Figura 1).

Figura 1. Distância percorrida nos sprints durante 7 temporadas da Premier League. Adaptado de Barnes et al. (1). Os destaques em amarelo representam o intervalo interquartil. Os círculos em azul são o valor médio por temporada e a linha em azul é a linha marca a tendência durante estas 7 temporadas.

Portanto, técnicos e preparadores físicos projetam e programam com o claro objetivo de que o elenco possa suportar elevadas cargas de trabalho em um calendário que, em alguns casos, pode ter até 3 jogos por semana. Assim, os responsáveis pela programação alternam as cargas de treinamento em função da proximidade dos jogos e da própria evolução da temporada. Por isso, é fundamental que o controle das cargas de trabalho exista, pois assim podemos ajustar as demandas em função do trabalho real de cada atleta. Apesar da grande importância de programar o desempenho dos clubes, não contamos com muitas informações sobre como eles realmente enfrentam uma temporada. Para preencher esse vazio, recentemente foi publicado um estudo (2) que elucida a distribuição das cargas de trabalho do Manchester United durante semanas nas temporadas de 2012 e 2013, ano em que foi consagrado campeão da Premier League.

Assim, foram quantificadas pelos pesquisadores as cargas internas dos atletas: obtidas pela multiplicação da valorização do esforço percebido e a duração do jogo em si ou das sessões de treinamento e as cargas externas: obtidas pelo GPS durante as 36 semanas de duração da competição. Todas as informações estão classificadas em mesociclos (conjunto de 6 semanas) e microciclos (1 semana) para que se possa verificar com precisão, e a curto prazo, a evolução durante uma temporada. Isso desperta especial interesse, pois é uma maneira eficiente de valorizar a distribuição das cargas de trabalho, de acordo com a proximidade dos jogos, momento no qual os atletas necessitam dar o máximo de rendimento e potência.

Os resultados demonstraram que a carga interna e a distância percorrida foram superiores nos primeiros mesociclos da temporada que nos demais. Em comparação, apensa existiram alterações significativas nos sprints de alta velocidade. É importante salientar que o que aconteceu durante o dia seguinte ao natal, o que comumente conhecemos como Boxing Day, onde existem uma grande quantidade de jogos em poucos dias. Nestes dias da temporada, com o objetivo de compensar o aumento das cargas durante os jogos, o elenco reduz a duração de cada treinamento, o que provoca menores registros de cargas internas, distâncias percorridas e distâncias percorridas em sprints na temporada.

Se observamos a evolução semanal, a maior carga, seja ela interna ou externa, foi registrada em dias dos jogos e, ao contrário, a menor carga foi registrada no dia anterior. Por exemplo, observamos que durante os 3 dias anteriores aos jogos as cargas internas diminuíram progressivamente entre 70 e 90 unidades por dia e a distância entre 700 e 800 metros por dia. Além disso, a distância percorrida em velocidade e em sprint foi superior 3 dias antes do jogo que justamente no dia anterior. A diminuição das cargas diárias segue as recomendações dos dados obtidos no estudo (3) o qual verificou o segundo elenco do Barcelona Futebol Clube e que também registrou uma redução na distância (~ 3000 m) e a distância percorrida em sprint (~ 170 m) durante os 3 dias que antecederam o jogo.

Os resultados apresentaram como um elenco de elite distribui suas cargas de trabalho no transcurso de uma temporada vencedora e sem que torne pesada. Os autores do estudo, sobretudo, alguns membros do Departamento médico e ciências do Manchester United, sinalizam a evidente regularidade que acontece em cada microciclo semanal, enfatizando a recuperação e a preparação dos jogos durante longos e pesados períodos de competições.

 

 

Adrián Castillo

 

 

Referências:

  1. Barnes C, Archer DT, Hogg B, Bush M, Bradley PS. The evolution of physical and technical performance parameters in the English Premier League. Int J Sports Med. 2014 Dec;35(13):1095–100.
  2. Kelly DM, Strudwick AJ, Atkinson G, Drust B, Gregson W. Quantification of training and match-load distribution across a season in elite English Premier League soccer players. Sci Med Footb. 2020 Jan 2;4(1):59–67.
  3. Martín-García A, Díaz AG, Bradley PS, Morera F, Casamichana D. Quantification of a professional football team’s external load using a microcycle structure. J Strength Cond Res. 2018;32(12):3511–8.

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