BIHUB PATH

May 2, 2022

Fan Engagement e Big Data

Atribuir diferentes horários de chegada aos torcedores com base em seu perfil para otimizar o desempenho do estádio

By BIHub Team.

No esporte, a presença do público em um estádio é crucial. Por um lado, é um indicador indireto da reputação do clube e é fundamental para a obtenção de benefícios econômicos. Por outro lado, o público, com seus cantos e gritos, melhora a atmosfera do estádio e contribui para o desempenho do time local. Um estudo de Fabiano Wunderlich, da Escola Superior de Esportes da Alemanha, sobre os jogos que foram disputados sem público em decorrência da pandemia, achou que, sem torcedores, os times locais venceram 43% comparando com 45% das vezes na década anterior. A mesma coisa aconteceu com as vitórias fora de casa. Com as arquibancadas vazias, as vitórias como visitante aumentaram 32% em comparação com 28% anteriormente.

Ao convocar milhares de pessoas para cada evento, é fundamental potencializar a experiência do torcedor que frequenta o estádio. Para que seja plenamente satisfatória, um dos pilares é que seja confortável, como mostra a pesquisa Fan Engagement da Deloitte 2018, onde a maioria dos torcedores afirmou esperar que o estádio fosse seguro, confortável e limpo. Há ações fundamentais para melhorar a experiência do espectador como facilitar os acessos, eliminar longas filas e esperas, gargalos e aglomerações, oferecer serviços e produtos adequados à sua demanda, além de garantir a segurança. Podem até surgir casos excepcionais, como uma pandemia ou obras de construção de um estádio, que dificultam ainda mais. Por esta razão, a organização de grandes eventos hoje envolve a utilização de ferramentas de assistência preditiva, de forma a otimizar o desempenho da instalação em qualquer contexto que possa acontecer no dia do evento.

A qualidade percebida do jogo também é importante. A taxa de ocupação de um estádio influencia diretamente nesse sentimento, aspecto vital para as retransmissões e o marketing esportivo.

Tradicionalmente, para prever o público nos estádios, duas variáveis são levadas em consideração: a reputação do rival e o nível da competição. Hoje, essa previsão é muito mais sofisticada. A coleta de informações começa com as características da partida. Existe extensa literatura científica sobre o que traz os torcedores ao estádio, seja o valor da marca do rival, seja a imprevisibilidade do resultado ou a possibilidade matemática de obter títulos ou classificações para outras competições, mas são dados que só podem ser avaliados de acordo com a idiossincrasia de cada instituição.

Da mesma forma, as características da demanda devem ser valorizadas a partir de aspectos tão díspares quanto à morfologia de cada cidade. Por exemplo, tudo muda se um estádio estiver na periferia ou no centro do núcleo urbano. Um dos maiores problemas das cidades americanas que possuem franquia de beisebol ou futebol americano são os custos indiretos que a atividade do estádio gera para a cidade, não só na manutenção das infraestruturas, mas também nos engarrafamento no tráfego que é gerado para comparecer em locais que geralmente ficam na periferia, ou os problemas de estacionamento de veículos. Um problema que se reproduz quando shows ou outros tipos de eventos são realizados em estádios, não apenas nos eventos de esportes.

No caso do Camp Nou, está localizado em um dos bairros centrais de Barcelona, o que é incomum pelas instalações de sua magnitude tanto na Europa quanto no mundo. Com o objetivo de desenvolver ferramentas preditivas para a gestão do estádio, o clube está embarcando no projeto IoTwins em conjunto com o BSC (Barcelona Supercomputing Center) para pilotar um gêmeo digital do Camp Nou que analisa o movimento de pessoas nas instalações e arredores. Nesse contexto, um dos resultados da colaboração foi a pesquisa When are they coming? Understanding and forecasting the timeline of arrivals at FC Barcelona stadium on match days, por Feliu Serra Burriel, Fernando Cucchietti, Pedro Delicado, Eduardo Graells Garrido, Alex Gil e Imanol Eguskiza que estuda o comportamento dos frequentadores do estádio a partir de variáveis como seu perfil como torcedor (sócio, turista, comprador ocasional) e variáveis como o clima e outros condicionantes. O trabalho foi publicado no Journal of Sports Economics e foi apresentado na reunião Sloan Sports Conference de 2022.

