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15 March, 2021

Arenas como essências para iniciativas de clubes do século XXI

Análise e Tecnologia Desportiva

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“As arenas têm alma e significam a essência das equipes. Suas arquibancadas emanam vibrações que mantém os clubes vivos, tanto sentimental como financeiramente”. Esta frase de Javier Doña resume o conceito sobre arenas como fundamento sobre o qual um clube é constituído. Principalmente no século XXI, pois se tornaram monopólio para chamar as atenções e o impacto sobre a imagem, não apenas através das transmissões de jogos, mas também nas redes sociais, além de significarem força motriz por trás do compromisso para com seus torcedores assim como para com seus atletas profissionais de futebol que se tornaram astros. Mas para conseguir a modernização das instalações e uma mudança no modelo de gestão, foi necessário, sobretudo, banir ideias herdadas do passado. Doña, professor especializado em Gestão de instalações esportivas, contribui com algumas ideias que são fundamentais para alcançar este objetivo, segmentadas em seu modelo de negócios, design de produto, experiência dos torcedores, a adaptação arquitetônica e tecnológica para todos estes conceitos com o objetivo de maximizar receitas e exploração destas instalações, sendo ou não um dia de jogo.

Outro conceito de modelo de negócios

De acordo com Doña, os objetivos para os próximos 50 anos dependerão, em sua maioria, de como as iniciativas para a constituição de arenas serão conduzidas. Reformas, ampliações ou construções de novas instalações só terão sucesso a longo prazo se a construtora ou os arquitetos tiverem informações suficientes sobre os objetivos do clube e como atender a estas solicitações e aspirações. Um plano de negócios absolutamente detalhado. Caso contrário, o risco de se construírem novos elefantes brancos é elevado ou de que a equipe comercial tenha dificuldades significativas no momento de explorar as diretrizes de geração de receita direta da futura arena. O projeto arquitetônico, que naturalmente ajuda a criar uma marca registrada, precisa estar baseado em um modelo de negócios desenvolvido por profissionais que sejam torcedores do clube. Somada a supervisão de como este modelo será implementado neste projeto, para que se adapte às exigências e necessidades do clube.

Uma visão mais ampla sobre as receitas

Javier Doña sugere considerar arenas como um dos pilares que fomentam o crescimento de clubes, com o claro objetivo de que eles se tornem financeiramente sustentáveis. Esta visão acaba por abolir a ideia de que uma instalação só gera renda a partir das linhas de negócios diretos da arena e durante os dias que tenham partidas, a partir de suas bilheterias, assentos Premium, concessões etc. Estes detalhes sempre foram contemplados nos relatórios das empresas de auditoria, onde valores entre 10 e 12% da receita total de um clube são destinados às instalações. . Além deste percentual, existem linhas de geração de receita diretas para as arenas, ou seja, negociações de Naming Rights ou receitas provenientes do uso durante períodos de ociosos entre as partidas, geralmente destinados à parte comercial deste “bolo” contábil. Além disso, devemos também considerar o impacto apresentado por uma arena sobre outras linhas de geração de receita para o clube, por exemplo, os direitos de transmissão, busca de patrocínios e fortalecimento da marca como um ativo. Após realizada todas as análises, percebemos que, a porcentagem das receitas das arenas, levando em consideração a média do mercado, sobem para aproximadamente 30%. Isso fomenta novas formas e conceitos sobre os projetos de um clube.

Equilíbrio financeiro entre construção e entrega

Um aspecto relevante de qualquer projeto é manter o equilíbrio entre receitas e endividamentos. Isto é muito claro quando se trata de fazer investimentos em arenas. Um caso emblemático foi o do Arsenal Stadium, no lugar do extinto Highbury e também a construção da nova arena Emirates Stadium, que quase dobrou sua capacidade de 37.500 para 60.000 espectadores. Uma aposta arriscada que, no entanto, gerou liquidez desde o primeiro dia. Entretanto, trouxe uma dívida de 500 milhões para o clube, que obriga o Arsenal a dedicar-se ao pagamento desta dívida, eliminando qualquer tentativa de se fazer grandes eventos por um determinado tempo. É muito provável que venha a apresentar os piores resultados esportivos a curto prazo, mas ao mesmo tempo garante viabilidade financeira e enormes possibilidades de crescimento a médio e longo prazo.

