BIHUB PATH

November 29, 2021

Rendimento

Carga de treinamento durante o microciclo no hóquei em patins

By Pedro L. Valenzuela.

A carga de treinamento é um dos fatores mais importantes no mundo dos esportes, pois dela depende atingir ou não as adaptações desejadas. A carga de treinamento pode ser classificada em carga externa ou interna: a primeira trata-se do trabalho completado pelo atleta (por exemplo, distância, número de sprints, etc.) e a segunda é a resposta fisiológica ou psicológica (por exemplo, frequência cardíaca, níveis de lactato, percepção de esforço) gerada pela carga externa. Assim, as adaptações do treinamento dependerão do efeito produzido conjuntamente entre as cargas interna e externa. De fato, será considerado uma melhora no estado físico quando a mesma carga externa provoca uma carga interna menor em relação às sessões de treinamento anteriores, enquanto será considerada uma piora no estado físico, ou um estado de fadiga, quando a mesma carga externa resulta em uma maior carga interna.

A cada dia mais pesquisas mostram os níveis de carga interna e externa suportados nos esportes coletivos populares, como futebol ou basquete. No entanto, a evidência ligada àquela temática, num esporte como o hóquei em patins, é bem mais escassa. Neste contexto, um estudo recente dirigido por profissionais do FC Barcelona e publicado na revista Frontiers in Physiology analisou a carga interna e externa de 9 jogadores (tirando os goleiros) do FC Barcelona Hóquei ao longo das temporadas 2018-2019 e 2019-2020, nas quais a equipe venceu a liga1.

Especificamente, os pesquisadores analisaram marcadores de carga externa mediante GPS, tanto durante as sessões de treinamento quanto durante as partidas, como a distância total percorrida, a distância percorrida em alta velocidade (> 18 km / h), variáveis ligadas ao número de acelerações e desacelerações realizadas em alta intensidade, e a player load (variável que tenta sintetizar as acelerações totais em qualquer vetor feitas pelo jogador). Por outra parte, os atletas também responderam sobre seu nível de esforço percebido em cada sessão, utilizando uma escala de 0 a 10 (conhecida como RPE pela sigla em inglês “Rate of Perceived Exertion”), utilizando este valor, multiplicado pela duração da sessão em minutos, para obter a carga interna. Através dessas variáveis, os autores tentaram analisar a evolução conjunta da carga interna e externa durante um microciclo “padrão” (o período entre um jogo e o próximo), bem como possíveis diferenças na carga registrada entre sessões e jogos, e a associação entre marcadores de carga interna e externa.

Em suma, os resultados do estudo mostram uma evolução da carga se comportando em forma de U inverso ao longo do microciclo. Quer dizer que os atletas registraram as maiores cargas, seja externa quanto interna, 2-3 dias antes do jogo e no dia dele, enquanto os menores valores foram observados 4 dias antes do jogo e principalmente na véspera dele. É importante mencionar que a RPE  foi semelhante ao longo da semana toda, embora a carga interna (RPE multiplicada pela duração das sessões) tenha mudado, possivelmente devido à influência do volume de treinamento ou à combinação do treinamento na pista com o treinamento de força). Curiosamente, a carga observada nos treinos realizados 2 a 3 dias antes do jogo foi ainda maior do que a registrada pelos atletas na partida. Além disso, foi observada uma relação entre a carga interna e os marcadores de carga externa ligados ao volume (por exemplo, distância total, player load), mas aquela correlação foi menor com variáveis que têm mais a ver com a intensidade, como distância percorrida em alta velocidade (> 18 km/h).

Portanto, este estudo mostra como pode ser utilizada, de forma integrativa, a interação entre carga interna e externa para determinar o estado dos atletas ao longo do microciclo, entendendo que uma carga externa baixa, mas uma carga interna elevada pode estar associada a um estado de fadiga, e que o resultado oposto pode ser associado a uma melhora no estado físico. Além disso, a evolução durante o microciclo revela a tendência de reduzir a carga antes de uma partida, o que pode ser uma ótima estratégia de tapering ou redução gradual dos exercícios. Como comenta Daniel Fernández, um dos autores do estudo, “A integração entre carga externa e interna é uma das ferramentas básicas para avaliar as cargas propostas aos nossos atletas durante o microciclo competitivo. A partir do resultado desta relação de cargas é possível obter informação para ajustar as sessões de treino, atividades e situações propostas à equipe para adaptá-las à proposta previamente planejada”. Esta pesquisa nos mostra que temos à nossa disposição inúmeras ferramentas e marcadores para monitorar nossos atletas, só que agora é necessário que as evidências continuem a crescer a fim de determinar como administrar esses marcadores de forma otimizada e eficiente.

Referências

  1.   Fernández D, Moya D, Cadefau JA, Carmona G. Integrating External and Internal Load for Monitoring Fitness and Fatigue Status in Standard Microcycles in Elite Rink Hockey. Front Physiol. 2021;12(June):1-10. doi:10.3389/fphys.2021.698463

KNOW MORE

¿VOCÊ QUER SABER MAIS?

  • ASSINAR
  • CONTATO
  • CANDIDATAR-SE

FIQUE ATUALIZADO COM NOSSAS NOVIDADES

Você tem dúvidas sobre o Barça Universitas?

  • Startup
  • Centro de investigação
  • Corporate

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

O formulário foi enviado com sucesso.

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

O formulário foi enviado com sucesso.

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

Por favor, preencha os campos:

O formulário foi enviado com sucesso.