Nesta pesquisa, mapeando o comportamento do torcedor com um sistema holístico, eles tentaram identificar padrões de movimento. Para melhorar a mobilidade e a segurança dentro do estádio, é possível identificar as áreas que estão mais lotadas ou os acessos que podem ser ineficientes ou subutilizados. Seu uso imediato seria, por exemplo, poder identificar aquelas entradas onde há filas menores para reduzir os tempos de entrada e o acúmulo de pessoas.

No FC Barcelona, uma boa parte das vagas é ocupada por sócios por meio de uma anuidade. O clube, no entanto, nunca sabe quantos desses membros estarão presentes até a mesma data da partida. Para a liberação de ingressos correspondentes às localidades dos associados que não comparecerão, existe um sistema de reembolso ao associado caso ele anuncie antecipadamente que não comparecerá. Para a gestão do estádio, o clube precisa de uma previsão não só da afluência ao campo no dia do jogo, mas também do não comparecimento dos sócios.

Para realizar o estudo, foram levados em consideração os dados do FC Barcelona nas últimas quatro temporadas. Embora mais dados estivessem disponíveis há anos, as características dos times rivais e outras situações e cenários que afetam o comparecimento aos estádios mudaram. Os dados são de um total de 108 jogos disputados entre as temporadas 2016-17 e 2019-20, embora tenham sido excluídos os jogos que foram disputados sem público em decorrência da pandemia. O estudo identificou, preservando sua privacidade, cada pessoa que acessou as instalações e seus horários desde a obtenção dos ingressos, em um local com capacidade para 99.354 participantes, mais de 100 portas, 6 andares e 292 entradas.
Com os dados que esta pesquisa produziu, é possível prever um cronograma de chegadas ao estádio com 72 horas de antecedência.

Nos resultados do estudo, observou-se que nas partidas que não estão incluídas nos ingressos da temporada, como o Troféu Gamper ou as partidas da Supercopa, o público tende a chegar muito mais cedo. A maioria dos adeptos que compraram bilhetes apareceu com bastante antecedência e o habitual pico de público momentos antes do começo da partida não ocorreu. Também foram encontradas diferenças entre assinantes e espectadores que compram um ingresso. Estes últimos chegam ao estádio, em média, com 44 minutos de antecedência. No entanto, os membros aparecem em média 20 minutos antes do início. Para o tratamento dos dados da pesquisa, foram utilizadas duas covariáveis: As atemporais, como as características da partida, dia da semana, horário da partida, se é rival direto ou um derby, que são fatores que se conhece antecipadamente; e aqueles que mudam ao longo do tempo, como o número de assentos disponíveis ou ingressos vendidos dias antes da partida. Além disso, foi apreciado que, por exemplo, a meteorologia também afeta. Se houver chuva, isso afeta negativamente a participação de cerca de 8.500 espectadores a menos.

Esses resultados abrem as portas para a criação de uma ferramenta para estabelecer os horários de chegada dos visitantes. Seria a melhor forma de evitar áreas de superlotação ou proximidade desnecessária entre pessoas e assim estabelecer as condições para otimizar o desempenho econômico de um estádio. Se conhecermos as preferências dos torcedores, podemos segregar o público de acordo com seu horário de entrada.

Dessa forma, os clubes também poderiam maximizar a renda. Aqueles espectadores que compram ingressos e chegam mais cedo ao estádio têm maior probabilidade de gastar mais dinheiro em merchandising e poderiam ter mais espaço para passear pelas instalações e ter uma oferta de produtos adequados à sua demanda. Os sócios, por sua vez, poderiam entrar mais diretamente. A ferramenta também seria válida para gerenciar situações de limitação de capacidade como as que acabam de ser vivenciadas com a COVID ou a realização de obras no estádio. Da mesma forma, com esses dados, a gestão dos espaços pode ser estendida a outras instalações da cidade, como aeroportos ou estações de trem, onde também são oferecidos serviços comerciais e os picos de atendimento ocorrem nos horários de chegada e partida dos transportes. Em suma, serviria para racionalizar e facilitar a mobilidade urbana em seus pontos mais congestionados e desconfortáveis, além de maximizar a renda.

 

This project has received funding from the European Union’s Horizon 2020 research and innovation programme under grant agreement No 857191

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