Modelos de exploração: tipos de arena

Javier Doña também reforça a importância de que diversas iniciativas para as arenas devem ser consideradas durante os períodos ociosos e sem jogos, mesmo que esta não seja sua principal função e fonte de ingressos. E que representam uma média de 92,4% da ocupação anual. Embora considerando como receitas complementares para o clube, eles podem apoiar seu modelo de negócios e crescimento, como podemos observar com o sucesso do Wanda Metropolitano, a nova arena do Atlético de Madri, sua nova casa, deixando a antiga, conhecida como estádio Vicente Calderón. Com atividades diárias durante todo o ano, realizando eventos tanto privados como públicos, tendo projetado a arena com dois perfis de modelo de negócios muito definidos, o corporativo e a realização de eventos. Esta mudança para a nova arena é fundamental para um clube com objetivos estratégicos de passar para o próximo nível, o que lhe permitirá integrar o grupo dos clubes europeus, ou seja, o Top ten em termos de receita, podendo ser mais competitivo a longo prazo. Porém, ainda não atingiu o clima experimentado no antigo estádio em dias de jogos, semelhante ao das arenas de referência como a arena Anfield, na Inglaterra ou a La Bombonera, na Argentina, embora esteja trabalhando para isso, o que não o impede de continuar avançando em seus objetivos e planos de negócios. Esta é, naturalmente, outra das forças motrizes para o século XXI, pois não existe um modelo único de arena e que a implementação de mais de um perfil de modelo de negócios para multiuso precisa ser contemplada, seja em esportes ao vivo, eventos, negócios corporativos além de lazer e entretenimento, sempre de forma personalizada e, de acordo com as características, capacidades e objetivos de um clube.

Saber com quem estamos competindo

Para lotar arquibancadas, objetivo principal de todos os clubes, é preciso entender qual é a nossa concorrência, seja interna ou externa. A externa é qualquer experiência de lazer e entretenimento que encontramos no mercado, desde ir ao cinema ou optar por plataformas de conteúdo como Netflix, até mesmo jantar fora, fazer compras ou dar um passeio em um fim de semana de férias, e, é claro, visitar outros eventos na cidade. Cabe ao torcedor definir onde gastar seu dinheiro e, com certeza, ele escolherá algumas destas opções, pois está em busca de novidades. Se uma partida for realizada nestas condições, oferecendo uma experiência 360° ao torcedor, que poderá assistir a uma partida de futebol, basquete ou qualquer outro jogo esportivo, não só atrairemos aqueles que já têm o esporte como a principal opção de lazer, mas também todos os perfis de potenciais clientes, que se sentem atraídos pela experiência única de frequentar uma arena.

Hoje em dia, os clubes também criam seus próprios campeonatos internos, que influenciam no sucesso de suas arenas, estas vistas como seu produto. O Streaming de conteúdo, que cada mais presente, através de suas próprias plataformas ou como concessão a terceiros, facilita uma experiência imersiva. O cliente pode assistir aos jogos no momento e onde quiser, compartilhar com seus amigos nas redes sociais ou analisar uma jogada em específico, ignorando o restante do jogo. O torcedor começa a se questionar, para que frequentar arquibancadas, tendo que se deslocar de sua casa, correndo o risco de enfrentar engarrafamentos, intempéries e longas filas para desfrutar de uma experiência e de uma emoção que pode ser a mesma, com o conteúdo oferecido em transmissões televisivas ou por plataformas de Streaming? Esta tendência que impacta todos os perfis de torcedores é na verdade o comportamento das novas gerações, um exemplo é a geração Z. Para trazê-los as arquibancadas, os clubes terão que atender às suas expectativas, adaptando-se à forma como entendem e consomem o esporte, assim como o uso que fazem da tecnologia seja ela presencial dentro das arenas.

Um exemplo muito claro de mercado é o modelo europeu de arenas, que ainda necessita de aprimoramentos e melhorias para poder ser comparado com os Estados Unidos. As arenas americanas oferecem uma experiência imersiva com infinidades de recursos dentro e fora de suas instalações, permitindo a criação de ofertas comerciais, de lazer, durante a cobertura de um pré-jogo ou tailgate como é denominada esta tradição, como o próprio jogo, inclusive o pós. Desta forma, o clube faz com que os torcedores passem muito mais tempo na arena e como consequência, consumam mais. Este comportamento já existe e na Europa os torcedores chegam até duas horas antes e ficam pelo menos uma hora depois do jogo em restaurantes, bares e locais ao redor da arena. É importante que os clubes reivindiquem este segmento de negócios que criaram, além de oferecerem aos torcedores experiências de diversão e consumo dentro ou próximo das arenas.

 

Javier Doña 

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